<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188</id><updated>2012-02-16T12:12:49.455-08:00</updated><title type='text'>Patthos</title><subtitle type='html'>Agora de cara nova</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>154</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-9131844419050915572</id><published>2011-03-24T12:30:00.000-07:00</published><updated>2011-03-24T12:31:19.916-07:00</updated><title type='text'>O homem no portão</title><content type='html'>O ônibus fez a curva na Rua Bento Lisboa, no Catete, e mais uma vez, o vi: lá estava ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não parece ser muito velho, nem muito novo; diria que tem uns 30, 40 anos. Está sempre da mesma forma, sem camisa, apenas de bermuda, uma bolsa pochete na cintura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E está sempre apoiado na grade do portão da vila, o braço esticado, segurando o portão e olhando para a rua. Eu apostaria que ele mora lá, porque a porta do portão (a que dá acesso aos pedestres) está sempre aberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre me perguntei o que ele está fazendo ali, sempre parado no mesmo lugar, do mesmo jeito, segurando o portão. Por causa da velocidade do ônibus e pela falta de um ponto em frente, nunca pude analisar melhor a postura, o olhar, o que está fazendo; se espera alguém ou alguma coisa, se está apenas olhando a rua, se está chegando ou saindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o ônibus fez a curva dessa vez, o trânsito parou por conta de um engarrafamento. Com o ônibus parado, pude observá-lo melhor: continuava apoiado no portão, o braço estendido apoiado na porta, a bolsa na cintura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa vez, porém, fez algo de diferente. Ao virar a cabeça, seus olhos encontraram os meus e ele sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ônibus acelerou em seguida e partiu rumo ao Leblon. Seria a observação mútua? O que ele está fazendo sempre no mesmo lugar? Ou será que eu é que estou sempre no mesmo ponto?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-9131844419050915572?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/9131844419050915572/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=9131844419050915572&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/9131844419050915572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/9131844419050915572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2011/03/o-homem-no-portao.html' title='O homem no portão'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-1198335155817502362</id><published>2011-03-22T13:46:00.001-07:00</published><updated>2011-03-22T13:50:33.307-07:00</updated><title type='text'>A canção de Yunus</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ouvi essa história há alguns anos atrás e gostaria de compartilhá-la com vocês. Não sei quem é o autor. Para ler e refletir. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez um homem que se chamava Yunus e muito desejava o conhecimento. E, em busca dele, andou e andou, até que, finalmente, encontrou um grande mestre e este o aceitou por discípulo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mestre era cego e tinha uma mulher que o guiava. Ela era os seus olhos. &lt;br /&gt;Yunus foi viver com eles e os outros discípulos. O lugar era simples; pequenas casas que se organizavam em torno de um amplo pátio. E o mestre deu-lhe por missão varrer diariamente o pátio central. Assim fazia então Yunus: todo o dia, com a vassoura na mão, trabalhava e trabalhava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De manhã, o mestre atravessava o pátio. Saía de sua casa, e o atravessava sempre guiado pela mulher, até o outro lado, onde ministrava os seus ensinamentos aos outros discípulos. Yunus, então, parava de varrer e, ansioso, esperava que o mestre lhe dirigisse uma palavra qualquer: Mas ele se ia, sem nada dizer: Yunus voltava a varrer e a esperar: assim se passou sete anos, sem nada mudar. Yunus começou a se inquietar: pensava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vim para cá em busca de conhecimento. Mas até agora nada aprendi. O mestre me despreza. Nunca me permite juntar-me aos outros e só me faz varrer: mas aqui a gente o bastante para compreender o seu ensinamento... e etc. etc.&lt;br /&gt;Ia assim pensando Yunus, quando se repente lhe ocorreu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah! Talvez o mestre me esteja ensinando a humildade. Claro! Como é que não percebi isso antes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Yunus, agora motivado, voltou a varrer e a varrer, com entusiasmo. E todas as manhãs o mestre atravessava o pátio, guiado por sua mulher, e Yunus esperava que lhe dirigisse a palavra, ansiosamente, mas o mestre passava sem sequer percebê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E um dia Yunus começou a cantar enquanto varria, só para ouvir uma voz humana.&lt;br /&gt;E varrendo e cantando, varrendo e cantando, prosseguiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais sete anos se passaram e Yunus enfrentou uma nova crise:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Afinal, o que tenho eu aprendido aqui? Tenho passado toda a minha vida varrendo este pátio. Enquanto os outros discípulos podem desenvolver o espírito e a mente, ampliar a consciência, ouvindo o mestre. Mas a mim não me é dada a menor chance. Também, vai ver que não sou bom o bastante para juntar-me aos outros. Vai ver que não sirvo mesmo para nada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, em meio a tais pensamentos, Yunus não dormiu aquela noite. Já amanhecia quando afinal lhe ocorreu: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah! Já sei! O mestre quer, com isso, ensinar-me a paciência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou, então, a varrer, mais motivado. E o mestre atravessou o pátio, guiado por sua mulher, e Yunus esperou que lhe dirigisse a palavra, mas o mestre nem sequer se deu conta dele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Yunus varreu, varreu, varreu e cantou, cantou, cantou, só para ouvir uma voz humana. E cantava qualquer coisa que lhe viesse á cabeça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sete anos assim se passaram, quando Yunus experimentou mais uma crise. E esta foi tão forte, tão forte, que não viu outra saída senão abandonar o mestre e sua comunidade, e no meio da noite, Yunus se foi sem nada dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele foi andando, andando, sem parar. Muitos dias Yunus andou, sempre em frente. E atravessou um deserto, andando e andando, até que caiu de fome, cansaço e sede. E ele pensou que a morte havia chegado o fim, quando desmaiou. Voltou a si atendido por um homem muito alto que o carregou nos braços para a sua aldeia, deu-lhe de comer e beber e o fez descansar num leito macio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aldeia em que agora Yunus se encontrava era um lugar especial. Havia flores e jardins por todos os lados, e seus habitantes eram muito alegres e generosos e tudo dividiam entre si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de conviver ali alguns dias entre aquelas pessoas de ânimo maravilhoso, Yunus foi convidado a ficar. Mas curioso de saber por que eram assim tão agradáveis, sinceras e amigas, lhes perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como conseguem ser tão alegre e bons?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem que levara Yunus para a aldeia respondeu: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe? Não fomos sempre assim, não. Éramos, antes, tristes, como na maioria das aldeias e cidades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Éramos egoístas também, violentos, amargos, rancorosos. Mas um dia o vento nos trouxe uma canção que nunca soubemos de onde vinha. E esta canção nos transformou no que hoje somos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma canção? Mas que canção é essa, com tamanho poder? Cante-a para mim - pediu Yunus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E toda a aldeia cantou para Yunus a canção que os transformara e que ali chegara trazido pelo vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yunus reconheceu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas esta é a minha canção. A canção que eu cantava enquanto varria o pátio, só para ouvir uma voz humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então Yunus despediu-se dos amigos e da aldeia e voltou correndo para a sua antiga comunidade. E correndo, correndo, sempre em frente, ele atravessou outra vez o deserto e finalmente chegou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era noite, já, e quem o recebeu foi a mulher do mestre. Ao encontrá-lo, narrou a ele o quanto o mestre se entristecera com sua ausência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele por muitos dias lamentou. Até que nos acostumamos a viver sem você. Agora não tenho certeza se ele o aceitará de volta. Mas vamos fazer o seguinte: como já é noite, você se deita no pátio e dorme. De manhã, atravessaremos o pátio, como fazemos todos os dias. E eu darei um jeito para que ele tropece em você. Se ele disser: "Quem é esse que está ai?", você parte, porque isso significa que seu mestre já não o reconhece mais. Entretanto, se disser: "Ô, Yunus, que bom que você está de volta', ai você pode ficar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yunus assim fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De manhã, quando o mestre atravessava o pátio, tropeçou em seu corpo estendido no caminho e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô, Yunus, que bom que você está de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yunus, então, pegou sua vassoura e começou a varrer e a cantar. E sua canção ia sendo levada pelo vento, e misturava-se á poeira, espalhando-se por todos os lados, e até nas folhas e flores, nas árvores e na grama, penetrando pelas frestas das portas e janelas, invadindo tudo, todos os lares e todos os corações.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-1198335155817502362?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/1198335155817502362/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=1198335155817502362&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/1198335155817502362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/1198335155817502362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2011/03/cancao-de-yunus.html' title='A canção de Yunus'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-1435789743519915818</id><published>2010-12-31T09:01:00.000-08:00</published><updated>2010-12-31T09:12:50.717-08:00</updated><title type='text'>Feliz 2011</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Já chegou o Ano Novo,&lt;br /&gt;Natal ficou pra trás!&lt;br /&gt;E essa noite começa,&lt;br /&gt;Um ano mais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ano mais!&lt;br /&gt;Um ano mais!&lt;br /&gt;Que todos tenham,&lt;br /&gt;Amor e paz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ano mais!&lt;br /&gt;Um ano mais!&lt;br /&gt;Que todos tenham,&lt;br /&gt;Amor e paz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o ano que entra,&lt;br /&gt;Eu só peço a paz!&lt;br /&gt;Amor pra toda a gente,&lt;br /&gt;E nada mais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ano mais!&lt;br /&gt;Um ano mais!&lt;br /&gt;Que todos tenham,&lt;br /&gt;Amor e paz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ano mais!&lt;br /&gt;Um ano mais!&lt;br /&gt;Que todos tenham,&lt;br /&gt;Amor e paz!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(Roberto Gomez Bolaños)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pessoal, quero agradecer de coração a todos os leitores do blog, que comemorou seis anos de vida em outubro. Obrigado pela força e por estarem sempre comigo, este espaço não existiria sem vocês. Feliz Ano Novo a todos, e nos vemos em 2011!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-1435789743519915818?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/1435789743519915818/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=1435789743519915818&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/1435789743519915818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/1435789743519915818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/12/feliz-2011.html' title='Feliz 2011'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-1450768218005063930</id><published>2010-12-07T10:04:00.000-08:00</published><updated>2010-12-07T10:06:42.479-08:00</updated><title type='text'>As luzes da cidade</title><content type='html'>As luzes sempre me fascinaram. Desde pequeno, desde garoto, tenho paixão por luzes. Desde as lâmpadas das ruas, passando pelas inesquecíveis iluminações de Natal e pelo reflexo das lâmpadas na água da Lagoa e nas paredes dos túneis, até, por fim, as mais belas e fascinantes das luzes, aquelas "luzes da cidade", acesas ao longe, nos prédios, ruas e avenidas, um monte, assim, umas sobre, e do lado, e perto das outras, formando um mosaico brilhante que é suficiente para me deixar em êxtase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há um espetáculo de luzes que consegue mesmo superar o mosaico luminoso da cidade ao longe: é vê-las mais de longe, do alto, quando o avião começa a descer depois que a noite já caiu. E que me desculpem todas as belas cidades do mundo, mas, nesse ponto, o Rio de Janeiro, com suas curvas e paisagens, é insuperável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sinal para isso vem quando o avião dá um pequeno solavanco, indicando que está perdendo altura; então começa a fazer curvas leves, para lá e para cá, à medida que começa a descer. Abrindo a janelinha, é possível perceber a cidade lá embaixo, se aproximando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O avião então costuma continuar fazendo curvas, descendo mais e mais; agora já é possível observar com mais clareza os primeiros morros, as primeiras avenidas, ruas, e os carros passando lá embaixo; chega a ser divertido brincar, tentando, pelas luzes, pelo formato dos morros e prédios, advinhar por quais locais da cidade estamos passando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá estão elas, belas, brilhantes, completas: luzes por todos os lados, em casas, prédios, avenidas, ruas, carros; formando mosaicos, amontoados, formas distintas, mostrando e identificando cada parte da cidade, cada local, cada bairro, cada edifício, cada favela; e com o avião mais baixo, os mosaicos ficam mais claros, permitindo identificar melhor os locais. Mas saber quais são, ah, ainda é um exercício de advinhação...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o momento em que as curvas ficam mais claras, e o avião está tão baixo que só o que se vê é uma determinada parte da cidade; é a sensação clara que estamos descendo. Fim do espetáculo, mas início do retorno à cidade, abençoado, sempre, pelo êxtase luminoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu realmente adoro luzes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-1450768218005063930?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/1450768218005063930/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=1450768218005063930&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/1450768218005063930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/1450768218005063930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/12/as-luzes-da-cidade.html' title='As luzes da cidade'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-5647814996580943454</id><published>2010-10-24T20:44:00.000-07:00</published><updated>2010-10-24T20:45:22.934-07:00</updated><title type='text'>O Bêbado Equilibrista</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Caía a tarde feito um viaduto&lt;br /&gt;E um bêbado trajando luto &lt;br /&gt;Me lembrou Carlitos...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, definitivamente, não era de tarde. E ele não vestia luto, como na música da Elis Regina. Ou será que vestia?&lt;br /&gt;Lembro que ele devia ter 50 anos, usava barba, estava apenas de bermuda e camiseta, e descalço. Uma bermuda velha, esfiapada e curta, cinza. No peito, levava uma camisa amarela, com a inscrição de um congresso espírita. Chegou, assim, entre as ruas Gomes Freire e Inválidos, na Lapa, vindo não se sabe de onde, e indo para não se sabe o rumo.&lt;br /&gt;O andar era torto, e, pela impressão que tive, estava bêbado, mesmo, com dificuldades para ficar em pé. Nunca saberei ao certo; sei que ele vinha catando latas. Uma por uma, ia pegando as latas do chão, e, cada vez que se levantava, tinha que se equilibrar para não cair.&lt;br /&gt;Lembro que ele chegou perto, e já tinha quatro latas, duas em cada mão. Ao ver a quinta no chão, tentou se abaixar para pegar, mas as latas caíram, se espalhando por todos os lados. Com uma paciência de santo, ele se abaixou e começou a catar todas, uma por uma.&lt;br /&gt;Não conseguiu; depois de pegar três, perdeu o equilíbrio, bambeou e quase caiu de cara no chão. A cena provocou risadas em algumas pessoas que passavam; outras olharam com pena; e houve quem desprezasse o esforço do bêbado.&lt;br /&gt;Ele bambeou, mas conseguiu manter a força nas pernas e seguiu de pé, com as latas na mão. Sem ter como segurar a quinta, que havia caído na rua, longe da calçada, se abaixou e mordeu a lata, segurando-a com a boca. Bebendo o conteúdo, seguiu seu caminho, com as quatro latas na mão e uma na boca.&lt;br /&gt;Seria um catador? Um bêbado? Um mendigo?&lt;br /&gt;Quem sabe...não tive a oportunidade de perguntar. Mas, diante da cena que choca, que entristece, que nos faz refletir sobre a condição humana, penso no Bêbado Equilibrista...e penso...&lt;br /&gt;Em nenhum momento ele desistiu. Fosse como fosse, seu empenho era pegar a lata, e conseguiu.&lt;br /&gt;Quantas vezes, na vida, é justamente isso que nos falta? Talvez ainda tenhamos algo a aprender com o Bêbado Equilibrista...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Azar!&lt;br /&gt;A esperança equilibrista &lt;br /&gt;Sabe que o show &lt;br /&gt;De todo artista &lt;br /&gt;Tem que continuar...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Elis Regina, o Bêbado e o Equilibrista&lt;/span&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-5647814996580943454?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/5647814996580943454/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=5647814996580943454&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/5647814996580943454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/5647814996580943454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/10/o-bebado-equilibrista.html' title='O Bêbado Equilibrista'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-279711104120596603</id><published>2010-10-19T12:54:00.000-07:00</published><updated>2010-10-19T12:55:08.551-07:00</updated><title type='text'>O Gigante e eu</title><content type='html'>Ah, Gigante, eu estava com saudades. Olhar, assim, você, de cima, mesmo que vazio, me trás várias lembranças. Várias não...muitas. Inúmeras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro que, quando cheguei aqui hoje, nem tinha me dado conta disso. Mas algo começou a mexer comigo quando vi um rapaz limpando o busto do Mario Filho, na entrada do hall dos elevadores do estádio. Com habilidade, ele esfregava uma flanela no busto, ia e vinha, lustrava bastante, e cada vez o rosto do famoso jornalista que dá nome ao Maracanã parecia mais brilhante. Em um olhar amplo, é uma síntese do que vem ocorrendo do lado de dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida que se sobe nas arquibancadas, é possível ter ideia do tamanho da obra. Lá embaixo, as cadeiras comuns onde me sentei na primeira vez que vim aqui, naquele longínquo 1992, não existem mais. Aos poucos, o espaço ocupado por elas vai sendo destruído por escavadeiras, que trabalham sem parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A parte das arquibancadas segue quase intacta, não fosse pela retirada das cadeiras que formavam esse setor do estádio. Não sei qual é a magia que possui o Gigante, mas, simplesmente de ficar aqui, em pé, com o estádio vazio e em obras, olhando para o campo, quase posso ouvir o barulho da torcida. Quase posso ver as faixas, as bandeiras, os jogadores se movimentando, trocando passes, se aquecendo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase posso ver a bola, rainha do espetáculo, sendo chutada com brilho, com categoria, e balançando as redes, no momento mais mágico do futebol. Um simples momento, mas, que de tão espetacular, é capaz de fazer vinte, trinta, quarenta, cinquenta mil pessoas pularem alto e ao mesmo tempo, gritarem, festejarem, sentirem a felicidade pulsar nas veias, beijar o escudo da camisa, abraçar os amigos, os inimigos e os desconhecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao olhar o Gigante assim, quase posso ver Júnior Baiano, Marcos Assunção, Romário, Petkovic, Edmundo, Felipe, e tantos outros que marcaram minha vida, todos balançando as redes (não tive a honra de ver Zico jogando ao vivo). Caminho mais, ando mais, e vou me lembrando de outros jogos, outros momentos, do meu pai, dos amigos, e dá uma saudade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, dá uma vontade de sair gritando gol, de comemorar, de festejar muito, essa coisa louca que só o Maracanã tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que só poderei voltar para ver um jogo de futebol aqui no fim de 2012, ou quem sabe, só em 2013. Mas tenho certeza que, pelo Maracanã, valerá a pena esperar cada segundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, ao deixar o estádio, me viro para o campo e digo, com saudade e esperança no peito: "Até logo, Gigante!"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-279711104120596603?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/279711104120596603/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=279711104120596603&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/279711104120596603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/279711104120596603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/10/o-gigante-e-eu.html' title='O Gigante e eu'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-4319281430370385490</id><published>2010-10-07T11:36:00.001-07:00</published><updated>2010-12-31T09:27:52.814-08:00</updated><title type='text'>Luís e as janelas</title><content type='html'>O Luís era apaixonado por janelas. Desde pequeno gostava de parar diante dos edifícios e ficar observando o que conseguia. Sua paixão, sua diversão, era ficar tentando adivinhar o que se passava do outro lado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mamãe, olha naquela janela ali...o moço abraçou a moça...e eles estão tirando a roupa, estão deitados..."&lt;br /&gt;"Vamos embora, menino!!!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diziam que era enxerido, metido, que gostava de ficar controlando a vida dos outros, e que precisava arrumar algo melhor pra fazer. Ele nem ligava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Papai, olha aquele gordinho de cueca ali...já é o quinto pedaço de pudim que ele come!"&lt;br /&gt;"Deixa de ser enxerido, menino!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi crescendo, e, já adulto, a brincadeira virou quase um hobby.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Hum...veja...aquele apartamento ali tem uma lâmpada sem lustre. Isso significa que o dono é ou uma pessoa sem dinheiro, ou descuidada, do tipo que tem uma bagunça tão grande que sai tropeçando nas coisas. E veja aquele móvel ali...colocado quase junto da janela. Isso significa que a pessoa não tem espaço no apartamento..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Namoradas, teve várias: todas duraram dez minutos. Mal saía de algum lugar, lá estava o Luís procurando janelas com luzes acesas, ou tentando enxergar por trás do apartamento apagado mesmo, tentando descobrir o que acontecia do outro lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Veja, gata...aquele apartamento apagado ali tem vários caixotes. Devem estar de mudança..."&lt;br /&gt;"Eu pensei...a gente talvez pudesse ir pra algum lugar mais calmo..."&lt;br /&gt;"E olha só, acendeu a luz! Acendeu a luz! E veio correndo! Ali deve ser o banheiro, e ele deve estar apertado! Veja, gata...ei? Gata? Cadê você?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os amigos diziam para ele parar com aquela mania, que já estava passando dos limites. Já tinha quase 30 e continuava estudando janelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Luís, deixa disso, rapaz...vai viver a vida, encontrar uma mulher decente, sair pra se divertir...fica só vendo janela..."&lt;br /&gt;"Mas Arnaldo, você não entende! É mais forte do que eu...é algo tão interessante! E tão divertido..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís tentava, se esforçava para parar com aquilo, mas, mal se distraía e já estava ele de novo estudando janelas. Foi quando aconteceu. Vinha de ônibus e acabara de passar pela Rua Belford Roxo, em Copacabana, quando, observando uma janela, teve um impulso estranho e desceu no ponto seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá em cima, diante da janela, estava uma morena linda, cabelos longos, vestida com uma blusa azul, e uma calça - que ele não pôde identificar, porque estava embaixo e a moça estava debruçada. Fascinado, Luís ficou olhando, olhando, sem vontade alguma de ir embora ou fazer qualquer outra coisa. E teve a impressão de que os olhares se cruzaram mais de uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim ficou até que ela se retirou dali. Decidido, voltou no dia seguinte, no mesmo horário, e encontrou a moça no mesmo lugar. E ficou lá, olhando. E assim foi a semana inteira, o mês inteiro. Todos juravam que ele finalmente havia encontrado alguém e esquecido a bobagem da janela; mas na verdade estava lá, mais firme do que nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o dia em que, ao lado da moça na janela, apareceu um homem. E a beijou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís ficou arrasado. Tão arrasado que foi para casa e chorou três dias seguidos. No trabalho, ninguém entendeu porque ele insistia em usar óculos escuros o tempo inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É que a luz aqui me incomoda..."&lt;br /&gt;"Mas nunca incomodou antes..."&lt;br /&gt;"Ah...descobri ontem que tenho alergia à luz..."&lt;br /&gt;"Alergia à luz? Nunca ouvi falar..."&lt;br /&gt;"É claro que nunca ouviu falar...se é luz, é algo para ser visto..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refeito do problema, jurou que nunca mais ficaria olhando janelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ah, é melhor assim, Luís. Você agora mudou de rumo. Adorei saber disso!"&lt;br /&gt;"Pois é, Arnaldo, nunca mais vou olhar janelas!"&lt;br /&gt;"Isso mesmo!"&lt;br /&gt;"Agora só olho portarias!"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-4319281430370385490?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/4319281430370385490/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=4319281430370385490&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/4319281430370385490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/4319281430370385490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/10/luis-e-as-janelas.html' title='Luís e as janelas'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-4635240313450770553</id><published>2010-09-27T12:16:00.000-07:00</published><updated>2010-09-27T12:22:47.548-07:00</updated><title type='text'>A praia e o tempo</title><content type='html'>Ajoelhado em meio à praia deserta, a primeira lágrima rolou de seu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguida dela vieram várias, a segunda, a terceira e a quarta, até seus olhos ficarem cheios d´água, molhando seu nariz, seus lábios e seu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fungou e suspirou, soluçando alto, enquanto o choro se tornava mais forte, mais convulsivo. Olhando para o céu estrelado daquela bela noite de verão, ele parecia implorar às estrelas por uma solução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que não fosse uma solução, então, já que a perda era irreparável. Que fosse um alívio, um conforto, algo capaz de fazer com que sua dor diminuísse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, enfim, que algo fosse feito. Não podia suportar a dor, a dor incrível da perda, a certeza da separação, e que o inevitável fim havia chegado. E que ocorrera justamente a única coisa para a qual não havia meio nem remédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdas, já sofrera muitas na vida. Superara todas. Mas essa...era diferente. Dessa vez, não havia nada que pudesse fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando sentiu uma mão em seu ombro. Um toque macio, delicado, diferente, que deu um aperto muito leve, mas suficientemente confortável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Acredite, eu sei e compreendo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz era leve e macia. Olhando para trás, ele vislumbrou a bela mulher diante de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sei exatamente. Já passei pela mesma situação que você, inclusive mais vezes."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mais de uma? Como seria possível suportar?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Suportando. Entendendo. Compreendendo os valores, os princípios. E mais do que isso, com a ajuda do melhor e mais cruel amigo dessas horas..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Que amigo?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O tempo. Ele fará não com que você esqueça, mas sim, com que você possa aceitar a situação. Que comece a ver as coisas de outra forma."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não entendo..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não é para entender, amigo. É algo para se pensar. Eu poderia lhe dizer, mas você, do jeito que está, não compreenderia. Para entender, é preciso equilíbrio. E nesse momento, isso é certamente o que você não tem. Está machucado, ferido, cansado. Tudo perfeitamente compreensível. Quando o equilíbrio voltar, você certamente poderá compreender melhor o que eu lhe digo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele olhava a mulher, sem entender muito bem. Se sentindo melhor, enxugou as lágrimas do rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Que coisa, estou me sentindo em um conto espírita."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pode ser. Se você sente assim...então, que seja. Agora vamos, levante-se. De pé."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele hesitou, mas obedeceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Muito bem. Confiança. Esse é outro valor importante. Vamos, andemos pela praia. Tenho muito a lhe dizer. E você tem muito a ouvir..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Dizer e ouvir...não é a mesma coisa?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Certamente não. Vamos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá foram os dois, caminhando pela praia deserta, com o barulho do mar ao fundo, e observados pelo belo céu estrelado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-4635240313450770553?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/4635240313450770553/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=4635240313450770553&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/4635240313450770553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/4635240313450770553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/09/praia-e-o-tempo.html' title='A praia e o tempo'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-207503551719621869</id><published>2010-09-09T13:41:00.000-07:00</published><updated>2010-09-09T15:04:30.421-07:00</updated><title type='text'>A Cidade do Sono</title><content type='html'>Se eu pudesse, dormiria agora, nesse instante, nesse momento, e viajaria até a Cidade do Sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem nunca foi não tem ideia de como é. Em uma definição bastante simples, não é um lugar nem bom, nem ruim...apenas calmo. Tranquilo. Sereno. Silencioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Cidade do Sono é o mesmo Rio de Janeiro das praias, os trens, dos bares, dos subúrbios, do samba, dos arcos da Lapa; a diferença é que, por lá, não há gente circulando. Por mais que você ande, não há vivaalma nas ruas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada, ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem carros, nem ônibus, nem caminhões, nada. Apenas os prédios, as casas, as ruas, tudo, como numa grande cidade fantasma. Da mais pura e rara beleza, como só o Rio consegue ser...mas sem ninguém. Sem gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por lá, posso fazer o que mais gosto: andar e falar, mexer a boca, quem sabe, ao mesmo tempo, ouvir música. Sem olhares de reprovação, sem desprezo, sem gente que tenta me ver e entender o que estou fazendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso andar por todos os lugares, explorar e descobrir cada canto, cada pedaço, cada lugar; ouvir o silêncio mais puro e mais profundo, que às vezes soa ensurdecedor; mas, aí, basta gritar, falar alguma coisa, e quebra-se essa mágica. Sem réplica, sem resposta, sem ser internado como se fosse louco por gritar no meio da rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se pudesse, iria até a Cidade do Sono e caminharia em um belo fim de tarde, com o sol começando a baixar, tomando um mate - sim, há mate na Cidade do Sono, não me perguntem como. Caminharia pelos Arcos da Lapa, me sentaria na grama ali perto, e ficaria olhando o horizonte. Assim, sem hora e sem trabalho - que também não existem por lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, iria caminhando devagar até a praia, enquanto a noite cai. E me sentaria por lá, na areia, bebendo uma água de coco, ficaria olhando e ouvindo o mar bater na praia, nas pedras, fazendo aquele barulho que só ele sabe. Só eu, sozinho, solto, sem ninguém, nada, sem horário, sem preocupação - que também não existe por lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quem sabe, dormiria ali mesmo, relaxado e tranquilo. Quando acordasse, iria em busca de uma televisão e passaria horas assistindo. Quem sabe, de uma forma diferente...não sei...levaria a TV para o meio da Avenida Presidente Vargas e começaria a assistí-la ali mesmo, completamente nu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soou engraçado? É sério. Fico me imaginando dessa forma, sentado no meio da avenida, vendo televisão, sem nada, sem ninguém, sem gente, apenas eu e a cidade, na forma da relação mais pura, sem crise, sem dor, sem problema. Rindo dos meus programas favoritos, e sem jamais lembrar que algum dia sofri, ou que algo não deu certo, ou que alguma coisa não saiu exatamente como eu esperava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, se me cansasse disso, sentisse falta das pessoas, do mundo verdadeiro, dos problemas que não tenho...bastaria desejar, e estaria de volta à Cidade Real. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mágico é justamente saber fazer a viagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-207503551719621869?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/207503551719621869/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=207503551719621869&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/207503551719621869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/207503551719621869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/09/cidade-do-sono.html' title='A Cidade do Sono'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-3880236217128820277</id><published>2010-08-31T17:13:00.000-07:00</published><updated>2010-08-31T17:14:20.832-07:00</updated><title type='text'>O sábado</title><content type='html'>O sábado é algo tão único, tão especial, que é difícil achar um jeito original para falar dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe manhã melhor do que a de sábado? Mesmo que você acorde à tarde, de ressaca, não existe manhã melhor que a de sábado - nem que seja para ser gasta dormindo. E se você acorda cedo, não existe manhã melhor para fazer exercício, ler o jornal, tomar aquele café, ou simplesmente não fazer nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, o café de sábado também não tem igual. Com o radinho do lado então...coisa de louco. Até o gosto do pão fica melhor, mais puro. E a sensação de poder continuar sentado na mesa do café depois que acaba, sem preocupação com a hora...coisas que só o sábado proporciona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe sensação melhor do que deitar na cama, sábado de manhã ou à tarde, e colocar os pés para cima? Poucas, eu diria. E, para quem gosta de exercício, também não existe manhã melhor que a de sábado. Ou tarde. Ou noite. É um dia perfeito por si só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns dirão...mas...ah, e se chove? Pois não. E aquela sensação de ficar deitado embaixo do edredom, com a chuva batendo na janela, algo quente para beber, assistindo um filme velho e repetido na TV? Existe dia melhor para fazer isso do que sábado? E existe tarde melhor para ficar deitado, lendo um bom livro, sem preocupação com hora, tempo ou coisa qualquer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso porque ainda não falei da noite de sábado. O dia de "todas as baladas", o dia onde surgem pessoas que nunca ninguém imaginou conhecer. O dia onde as pessoas se multiplicam na mesma proporção em que bares e vagas de carro parecem desaparecer. E que, de alguma forma, lembra a cena dos copos de cerveja em cima da mesa, das luzes de neon e a música da pista, do lanche às seis da manhã antes da volta para casa, com as primeiras luzes do domingo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sábado, o dia que lembra música, festa, agito. O dia que, por si só, já seria perfeito se fosse apenas a noite. Mas que, ainda bem, é muito mais do que isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E viva o sábado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-3880236217128820277?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/3880236217128820277/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=3880236217128820277&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/3880236217128820277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/3880236217128820277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/08/o-sabado.html' title='O sábado'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-8584151584988705361</id><published>2010-08-13T14:39:00.000-07:00</published><updated>2010-08-13T14:42:05.058-07:00</updated><title type='text'>De casa para o trabalho</title><content type='html'>O barulho do motor da escova de dentes é sempre o último. Assim que ele termina, já sei: está na hora de sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, não é uma questão de "saber": é uma questão de hábito. Hábito que começa com banho, vestir a roupa, pentear os cabelos, e por fim, escovar os dentes. E, claro, sair de casa para pegar o 110 e ir trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A caminhada diária até o ponto não dura mais que dez minutos: coisa de atravessar três ruas e caminhar uns dez metros. O tempo de espera é absolutamente variável: pode levar entre cinco minutos e meia hora. Isso, quando não saio correndo atrás do ônibus, atravessando a rua esbaforido, tentando alcançá-lo enquanto ele ainda está parado no ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa corrida tem dois efeitos interessantes: quando consigo pegar o ônibus assim, o alívio é enorme, e a sensação de sair logo do ponto é ótima. Mas, se ele vai embora antes que eu possa alcançá-lo, fica a frustração. Não dele ter ido embora, mas do fato de saber que o próximo costuma demorar um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A espera no ponto é outro capítulo à parte. Como o 110 é muito parecido com outro ônibus, o 460 - ambos são amarelos por fora - nunca sei qual deles está chegando no ponto, só quando se aproximam bastante. E como há mais 460 do que 110, é comum que eu passe um tempinho no ponto reclamando e dizendo para mim mesmo: "Mas nossa, quanto 460! De novo ele? Cadê esse 110 que não chega?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá se vão quase cinco anos nessa rotina, com direito às mesmas frases todos os dias. E pensar que, em breve, tudo isso deve mudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomado o ônibus, é hora de ir trabalhar. Seguir pelo pouco que ainda resta do Leblon e entrar na Lagoa. Primeiro, em uma parte onde ainda não é possível ver o espelho d´água que dá nome ao bairro, e que inclui o Clube do Flamengo, uma academia de ginástica, o Parque dos Patins, o Clube Piraquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, por fim, aos poucos e reluzente, surge a Lagoa. De uma beleza sempre ímpar (ou seria "par"?), é bonito em dia de chuva, em dia de sol, em outono, verão, inverno, enfim, seja como for. Por quase vinte minutos (um pouco mais ou menos, dependendo do trânsito), fica ele ali, à direita do ônibus, dando um pouco de beleza a mais um dia como outro qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rotina. Ou não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois vem o Túnel Rebouças, o Rio Comprido, e a virada na Rua Haddock Lobo para ir ao Estácio. Engraçado...esse lugar me lembra &lt;a href="http://patthos.blogspot.com/2004/10/433-o-nibus-mais-esquisito-do-mundo.html"&gt;alguma coisa&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ônibus então segue pelo Estácio, cruza a Rua Salvador de Sá, o Sambódromo, e o túnel Martim de Sá, rumo à Rua Henrique Valadares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim do caminho e início de mais um dia de trabalho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-8584151584988705361?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/8584151584988705361/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=8584151584988705361&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/8584151584988705361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/8584151584988705361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/08/de-casa-para-o-trabalho.html' title='De casa para o trabalho'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-6923968036110114133</id><published>2010-08-05T10:31:00.000-07:00</published><updated>2010-08-05T10:32:20.441-07:00</updated><title type='text'>O professor</title><content type='html'>Hoje eu o vi pela segunda vez. Sim, não há dúvida: era ele, "o professor". O conheci já faz um tempo - não faz tanto tempo assim, mas, para mim, parece ter sido há séculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, hoje eu vi o professor pela segunda vez, na mesma rua e no mesmo horário da semana passada, caminhando na mesma direção de sempre - eu indo, ele vindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu andar continua diferente de qualquer outro que eu já vi. É um andar lento, arqueado, pausado, e de uma simplicidade ímpar. E ele caminha com tal olhar fixo no horizonte que parece não se abalar com nada. Às vezes tenho a impressão de que, se um trem passasse diante de seus olhos, ele parararia com o mesmo olhar fixo, esperaria pacientemente a locomotiva passar, e retomaria seu andar calmo como se nada tivesse acontecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É visível que o mestre está mais velho do que naquela época. Seu rosto ganhou mais rugas, os cabelos parecem estar mais escassos, e com mais fios brancos do que cinzas; e o cavanhaque em forma de seta continua contrastando com a barba, que segue malfeita como sempre foi. Às vezes me pergunto se ele já fez a barba algum dia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suas roupas continuam chamando a minha atenção: ele anda com uma camisa aberta no peito, um casaco grosso...e bermuda e tênis. Nunca sei se o professor está com frio, com calor, ou um pouco de cada um. Ou se sai de casa com roupa de frio e de calor e escolhe na rua o que vai vestir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma, seguem seus livros embaixo do braço direito, sempre parecendo mal seguros, como se a qualquer momento fossem se espalhar pelo chão. Mas não: todas as vezes em que o encontrei, ele sempre está com os livros bem firmes, e pelo pouco que pude acompanhar, nunca caíram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro que o professor tinha algumas manias estranhas, e ao mesmo tempo, invejáveis. Uma delas era não ter televisão em casa, e mais do que isso, não assistir televisão. Adoro TV e fico imaginando como alguém consegue viver sem ela, apenas entre livros, papéis de estudo e anotações. Não sei se ele tem computador com internet, mas desconfio que não. É algo fascinante e muito estranho. Como alguém consegue viver apenas lendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra mania era sair muito cedo para dar suas aulas. Se a aula era às dez, lá estava ele às oito e meia perto da casa do aluno. Lembro que encontrei com ele uma vez, e o cumprimentei. Conversamos um pouco, e eu disse: "Já vai?". E ele, apontando para uma galeria próxima: "Não, vou entrar aqui e ler um pouco, até a aula das três horas...". Olhei no relógio e eram meio-dia, mas achei melhor não dizer nada: me despedi dele e segui meu caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, mais uma vez, tive o ímpeto de cumprimentá-lo, mas novamente travei. Sempre penso que ele não vai se lembrar de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-6923968036110114133?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/6923968036110114133/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=6923968036110114133&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/6923968036110114133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/6923968036110114133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/08/o-professor.html' title='O professor'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-8104067500937216045</id><published>2010-07-27T19:10:00.000-07:00</published><updated>2010-07-27T19:18:17.724-07:00</updated><title type='text'>Como se fosse hoje...</title><content type='html'>Eu lembro como se fosse hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro do dia de folga no meio da semana, um belo dia de folga, com sol tímido no céu e praia...quase vazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro da ida à Copacabana, de manhã, ao som da desconhecida Goldfinger.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Still counting the days I´ve been without you...&lt;br /&gt;Still counting the days that you´ve gone…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me lembro como se fosse hoje daquele banho demorado, depois da volta de Copacabana, banho que relaxa e deixa pronto para outra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se fosse hoje, eu lembro da saída de casa, do ônibus até a Gávea e do almoço, sempre rápido, sempre limitado, mas bom demais, bom como poucos, onde a conversa flui ainda melhor na hora do cafezinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro também do tempo fechado depois do almoço, das primeiras nuvens no céu, e do ônibus até o Humaitá, ao som de Gaslight Anthem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;And this was the sound&lt;br /&gt;Of the very last gang in town...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro da chuva começando a cair, ainda leve, tímida, molhando os vidros do ônibus, as pessoas, as ruas, as casas. E, na hora de descer, lembro da chuva, já mais fraca do que antes, lambendo de leve, gota por gota, as lentes dos óculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro da caminhada firme, determinada, ladeira acima, com a sensação de que as férias chegam ao fim, mas muita coisa melhor ainda está por vir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, sim, eu lembro. Lembro que tive vontade de ligar para dois amigos e me surpreendi mais comigo do que com o que eles disseram, simplesmente porque não esperava ligar, e não esperava ouvir o que ouvi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se fosse hoje, lembro da boa conversa a caminho do cinema, e a um amigo que vinha na direção contrária, que não estava no script, mas que aceitou o convite para se juntar a outros dois. E lembro também que um desses amigos foi entregar o ingresso ao rapaz errado, não o da porta da sala do filme, mas o da entrada do cinema...e, como se fosse hoje, lembro da cena arrancando risadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro também do meu cochilo em uma cena do filme, e das piadas com atores famosos que apareceram na tela. E não esqueço de um amigo que tentou subir pela escada rolante que desce, e provocou uma cena mais do que engraçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda como se tivesse sido hoje, lembro da boa comida japonesa e da certeza de que o dia tinha sido espetacular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, sim, eu lembro de tudo isso como se fosse hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simplesmente porque foi hoje.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-8104067500937216045?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/8104067500937216045/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=8104067500937216045&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/8104067500937216045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/8104067500937216045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/07/como-se-fosse-hoje.html' title='Como se fosse hoje...'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-8810423051052749173</id><published>2010-07-22T11:59:00.001-07:00</published><updated>2010-07-22T12:03:00.617-07:00</updated><title type='text'>A busca</title><content type='html'>Por um instante, achei que tivesse encontrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, foi mais do que um instante. Foram vários. Lá estava, firme e forte. Exatamente como o imaginado. Do jeito que já se sabia que era. Assim, puro e simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O momento era aquele. Conhecer, conviver, ver, sentir, e quem sabe, procurar entender. Mas, mas do que isso, aceitar. A parte mais fácil, e, talvez, a mais difícil. Parte que exige tempo, paciência, calma, tranquilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo sempre existe, a gente arruma. Mas paciência, calma e tranquilidade faltaram. E, no instante seguinte, quando olhei para o lado, já não estava mais lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para onde teria ido? Fugiu, sumiu ou simplesmente se foi? Não sei, ninguém sabe. É o tipo de coisa que não adianta sair perguntando por aí. É o tipo de coisa que cada um encontra por si. E, quando perde, precisa procurar sozinho até encontrar de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hora de recomeçar a busca. Busca incessante, que talvez não termine nunca. Mas que talvez sejam a causa e a razão de tudo em si mesmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe aquela história de que são as perguntas que movem o mundo, em vez das respostas? É, pois é...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, como naquele outro texto, saio por aí, quase como louco, buscando, procurando, observando, quem sabe, talvez na procura que não acabe nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez naquela que termine quando eu menos esperar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, &lt;strong&gt;eu&lt;/strong&gt; devo estar por aí, bem mais próximo do que eu mesmo imagino...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-8810423051052749173?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/8810423051052749173/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=8810423051052749173&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/8810423051052749173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/8810423051052749173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/07/busca.html' title='A busca'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-9071655943633273912</id><published>2010-06-12T19:55:00.001-07:00</published><updated>2010-06-12T19:58:31.396-07:00</updated><title type='text'>Volta...</title><content type='html'>Onde ela está?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já devo ter olhado a janela duas vezes. Ou teriam sido cinco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nada dela chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz calor, hoje está um dia bonito, de céu azul e muito sol. Estou suando com todo esse calor, mas não, me limito a enxugar o rosto, caminhar para lá e para cá, e voltar à janela. Olho lá para fora, mas só vejo o dia lindo. Nada...nada...nem sinal dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes a paisagem me distrai, com alguma coisa que chama a atenção. Veja agora...duas crianças brincando. Devem estar indo à praia. Estão com brinquedos de praia, aquele clássico baldinho, com uma pá. Uma delas está de óculos escuros. E vão brincando como se estivessem indo à praia. Com direito ao tradicional adulto sem paciência, que vai andando na frente, volta e meia olha para trás, balança a cabeça e suspira, pensando que talvez as crianças não dêem tanto trabalho assim. Só talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras cenas me distraem. Uma velhinha, um senhor que passa lendo o jornal, um carro mais bonito. Às vezes me pego perdido em pensamentos, e fico me perguntando porque espero tanto tempo por ela. Poderia me distrair, fazer outra coisa, dar um tempo. Sei que, mais cedo ou mais tarde, ela volta. Pode ser assim, de surpresa, ou quem sabe dê um aviso. Um sinal. Aí vai ficar mais fácil de saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que ilusão a minha. Realmente devo gostar de me enganar. É claro que ela não dará sinal. Muito menos agora. Se voltar, vai ser assim, rápida, de repente, me pegando de surpresa. Às vezes fico imaginando que ela está logo ali, me olhando na janela e rindo de mim, apenas esperando que eu me distraia. E aí...ela volta. Chega e diz logo a que veio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como ela faz falta, sabe? Eu diria que é difícil viver sem ela. Sinto falta daquele ar diferente que ela traz, aquele gosto de saudade, de ficar pensando nos dias cinzas e nos tempos que já se foram. E lembrar de como eu gosto de dias cinzas. Mas sem ela não tem a mesma graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser até que ela não volte tão intensa, tão forte, mas, se chegar, se voltar, se aparecer, já estaria ótimo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Principalmente porque está um calor danado. Onde está essa droga dessa chuva, que há quase um mês não dá as caras?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-9071655943633273912?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/9071655943633273912/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=9071655943633273912&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/9071655943633273912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/9071655943633273912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/06/onde-ela-esta-ja-devo-ter-olhado-janela.html' title='Volta...'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-2426670541065134631</id><published>2010-06-10T14:16:00.001-07:00</published><updated>2010-06-10T14:18:13.180-07:00</updated><title type='text'>Lembranças de 98</title><content type='html'>Eu jamais vou esquecer o dia 12 de julho de 1998.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela era a minha Copa do Mundo. Estava com 12 anos, vi todos os jogos, acompanhei as partidas, fiz tabela, usei camisa, torci como louco. Depois de cada vitória do Brasil, pegava uma bola e ia jogar no quarto, imitando os gols, as jogadas, as pedaladas de Cafu, Roberto Carlos, Ronaldo, Rivaldo, as defesas do Taffarel e os gols de cabeça do Júnior Baiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu lembro que, naquele dia, pouco antes de França e Brasil decidirem a Copa do Mundo, choveu horrores. Um temporal mesmo. Disse à minha mãe: "É para lavar a alma do brasileiro". Estava certo, embora até hoje não saiba de onde tirei aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As primeiras notícias chegaram de tarde. Ronaldo está fora, Ronaldo não joga, Edmundo é o substituto. Em campo, lá estava Ronaldo. Não entendi nada. Mas o que mais queria era torcer, vibrar, comemorar mais um título da Seleção. Quatro anos antes, em 94, vi o Brasil ser campeão...mas, com oito anos, não entendia direito a dimensão daquilo. Gostava de futebol em 94, mas não como gostava em 98.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Empolgado pela incrível semifinal contra a Holanda, esperava o penta do Brasil. O juiz apitou e a bola rolou no Stade de France.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atônito, via a Seleção perder gols atrás de gols, errar passes. Algo não estava bem. E logo veio o castigo, com os dois gols de Zidane. Olhava a televisão abobado, sem entender. Eu e o Brasil inteiro. Posso jurar que Galvão Bueno mal conseguia narrar o jogo. Ele próprio parecia tenso, preocupado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim, o gol de Petit selou a vitória e o título da França. 3 a 0. Incontestável, o placar falava por si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inexplicável. Lembro que fiquei sem reação. Com raiva. Chorei. Escrevi furiosamente o nome da França na tabela da Copa e atirei a tabela longe. A Copa de 98, minha Copa, estava perdida. Atirei longe a camisa da Seleção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A derrota trouxe as perguntas sobre o que realmente acontecera com Ronaldo. O mistério de sua convulsão, de seu corte, e depois, o fato de ter sido escalado em cima da hora, pouco antes da partida. A hipótese de que o Brasil vendera a Copa para ganhar a de 2002 (como de fato ganhou). O clima estranho entre os jogadores no gramado, como, me disseram depois, acontece em um grupo quando há uma convulsão. O chute de Roberto Carlos na bandeirinha de escanteio, no primeiro gol de Zidane, que mostrava o estado emocional da Seleção naquele dia fatídico. Zagallo irritado e transtornado ao ter de responder porque escalara Ronaldo. E muitos outros detalhes que transformaram aquela derrota no maior mistério da história do futebol brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu poderia falar aqui sobre minha teoria do que aconteceu naquele dia (sim, eu tenho uma, que acredito ser a que mais se aproxima da verdade). Poderia comentar o episódio, fazer um relato jornalístico, citar fontes e informações, frases, enfim. Mas deixo isso para quem quiser saber. Ou para o livro que um dia vou escrever sobre a Copa de 98.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não quero falar de teorias. O fato é que, com a Copa de 98, eu aprendi a ver o Brasil perder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem foi campeão em 94, ganhar a Copa seguinte seria a apoteose. O êxtase. O máximo do máximo. E acreditar realmente que a camisa amarela não só é forte, como é imbatível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isso, meus amigos, desculpem, não é futebol. Futebol é justamente o contrário. É saber que você ganha hoje e perde amanhã. Assim como ganhei em 94, perdi em 98, ganhei em 2002 e perdi de novo em 2006. Futebol é saber que, às vezes, a bola não entra, o time não está inspirado, ou um fator psicológico põe tudo a perder. Foi assim em 98, foi assim em 2006.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De alguma forma, o título de 2002 e a derrota na Alemanha, de novo para a França, já não foram encaradas com a mesma euforia, nem com a mesma tristeza das duas copas anteriores. Foram simplesmente as vitórias e derrotas que cabiam a cada um, pelos feitos dentro e fora de campo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamais vou engolir o mistério que envolveu Ronaldo, as circunstâncias misteriosas e tudo aquilo que cerca o episódio, e nem a tristeza que senti. Mas uma coisa não posso negar: independente dos motivos, dentro de campo a França jogou muito melhor naquele 12 de julho, e mereceu o título.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isso, meus amigos, é futebol.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-2426670541065134631?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/2426670541065134631/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=2426670541065134631&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/2426670541065134631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/2426670541065134631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/06/lembrancas-de-98.html' title='Lembranças de 98'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-1408781328799184249</id><published>2010-04-28T17:20:00.001-07:00</published><updated>2010-04-28T17:20:32.965-07:00</updated><title type='text'>Dia estranho</title><content type='html'>Esse é um daqueles dias...estranhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqueles em que pode fazer o maior sol, dar a maior praia, o céu brilhar em azul, e ao lado de tudo, isso, você estar de folga...mas, mesmo assim, nada fará diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia em que alguém conta uma piada que todo mundo ri, mas você não acha a menor graça. E, do nada, você ri de alguma coisa absurda que não tem a menor graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um daqueles dias em que alguém faz uma crítica boba, e você jura que foi a pior coisa que um ser humano poderia ter dito a outro. E fica com o comentário bobo martelando na cabeça...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia em que se leva a sério demais o que não tem valor, e pouco o que realmente vale alguma coisa. Dia onde você sai de casa de camisa de meia manga debaixo de um vento frio e chuva fina. Ou sai de bermuda e chinelo diante de uma chuva de granizo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um momento em que o tempo não passa, por mais que se faça, e tudo parece conspirar contra. Mas, de repente, quando o tempo precisa passar devagar, ele começa a correr, correr...e quando se vê, já vai longe (e tarde).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia em que se tenta escrever um texto, mas se tem a sensação de que ele está mais vazio do que cheio...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-1408781328799184249?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/1408781328799184249/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=1408781328799184249&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/1408781328799184249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/1408781328799184249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/04/dia-estranho.html' title='Dia estranho'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-840119875923709990</id><published>2010-04-15T12:11:00.002-07:00</published><updated>2010-04-15T12:13:55.451-07:00</updated><title type='text'>Mais uma madrugada</title><content type='html'>O vento frio da madrugada soprou mais forte. Apertei o passo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhando rápido, procurava sair da zona de penumbra e chegar a uma área mais iluminada. O silêncio e a escuridão, sempre tão reconfortantes, me incomodavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passava da meia-noite quando cheguei à esquina. Um pouco de luz, enfim. Virando à direita, retomei a caminhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela rua, nada. Às vezes um carro. Silêncio e tranquilidade absolutos. Um cenário de paz? Nem tanto. Por dentro, algo me consumia, me martelava. Uma sensação estranha, uma mistura de alívio e cobrança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem querer pensar em mais nada, liguei o MP3. Coldplay.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;How long before you decide,&lt;br /&gt;Before I know what it feels like,&lt;br /&gt;Where to, where do I go,&lt;br /&gt;If you never try, then you'll never know.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E seguia caminhando, escutando a música. Olhando para o alto, respirei fundo, e como que acompanhando a letra, vi os planetas que se movem na velocidade da luz. Bem diferente de mim. Tentei apertar o passado, ou o passo, quem sabe, e não consegui. Algo me impedia. Como se eu simplesmente não quisesse voltar, não quisesse chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixava algo para trás, embora não soubesse exatamente o que. Ou sabia, mas não fazia nenhuma diferença. De novo. Outra vez. Eu não havia conseguido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo conspirava a favor, ajudava. Inclusive o tempo, que em alguns momentos parecia parar. Oportunidades não faltavam. Chances havia aos montes. E enquanto cruzava com um casal, que brincava com uma criança na calçada, seguia caminhando. Logo, uma grande avenida para atravessar. Mesmo a essa hora, aqui o movimento é intenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tantos momentos bons e...nada. Nada. Nem sequer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me restava? Uma paz falsa, artificial. Uma falsa tranquilidade. E a sensação de fracasso, de fraqueza, de que não, mais uma vez eu não fora capaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, virando à direita, a escola. Ah, a escola. Bom? Não a essa hora. Não há mais mate. Nem aula. Nem professores. Só amanhã de manhã. A terrível sensação de que as coisas são sempre melhor do jeito que são. Como eu destesto essa sensação. Parece um alento a tudo aquilo que não deu certo. Ei, será que alguém pode abrir a escola? Mais fácil ficar por aqui do que ir e voltar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palácio da Justiça, a praça. Tudo deserto a essa hora. Uma ou outra pessoa. E só eu. E Coldplay.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;All that noise, and all that sound,&lt;br /&gt;All those places I got found.&lt;br /&gt;And birds go flying at the speed of sound,&lt;br /&gt;to show you how it all began.&lt;br /&gt;Birds came flying from the underground,&lt;br /&gt;if you could see it then you'd understand.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relógio, o relógio que tantas vezes me mostrou que eu estava na hora. Agora não faz diferença, não tenho hora. Posso andar tranquilo pela rua deserta. Ah, como às vezes tenho vontade de voltar...e ir lá e dizer tudo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, deixa pra lá. Agora é tarde demais. Tarde demais, mesmo, já são quase meia-noite e meia, como eu andei. Como eu andei. A avenida a essa hora é deserta, só eu, Coldplay e o vento frio da madrugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andar sozinho por aqui já é rotina, deve ser a terceira ou quarta noite seguida fazendo isso. Seria ótimo...se não fosse...se eu tivesse...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me socorre, sono, me ajuda, sem você não vou conseguir...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-840119875923709990?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/840119875923709990/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=840119875923709990&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/840119875923709990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/840119875923709990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/04/mais-uma-madrugada.html' title='Mais uma madrugada'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-6694319103642801864</id><published>2010-04-09T13:37:00.000-07:00</published><updated>2010-04-09T13:39:02.299-07:00</updated><title type='text'>Ni Fu, Ni Fa</title><content type='html'>Tenho escutado bastante o grupo de rock espanhol Ska-P, que como o nome já diz, é uma banda basicamente de Ska Punk, com algumas vertentes mais "rock clássico tradicional não-gritado". Criticado por se dizer anarquista e anti-capitalista e ao mesmo tempo ter contrato com uma afiliada da Sony/BMG, o grupo canta letras duras, criticas, que possuem uma ideia de "destruir a sociedade atual" e fazer uma espécie de "revolução".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Independente da polêmica, são boas letras, algumas, para fazer pensar. Essa aí embaixo chama Ni Fu Ni Fa (algo como "não fede nem cheira"), e contém algumas ideias interessantes para se pensar em um ano de campanha eleitoral. A tradução/adaptação foi feita por...mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Toca o sinal, está tudo preparado, os trabalhos vão começar&lt;br /&gt;Já se pode respirar a campanha eleitoral&lt;br /&gt;Mais cartazes, televisão e rádio contaminam a cidade&lt;br /&gt;Com sua simpatia querem nos enrolar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais debates chatos sem credibilidade&lt;br /&gt;Por trás dessa cara angelical se esconde algo mais&lt;br /&gt;Depois de votar, tudo terminado, você não interessa mais&lt;br /&gt;Seus olhos não brilham mais - até a próxima, cara!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ni Fu Ni Fa&lt;br /&gt;A democracia vira uma bobagem&lt;br /&gt;Você só pode escolher sem opções&lt;br /&gt;Se não está com os grandes, eles vão te esmagar&lt;br /&gt;Toma voto inútil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada quatro anos te dão a oportunidade&lt;br /&gt;De votar em branco ou negro, não se pode escolher mais&lt;br /&gt;Submisso como um peru de Natal esperando o dia seguinte, estou&lt;br /&gt;Aguardando o milagre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum de vocês pode me representar&lt;br /&gt;Me dêem democracia em que eu possa participar&lt;br /&gt;Nos enganam com uma bobagem, essa quimera da liberdade&lt;br /&gt;É tudo besteira!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A roleta gira e gira...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ni Fu Ni Fa&lt;br /&gt;A democracia vira uma bobagem&lt;br /&gt;Você só pode escolher sem opções&lt;br /&gt;Se não está com os grandes, eles vão te esmagar&lt;br /&gt;Para mim o voto útil, ni fu ni fa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ni fu ni fa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preparados para jogar&lt;br /&gt;A roleta vai começar&lt;br /&gt;Venham, joguem e percam, já não vão mais!&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-6694319103642801864?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/6694319103642801864/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=6694319103642801864&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/6694319103642801864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/6694319103642801864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/04/ni-fu-ni-fa.html' title='Ni Fu, Ni Fa'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-956622974895694772</id><published>2010-04-06T17:24:00.001-07:00</published><updated>2010-04-06T17:24:37.692-07:00</updated><title type='text'>Imagens de Córdoba</title><content type='html'>A Canãda em pleno crepúsculo. O sol por trás dos prédios na Avenida Velez Sarsfield às 8h30 da manhã. O vai-e-vem de gente na Praça San Martin. O movimento louco nas ruas só de pedestres. As meninas indo e vindo no Paseo Buen Pastor até quatro da manhã. O sorvete do Grido. As empanadas e os lomitos (sanduíche de filé, em português). A Igreja dos Capuchinhos. A beleza e a simpatia das cidades do interior. Os belos locais por onde a aventura é mais que um convite, é obrigação. As viagens em que se sai às oito da manhã e sabe-se lá que horas volta. O sanduíche do Subway. O “kiosco” onde se compra de tudo e que está por toda parte. A Velez Sarsfield de madrugada. As primeiras luzes da cidade ao anoitecer...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-956622974895694772?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/956622974895694772/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=956622974895694772&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/956622974895694772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/956622974895694772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/04/imagens-de-cordoba.html' title='Imagens de Córdoba'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-4954698730421993021</id><published>2010-03-30T18:51:00.001-07:00</published><updated>2010-03-30T18:51:34.226-07:00</updated><title type='text'>As crônicas de Córdoba - II</title><content type='html'>Sao oito da noite. Caminhamos praticamente em silêncio, em direçao a rodoviária, depois de um dia em que andamos muito e falamos o tempo inteiro. Às vezes, um ou outro comentário, uma risada, uma piada. De repente, olhamos para trás...e...lá está, mais um cachorro nos seguindo. Rimos de quase gargalhar. O destino às vezes é engraçado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo começou bem antes, as cinco da manha, quando acordei com o despertador tocando. Sabia que seria o início de um dia longo e cansativo...ou talvez, de um dia muito, muito bom. Um dia realmente de férias, como eu merecia há tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira missao foi arrumar a mochila. Um casaco, uma calça, mp3, livros...quando olho, parece que estou levando uma mala. Tudo conferido: dinheiro, documentos, cartoes...vamos, entao.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol nem nasceu ainda, e o vento frio da madrugada sopra firme pela rua quase deserta. Meus passos sao firmes, rápidos. Acostumado a andar de madrugada no Brasil, passei a ficar sempre alerta para tudo e qualquer coisa. Mesmo que digam que aqui posso andar tranquilo, seja a hora que for...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui o primeiro a chegar ao terminal de ônibus. A dúvida. Nao há mais ninguém. Em um canto, um cachorro dorme. Pronto, agora sim. Estamos todos aqui. Mochilas nas costas, passagem na mao, esperamos o ônibus enquanto os primeiros raios de sol clareavam. No instante em que Córdoba acordava, subíamos os degraus do coletivo e partíamos rumo à aventura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de ouvir música e dormir um pouco, o resto do caminho foi todo de conversa. Caramba, quanto assunto. E quanto mais se fala, mais se tem a dizer, a comentar, a conversar. Tópicos brotam, assim, como um atrás do outro. E a conversa só para no terminal de önibus, quando chegamos ao nosso destino, e é preciso usar o banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Banheiro usado, mochila nas costas, dia começando, seguimos rumo à oficina de turismo da simpática Mina Clavero, interiorr da Argentina. E tome conversa. Mas agora paramos por um instante. Vamos ver o mapa, saber onde vamos, o que vamos fazer. O tempo é curto e a vontade de conhecer tudo é grande. Temos que escolher. Ficamos com a opçao que pareceu mais razoável: ir até um povoado, depois visitar um museu, e por fim, um balneário. Sabem...águas, nadar...enfim, um ótimo programa para um dia ensolarado, mesmo que hoje ele esteja nublado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegamos o ônibus até o povoado e começamos a andar rumo ao museu, que fica no caminho do balneário. Mas logo pedimos informaçao e descobrimos que aquele nao é o caminho. Entao voltamos, seguimos mais algumas quadras, e por fim, tomamos o caminho certo. ¨É melhor irem de táxi, é longe, senao, vocês terao de voltar de ambulância¨, disse um transeunte. Nao, obrigado, vamos a pé. Afinal, se nao for assim, onde está a aventura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tome caminho. E tome chao. E nada do museu aparecer. E tome conversa. Haja assunto. Mas o dia parece inspirado, ninguém quer se calar e todos parecem estar morrendo de vontade de conversar. E tome chao. E nada de museu. Quem foi que disse que o museu ficava a cinco quilômetros? Já devemos ter andado uns sete, e nada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, uma cabeça de cachorro surge de uma cerca. Ele entao sai, cai na estrada e começa a perseguir um grupo de insetos. Comento que gosto de animais bem longe, no zôo, enquanto minha amiga diz que tem dois e que adora animais. E à medida que seguimos caminhando, o cachorro - um belo exemplar, de cor meio caramelo, de uma raça que poderia ser um cocker spaniel - começa a nos seguir. Será porque ela gosta de animais ou porque eu os prefiro longe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, tome mais conversa, mais caminho, mais chao. Finalmente, chegamos o museu. Decidimos parar, relaxar um pouco, comer alguma coisa e depois seguir viagem. Alguns biscoitos bastam, afinal, comemos bem todos os outros 364 dias do ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao sair do museu, o cachorro caramelo continuava nos seguindo. E logo a ele se juntou um outro, preto, que andava ali pelo museu, esse, parecendo de rua mesmo. E lá fomos nós, continuando a conversar e caminhando rumo ao balneário, com os dois cachorros nos seguindo, enquanto o tempo decidia se firmava com sol ou se ficava com nuvens. Acabou nao se decidindo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de pegarmos o caminho errado, ¨invadirmos¨ sem querer uma propriedade e quase sermos atacados por um terceiro cachorro, finalmente terminamos o caminho e chegamos ao balneário. Um belo lugar, calmo e sossegado, com um rio muito gelado, mas ótimo para nadar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, se antes os cachorros pareceram uma piada, naquele momento começaram a irritar, roubando as coisas, ficando em volta de nós e impedindo que relaxássemos. A brincadeira começou a ficar sem graça. Mas, com a ajuda de algumas outras pessoas que andavam por ali, conseguimos finalmente espantar os dois animais (me refiro aos cachorros) e deitamos na beira do rio. Um merecido descanso para quem dá duro todos os outros dias do ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tome descanso, e tome mais conversa. O assunto nao pára, é possível falar de tudo. Às vezes tenho a impressao de que procurávamos alguém para conversar e falar, muito mais do que relaxar na beira de um rio em uma pequena cidade argentina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o tempo, esse mistério eterno e inexorável, mais uma vez nao perdoou nada, e chegou a hora de ir embora. Depois de sofrermos com os cachorros, agora a sorte parece estar do nosso lado: um casal que andava por ali se oferece para dividirmos o táxi que veio buscá-los. Que bênçao, nao vamos precisar andar tudo de volta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O táxi segue por um caminho oposto ao que viemos e nos deixa na beira da estrada que nos leva de volta à cidade grande. Agora é esperar o ônibus para poder voltar. Nisso, o casal que dividiu o táxi arrumou uma carona. Só tem um problema: é uma picape e nao cabe todo mundo sentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá-se um jeito, aperta daqui, aperta dali, e assim, meio amontoados, rindo daquilo tudo, seguimos em alta velocidade rumo à cidade. Afinal, isso é aventura. No caminho, o motorista vai contando suas histórias, dizendo que vive tranquilo em Mina Clavero, e que conhece parte da Europa. Mas nao, ele nunca foi ao Brasil. O chamo para ir ao Rio de Janeiro, como faço com todo mundo que troca duas palavras comigo. E por fim, descemos na cidade. Fim da aventura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longe disso, agora o maior desafio é procurar algo para comer. Mas que cidade é essa onde todos os restaurantes estao fechados no sábado, e os que estao abertos custam os olhos da cara? O jeito é comer um sanduíche na padaria. Com garrafa de coca-cola comprada em uma vendinha, para poder comer o sanduba na mesinha do lado de fora, debaixo de uma sombra para fugir do sol das cinco da tarde. E nao tem sensaçao melhor do que comer, beber, se recostar na cadeira e pensar que as férias estao apenas começando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto a noite chega, ainda falta tempo para pegarmos o ônibus de volta. Entao vamos a um banco de praça, com o que restou da Coca-Cola. E tome mais assunto, mais conversa, enquanto o tempo parece voar. Ah, se eu pudesse nem voltar para casa...como é bom estar viajando, de férias, livre, sem tempo, fazendo apenas o que dá vontade. Mas o tempo, esse que nada perdoa, trouxe a noite e as estrelas. Infelizmente, é hora de pegar o ônibus de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sao oito da noite. Caminhamos praticamente em silêncio, em direçao a rodoviária, depois de um dia em que andamos muito e falamos o tempo inteiro. Às vezes, um ou outro comentário, uma risada, uma piada. De repente, olhamos para trás...e...lá está, mais um cachorro nos seguindo. Rimos de quase gargalhar. O destino às vezes é engraçado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como é o destino, o cachorro nos segue até o terminal. Que, aliás, parece um jardim zoológico: tem cao, besouro, cupim de luz, enfim, de tudo um pouco. Há a dúvida. O ônibus virá? Teremos de passar a noite nesse zôo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nao, o ônibus chega. O sono me vence na estrada, e quando acordo, lá está Córdoba, meio dormida, meio acordada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isso era só o começo. Eu tinha seis horas para dormir antes de uma segunda e nova aventura...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-4954698730421993021?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/4954698730421993021/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=4954698730421993021&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/4954698730421993021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/4954698730421993021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/03/as-cronicas-de-cordoba-ii.html' title='As crônicas de Córdoba - II'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-4409790371433391278</id><published>2010-03-15T16:20:00.001-07:00</published><updated>2010-03-15T16:23:33.780-07:00</updated><title type='text'>Cronicas de Córdoba - I</title><content type='html'>(Este teclado nao tem o ¨til¨, por isso usarei ñ).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ñao foi exatamente um city tour, eu diria que foi mais um passeio rápido onde se contou parte da história da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que importa? Será que faz diferença?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ñao sei. Sei que o tempo acabou. Olho para os dois lados, e de ambos, só vejo gente desconhecida. E agora, o que fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor ñao perguntar isso em voz alta, ñao ia pegar bem. Deixa para lá. O tempo...o tempo ñao acabou, na verdade ele é infinito. E mais do que nunca, é meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só me resta andar. Muito. Por toda parte. O máximo que puder. Mais do que a história, nesse momento vale sentir a cidade, procurar entendê-la, viver um pouco e viajar menos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, parafraseando o poeta, viver é preciso, viajar ñao é preciso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andar. Andar por aí. Esse sorvete ñao é tao bom, já tomei melhores. Ninguém faz sorvetes como os de Buenos Aires. Sentado sob um canteiro, o tempo passa. As pessoas também. A rua parece vazia. Estranho. Essa hora da tarde? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andando um pouco mais, encontro o movimento. Um formigueiro de gente em uma rua estreita. Vendedores ambulantes no meio da rua. Lojas de todos os tipos, vendendo produtos de todas as formas, cores, marcas, preços, tamanhos. A sensaçao de sair da Argentina e cair no Japao. Quem mandou andar em uma rua transversal e nao na principal? E de uma rua para a outra, a sensacao se repete. Caramba, que lugar incrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de onde saiu tanta mulher bonita? A forma por aqui anda caprichada...é uma atrás da outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andando mais, paro para comer um alfajor. Esses alfajores me lembram aqueles biscoitos casadinhos de padaria, só que aqui sao em tamanho gigante. Digo, repito, ninguém faz alfajores melhores do que Buenos Aires. Nem alfajores nem sorvetes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falta algo ainda para terminar. Mas vamos, antes que o leitor se vá. O caminho leva a uma praça, provavelmente o destino final. Que lugar engraçado. Parece concorrer em tudo com a capital. Tem sua própria marca de alfajor, de sorvete, e em vez dos tradicionais cafés, aqui o forte sao as padarias e lanchonetes. Até sanduíche com nome próprio eles têm...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que mania estranha, ouço falar mais ¨cordobês¨ que ¨argentino¨. Um nacionalismo particular, interessante, mas de certa forma, meio provinciano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado numa praça, é o fim. Ou o início do caminho de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Continua...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-4409790371433391278?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/4409790371433391278/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=4409790371433391278&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/4409790371433391278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/4409790371433391278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/03/cronicas-de-cordoba-i.html' title='Cronicas de Córdoba - I'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-4751154771990159057</id><published>2010-02-18T14:38:00.000-08:00</published><updated>2010-02-18T14:41:16.634-08:00</updated><title type='text'>Se as escolas de samba do Rio tivessem nascido em SP...</title><content type='html'>Alguém dúvida que teriam nomes mais ou menos assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mangueira: &lt;strong&gt;Camisa Verde e Rosa &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salgueiro: &lt;strong&gt;Flor da Tijuca&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beija-Flor: &lt;strong&gt;Príncesinha de Nilópolis&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viradouro: &lt;strong&gt;Império do Barreto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Unidos da Tijuca: &lt;strong&gt;Pavão da Zona Norte&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porto da Pedra: &lt;strong&gt;Morro de São Gonçalo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;União da Ilha: &lt;strong&gt;Cabeções da Ilha do Governador&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portela: &lt;strong&gt;Águia de Prata&lt;/strong&gt; ou &lt;strong&gt;Paulo de Madureira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vila Isabel: &lt;strong&gt;Nenê de Vila Isabel&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande Rio: &lt;strong&gt;Entorno da Cidade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mocidade: &lt;strong&gt;X-9 de Padre Miguel&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imperatriz: &lt;strong&gt;Coroa Verde e Branca&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-4751154771990159057?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/4751154771990159057/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=4751154771990159057&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/4751154771990159057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/4751154771990159057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/02/se-as-escolas-de-samba-do-rio-tivessem.html' title='Se as escolas de samba do Rio tivessem nascido em SP...'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-7832934136831340500</id><published>2010-02-05T14:13:00.000-08:00</published><updated>2010-02-05T14:15:17.397-08:00</updated><title type='text'>A entrada de Copacabana</title><content type='html'>Há algo de fascinante na "entrada" de Copacabana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Entrada", assim mesmo, entre aspas, porque é entrada para mim. É por onde eu entro em Copacabana vindo de Botafogo, no trajeto de todos os dias entre trabalho e casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, esquecendo os detalhes, há algo de fascinante. Algo que não sei explicar muito bem o que é. Então, melhor nem tentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diria que o trecho entre o Túnel Novo e a Praça Cardeal Arcoverde - a própria praça e mais um trechinho - tem algo de especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo começa com o Túnel Novo, ou Túnel Coelho Cintra. Em um dia claro e de sol, o fascínio começa pela luz amarela do sol batendo nas paredes do túnel (na parte que ela chega...), mas, principalmente, do outro lado, formando uma imagem meio branca, meio amarela, meio enevoada, entre prédios, asfalto, carros, rua, a praia lá longe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num dia de chuva forte, é claro, não dá para ver nada. Já à noite, o fascínio é quase infantil, quase tolo, quando os olhos se perdem pelas luzinhas do teto do túnel, que parecem correr em alta velocidade pelo lado de fora do ônibus. E do outro lado, brilham as luzes da noite, as primeiras luzes de Copacabana, o sinal do meio do caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que o ônibus atravessa o túnel, chega a Copacabana. Chega em um pedaço pouco circulável, onde quase não vejo gente andando a pé. Praça Demétrio Ribeiro. Tenho uma curiosidade danada de andar a pé aqui, mesmo sabendo que não tem absolutamente nada demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E toda vez encaro a estátua do tal do Demétrio, que não sei quem é (político e educador gaúcho, diz a Wikipedia), mas que está sempre em pose de reverência, curvado, como que saudando quem chega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, passamos pela Rua Prado Júnior e entramos na área dos bares. São três ou quatro, um atrás do outro, ali, antes da Rua Belford Roxo, na Barata Ribeiro. Aqui já há gente circulando. É quase como se fosse um oásis no meio do deserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a área mais fascinante, junto com o túnel. Os prédios antigos, o jeitão apressado de um bairro calmo, gente andando nas ruas, movimento, e ao mesmo tempo, uma sensação de paz, de calma, que é ainda maior à tarde, com o sol batendo nas grades, nos muros, nas paredes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já devo ter sonhado umas duas vezes com esse lugar. Inexplicável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, o ônibus avança, entra em uma área meio mórbida da Barata Ribeiro, onde parece que é sempre noite, há pouca luz e quase não vejo gente circulando. Aqui tem uma loja das Casas Fernandes que me lembra um comercial da própria loja, que via quando era pequeno, com meu pai, e que era engraçado (o comercial, não meu pai).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não tenho a menor ideia sobre o que era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está acabando, a área fascinante vai chegando ao fim. O ônibus vira à direita na Praça Cardeal Arcoverde e entra na Rua Tonelero. Os prédios já são mais modernos. Essa área já é mais histórica...foi aqui, na Rua Otaviano Hudson, que nasceu a Bossa Nova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As luzes já são mais intensas, e depois de passar por um colégio e por um restaurante, cruzamos a Rua Marechal Mascarenhas de Morais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui termina a "entrada" de Copacabana...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-7832934136831340500?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/7832934136831340500/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=7832934136831340500&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/7832934136831340500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/7832934136831340500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/02/entrada-de-copacabana.html' title='A entrada de Copacabana'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-1162076090558795221</id><published>2010-02-05T11:33:00.001-08:00</published><updated>2010-02-05T11:34:51.364-08:00</updated><title type='text'>"A mesa e a janela" ou "Devaneios"</title><content type='html'>Há quanto tempo sentei nessa mesa, junto da janela, pela última vez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hum...pensando bem...lá se vão...três anos e meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei há quatro. No início, era comum sentar aqui. O tempo sobrava, a rotina permitia, havia espaço, tempo, vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado. Quando lembro do tempo em que ficava nessa mesa, tenho a impressão que o relógio seguia devagar, lento, os ponteiros demoravam a girar, as semanas se arrastavam, os meses não acabavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, tudo mudou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ponteiros começaram a voar, o tempo ficou curto, as responsabilidades aumentaram. Corria de um lado para outro, passava o dia inteiro ocupado, raros eram os momentos de tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não dava tempo nem de sentar aqui. Mal conseguia comer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, tudo mudou de novo. Mas meu ritmo já era veloz, rápido, frenético, e nunca mais me sentei aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje achei tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado. Essa caixa de metal esteve sempre nesse mesmo lugar, lá fora, no parapeito da janela? Que coisa. Tinha a sensação que dava para ver mais a rua, as pessoas passando, essa casa velha - porém conservada - no meio dos prédios, o sinal de trânsito lá longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse sinal, também. Ele não era mais perto? E não era mais escuro? Teria sido pintado de branco nesse meio-tempo? E quem mais se ligaria em tantos detalhes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas algo não mudou - esse quadro na parede, alguns palmos acima da cabeça, em frente ao local onde estou sentado. Sim, tenho certeza que é o mesmo quadro, o mesmo desenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sensação, bem, essa também mudou. Antes havia uma ansiedade, uma expectativa, uma vontade de crescer, uma fé no futuro capaz de motivar qualquer um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pena que ainda não inventaram viagens a Netuno. Deve ser divertido. Ao menos, lá, as frustrações são outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou não, quem sabe. No planeta Plutão tem inflação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Belo título de um livro infantil - e é, mesmo. Me lembro como se fosse hoje. Não, naquele tempo eu ainda não ficava nessa mesa. Na verdade, estava há alguns quilômetros de distância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E penso no texto, e ele também mudou. Revela demais. Deixa de ser sobre uma mesa e passam a ser devaneios sobre outras coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aquilo que se tenta ocultar é o que mais aparece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que dia lindo está fazendo hoje. Sim, se não me engano, também fazia um dia lindo da última vez que estive aqui. Pronto, achei um elo de ligação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou um outro texto...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-1162076090558795221?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/1162076090558795221/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=1162076090558795221&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/1162076090558795221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/1162076090558795221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/02/mesa-e-janela-ou-devaneios.html' title='&quot;A mesa e a janela&quot; ou &quot;Devaneios&quot;'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-7563715655633712009</id><published>2010-02-05T04:10:00.000-08:00</published><updated>2010-02-05T04:11:17.020-08:00</updated><title type='text'>O sonhador e o fim</title><content type='html'>Ligou o estabilizador, a torre, a tela. Lentamente, as luzinhas do computador se acenderam, iniciando o programa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com tudo carregado, ele clicou no ícone da internet, digitou seu endereço de e-mail e esperou pela resposta do servidor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digitou nome, senha e entrou no e-mail.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá estava a mensagem. Enfim, um sinal de vida. Clicou uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acreditou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leu de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O golpe parecia doer mais do que ele queria admitir. Continuava sem acreditar. Como ela tinha coragem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leu uma terceira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuava meio sem acreditar. Como num instinto, fechou o e-mail no “x” no alto da tela, encerrando o programa todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou da cadeira ainda meio tonto, sem saber muito bem o que fazer. Tentou andar pelo quarto, mas num instante, tudo parecia girar, como se estivesse fora do lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou à cadeira, abriu de novo o e-mail, leu a mensagem uma quarta vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irritado, deu um soco na mesa, fechei o e-mail de novo. Ficou de pé. Não conseguiu e sentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos, o olhar foi se perdendo, como se ele olhasse para ontem. No lugar ao lado do computador, onde estava o ar-condicionado, pareceu se formar uma pequena tela. Ali passaram imagens dos dois, dos bons momentos, dos maus momentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos momentos estranhos, também. Da forma como ele pensava a situação. Do tempo que passou refletindo sobre o assunto. Dos dias que deixou de sair para imaginar como seriam as coisas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria chorar, mas ao mesmo tempo, não queria. Achava que não valia a pena. Mas, ao mesmo tempo, tinha certeza de que valia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o fim, é claro. Agora era tarde – e não só porque passava da meia-noite. Muito tarde, aliás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele jamais poderia esperar algo assim depois de um dia tão bom, de tudo o que havia acontecido. Pensava em culpar sua sorte, mas sabia que, por ser quem era, jamais poderia fazer isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como que acordando do transe, ficou de pé. Aos poucos, o quarto voltou ao foco, as coisas já não giravam mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O olho bateu na janela, e lá fora, no dia lindo que fazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calçou o sapato e saiu para dar uma volta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-7563715655633712009?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/7563715655633712009/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=7563715655633712009&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/7563715655633712009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/7563715655633712009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/02/o-sonhador-e-o-fim.html' title='O sonhador e o fim'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-5878297649827014500</id><published>2010-01-21T15:59:00.000-08:00</published><updated>2010-01-21T16:00:10.406-08:00</updated><title type='text'>Sobre alguma coisa qualquer</title><content type='html'>Os lugares estão lá, mas os olhos, o olhar, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que ainda posso ver. Caminhando pelos mesmos locais, ainda pareço escutar sua voz, lembrar do brilho dos seus olhos. E quem sabe, daquela risada a cada piada que eu fazia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não, agora é tarde. Não há mais ninguém. Só sobrou a estrutura. O restaurante, o bar, o ponto do ônibus, o posto de gasolina. O copo vazio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas vezes ele esteve cheio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei, perdi a conta. Foram muitas. Bastava ficar vazio para se encher novamente. Não chegava a ser um passe de mágica, não era tão assim. Era mais uma coisa automática, um movimento direto. Mas sem a contrapartida da repetição pós-movimento, como naquele velho filme do Chaplin...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que importa? Agora só sobrou o copo vazio. Tem cerveja perto, mas não tem mais a mesma graça. Sem o brilho daqueles olhos, perdeu toda a graça. Sem carro, não tem combustível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui estou eu, sentado, sozinho, olhando o céu e a próxima estrela brilhando. Me sentindo estranho por pensar num texto tão poético, tão romântico, se há dúvidas se realmente acredito em tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o tempo que passou realmente passou, e se vale a pena lembrar de todos aqueles olhares...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram apenas mais alguns, diante dos 2.354 que ainda vou encontrar pela vida. O copo ainda vai se encher muito. Ainda haverá muitos lugares, muias estruturas, que se tornarão mais do que isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, como eu gostaria de acreditar nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, tudo continua como antes, mas parece que alguma coisa mudou. E sobre o que era o texto que eu estava escrevendo, mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que era sobre alguém, alguma coisa, algum lugar...ou seria sobre o mistério do tempo? Ou sobre o copo de cerveja vazio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei. É hora de pedir a conta, o tempo acabou...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-5878297649827014500?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/5878297649827014500/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=5878297649827014500&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/5878297649827014500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/5878297649827014500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/01/sobre-alguma-coisa-qualquer.html' title='Sobre alguma coisa qualquer'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-5403677503960527878</id><published>2010-01-13T13:43:00.001-08:00</published><updated>2010-01-13T13:43:48.240-08:00</updated><title type='text'>O Largo - parte II</title><content type='html'>O ônibus fez a curva na Rua Bento Lisboa e cruzou os últimos metros até chegar à frente da Igreja Matriz da Glória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria coincidência? Parece que foi ontem (e não foi?) que escrevi sobre um certo Largo do Machado, e aqui estou eu novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os tempos, é claro, mudaram. Me levantei e desci do ônibus, desligando o MP3, e cruzei os três degraus até a calçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por ali, uma família que à primeira vista parecia de mendigos. Não, não eram: era gente esperando o ônibus. Fui vítima do meu próprio preconceito. Isso era uma coisa que não existia no "velho Largo"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando essas ideias estranhas para trás, segui até o sinal e atravessei a rua, chegando à praça, esse local onde o Largo é mais Largo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São seis horas, um dos meus horários preferidos. Daqueles onde não é mais dia e ainda não foi noite. Sob as luzes dos postes acesas, o movimento é intenso. Gente vai e vem. Pessoas conversam. Crianças brincam, velhinhos jogam cartas, trocadores pegam água, motoristas cospem no chão, estudantes seguem rumo a algum lugar que certamente não me dirão qual é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A essa altura do campeonato, a velha galeria do Condor já acendeu suas luzes, assim como as lojas do outro lado da rua. E estou chegando mais perto do metrô. E há mais gente andando, correndo, falando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes tenho a sensação de viver num mundo à parte. Como seria possível que, de um simples passeio, alguém caminhasse o tempo inteiro imaginando a cena, capaz de descrevê-la depois? Não sei, realmente, devo ser um caso raro de loucura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até porque esse último parágrafo não fez qualquer sentido. Ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a praça já chegou ao fim, e a hora é de atravessar a rua. Por fora. Esse não é um bom local para circular assim, como se tudo estivesse bem e nada fosse um problema. Aliás, não só aqui como em todo o Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando isso para lá, sigo em frente, até a hora de atravessar de novo a Rua do Catete. Esse é o ponto onde o Largo deixa de ser Largo e passa a ser alguma coisa que ninguém sabe bem o que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não adianta perguntar à prefeitura, ela coloca no IPTU o bairro mais caro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, muitos metros depois, o destino está selado. Agora é hora do primeiro chope...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-5403677503960527878?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/5403677503960527878/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=5403677503960527878&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/5403677503960527878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/5403677503960527878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/01/o-largo-parte-ii.html' title='O Largo - parte II'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-5359841231434708690</id><published>2010-01-06T09:15:00.000-08:00</published><updated>2010-01-13T13:46:46.402-08:00</updated><title type='text'>Largo</title><content type='html'>Saudade do Largo do Machado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não do Largo de hoje, deserto à noite, silencioso demais, sujo demais. Saudade de um Largo de outros tempos, outra época, que, se não era melhor - e talvez realmente não fosse - ao menos parecia muito.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Tenho um carinho especial por esse pedaço de mundo entre Flamengo, Laranjeiras e Catete, que consegue a mágica de não ser nenhum dos três. E tudo começou faz tempo, faz tempo...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Lembro do som da velha gaita que eu nunca aprendi a tocar. E de uma janela - tinha uma mesa em frente? - por onde entrava o sol escaldante das quatro da tarde, que batia no meu rosto com força e me fazia suar. Mas quem disse que eu desistia de tentar continuar tocando a gaita?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E depois que o sol descia, ali pelas cinco horas, era hora do passeio - que deve ter acontecido uma ou duas vezes. Mas valia a pena. Seguia para comer um folheado de queijo em uma loja chamada Frère Jacques. Ia de mãos dadas com meu pai, ansioso pelo folheado. E ele ia cantando, em francês, a música que tinha o mesmo nome da loja:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Frère Jacques, frère Jacques,&lt;br /&gt;Dormez-vous? Dormez-vous?&lt;br /&gt;Sonnez les matines! Sonnez les matines!&lt;br /&gt;Din, dan, don. Din, dan, don.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu cantava, mesmo que meio sem saber o que era nem entender uma palavra. Mais tarde, a loja do folheado acabou. E ele foi trocado por um quibe. O quibe do árabe também era mais do que especial. Mas uma certa palha-de-aço no recheio acabou com a magia da coisa..&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Saudade do Largo do Machado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não o Largo do Machado só dos folheados e dos quibes. Mas também o da loja de vídeos. Tinha um que de especial, não era uma loja de vídeo como as outras. A começar pelo fato de que eu raramente ia lá. E a continuar pelo fato de que parecia ser maior e mais farta do que qualquer outra videolocadora.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Já achei coisas ali do arco da velha. Era capaz de perder horas ali. No início não era assim: eram apenas duas fileiras de filmes, uma em cima e outra embaixo, naquelas capinhas plásticas que tinham um papelzinho preso nelas. Se a gente queria o filme, tinha que escolher, tirar o papelzinho respectivo e entregar no caixa pra receber a fita.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Aos poucos, a coisa mudou. As duas fileiras viraram cinco, dez, quinze, vinte. Ganharam um subsolo. As capinhas plásticas com papelzinho foram trocadas pelas respectivas fitas. Agora não tinha mais risco de entregar o papelzinho errado, receber uma fita diferente da escolhida e descobrir isso só chegando em casa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E foi assim que os filmes se multiplicaram, e pude encontrar verdadeiras raridades. Mas o tempo passou, e as fitas começaram a virar DVDs, até sumirem. Hoje só tem DVDs. Coincidência ou não, nunca mais voltei...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Saudade do Largo do Machado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não só o Largo dos folheados, dos quibes, da videolocadora, da Sendas (hein?), da Galeria do Condor, da Parmê. Mas também o Largo do velho cinema da galeria do Condor. Por ali passaram várias fitas que não vou esquecer: Professor Aloprado, Noviço Rebelde, O Sexto Dia... &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Tinha um ar diferente, de cinema antigo, escondido. Hoje nem existe mais, virou igreja...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Saudade do Largo do Machado não só de lojas, cinemas, lanchonetes, mas de Papai Noel. Era lá que eu esperava o Bom Velhinho, em uma casa mais do que especial. E durante anos foram assim. Aquele apartamento na Rua Machado de Assis virou uma espécie de segunda casa do Noel (o velhinho, não o músico). &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É...saudade do Largo do Machado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-5359841231434708690?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/5359841231434708690/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=5359841231434708690&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/5359841231434708690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/5359841231434708690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2010/01/largo.html' title='Largo'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-5005877110524900310</id><published>2009-12-13T19:19:00.000-08:00</published><updated>2009-12-13T19:22:33.019-08:00</updated><title type='text'>Crônica de um dia qualquer</title><content type='html'>Hoje é domingo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas podia ser sábado. Ou quarta-feira. Ou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia está cinza, chuvoso, mas no meu quarto está batendo uma brisa fresca, gostosa, que vem com aquele cheiro de dia frio. Cheiro de dia frio...devo ser o único que parou para pensar nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nada do telefone tocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falei com ela ontem. Ela me jurou que ia ligar hoje e me fez jurar que não ia ser eu a ligar. Seria melhor assim. Eu quis insistir, saber o porque, mas ela não me disse. Teimou, bateu o pé e prometeu que ela ia me telefonar. Me fez jurar que não ligaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem. Pedido esquisito...estranho...mas nada que não possa ser feito. Aliás, por que é mesmo que é um pedido estranho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei, e nem faz diferença. O que importa é que ficou combinado assim: ela me ligaria assim que pudesse. Queria combinar tudo o quanto antes. Tudo bem, fiquei de esperar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se hoje fizesse sol em vez de chuva, eu poderia dizer que o sol já vai alto no céu. Mas hoje nem essa figura poética posso usar, porque não tem sol. Por acaso será que "a chuva vai alto no céu" ficaria bem nessa parte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nada do telefone tocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor tentar ler alguma coisa. Pego um livro, folheio. É inútil, os pensamentos viajam, divagam. Se de repente a cabeça imagina um cavaleiro medieval de espada em punho e elmo na cabeça, montado imponente em seu cavalo, de repente ele vira fumaça e vejo aquele rosto, ali, flutuando, a cabeça vai longe. Tento ler, mas as palavras começam a perder o sentido, e de repente, percebo que li três páginas e não estou entendendo mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volta e meia a cabeça se vira para o celular, ali, em pé no suporte, em cima da escrivaninha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nada dele tocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desisto de ler, é inútil. Boto o livro de lado, vou procurar o que fazer. Quem sabe ir até a cozinha, beber alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pego um copo e uma jarra de água, e estou prestes a servir, quando escuto um bip.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Largo tudo, saio correndo, vou ver o que é. Agora é!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora é, realmente...o computador. Foi um apito, indicando o fim de mais um download.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nada do telefone tocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida que o tempo passa, pensamentos e palavras parecem se perder. A televisão parece sempre a mesma, nenhuma notícia chama atenção no jornal, e na internet o muito que há para fazer se revela chato, inútil. Textos e informações se repetem, e parece que tenho lido os mesmos sites há mais de uma semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora as horas já vão longe, muito longe, a chuva continua caindo, o frio continua inundando o quarto, e parece que simplesmente não há mais o que fazer para passar o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, eu poderia adiantar o relógio, quem sabe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, deixa pra lá. Podia talvez assistir um DVD. Ou sair para dar uma volta, esfriar a cabeça. E levaria o celular. E não haveria mal algum...se ela &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ligasse, eu atenderia do mesmo jeito, e estaria tudo resolvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bah, mas tá chovendo. Andar na chuva é ruim demais. Melhor ficar aqui, mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nada do telefone tocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passou, a chuva se foi e o dia também. Mas o frio continua inundando o quarto, disputando espaço com a minha própria ansiedade. Páreo duro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite caiu, as horas avançaram, e nada. Eu deveria ter ligado. Deveria ter dito tudo o que ainda não disse...ou não quis dizer...ou deveria ter dito que queria dizer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, agora é tarde demais. Melhor desligar o celular e ir dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pego o telefone, abro o flip...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E dou uma gargalhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daquelas de fazer os vidros estremecerem, e a poeira levantar do chão limpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho de novo o telefone e continuo rindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só rindo, mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como ela poderia ter ligado se esqueci de ligar o telefone?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, ela ligou. Um monte de vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas talvez agora seja tarde demais...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-5005877110524900310?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/5005877110524900310/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=5005877110524900310&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/5005877110524900310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/5005877110524900310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2009/12/cronica-de-um-dia-qualquer.html' title='Crônica de um dia qualquer'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-1174606352472063566</id><published>2009-12-05T18:32:00.001-08:00</published><updated>2009-12-05T18:34:19.666-08:00</updated><title type='text'>Perfeito</title><content type='html'>Enquanto a inspiração não vem, fiquem com a poesia incrível de Louis Armstrong em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;What a Wonderful World&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Eu vejo as árvores verdes, rosas vermelhas também&lt;br /&gt;Eu as vejo florescer para nós dois&lt;br /&gt;E eu penso comigo... que mundo maravilhoso&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Eu vejo os céus azuis e as nuvens tão brancas&lt;br /&gt;O brilho abençoado do dia, e a escuridão sagrada da noite&lt;br /&gt;E eu penso comigo... que mundo maravilhoso&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;As cores do arco-íris, tão bonitas nos céus&lt;br /&gt;Estão também nos rostos das pessoas que se vão&lt;br /&gt;Vejo amigos apertando as mãos, dizendo: "como você vai?"&lt;br /&gt;Eles realmente estão dizendo: "eu te amo!"&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Eu ouço bebês chorando, eu os vejo crescer&lt;br /&gt;Eles aprenderão muito mais que eu jamais saberei&lt;br /&gt;E eu penso comigo... que mundo maravilhoso&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Sim, eu penso comigo... que mundo maravilhoso!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-1174606352472063566?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/1174606352472063566/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=1174606352472063566&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/1174606352472063566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/1174606352472063566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2009/12/perfeito.html' title='Perfeito'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-8601029152781726780</id><published>2009-11-30T09:48:00.000-08:00</published><updated>2009-11-30T10:00:37.741-08:00</updated><title type='text'>Para ler e refletir</title><content type='html'>Transforme as resoluções de ano novo em resoluções de ano inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deseje todos os dias a todos que você gosta, e a você mesmo, tudo que se deseja de bom em dezembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viva mais o espírito do Natal nos aniversários, reuniões de amigos, encontros, passeios, viagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ria mais, do mesmo jeito que você ri (ou costumava rir, ou pretende rir, ou tem vontade de rir) nas noites dos dias 24 e 31.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Organize festas, encontros, passeios e viagens com a mesma alegria do fim do ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mande mais cartões a quem você gosta, mesmo que não sejam de Feliz Natal ou Próspero Ano Novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixe seus problemas um pouco de lado assim como na hora em que estouram os fogos no céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brinde mais com os amigos, a família, os agregados, os conhecidos, os amores, os amantes, os amados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reuna mais a família em volta da mesa, mesmo que seja para uma simples conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dê mais sorrisos espontâneos, daquele jeito que se faz ao ver as crianças abrirem os presentes do Papai Noel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfeite e arrume mais a casa, nem que seja com uma limpeza, do jeito que você faz quando o ano termina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouça mais músicas especiais, em datas mais do que especiais (embora não seja preciso ouvir Bate o Sino no Dia das Mães).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja mais Papai Noel durante todo o ano, mesmo que seus presentes sejam um sorriso, um abraço, uma palavra de conforto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faça mais promessas, mas dê preferência às que você possa cumprir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descanse mais e mais gostoso, o quanto for possível, como você faz no primeiro dia do ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se organize mais para evitar filas, trânsito e confusões, mesmo que seja no meio de abril em vez da véspera de Natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renove todos os dias as esperanças e as expectativas assim como se faz em todo 31 de dezembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Use mais palavras e pensamentos positivos, daquele jeito que se faz quando o ano termina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembre-se todos os dias, e não apenas quando novembro acaba, que o tempo está passando cada vez mais rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escreva e leia mais textos positivos de fim-de-ano...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-8601029152781726780?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/8601029152781726780/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=8601029152781726780&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/8601029152781726780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/8601029152781726780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2009/11/para-ler-e-refletir.html' title='Para ler e refletir'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-4164571477774270577</id><published>2009-11-27T10:34:00.000-08:00</published><updated>2009-11-27T10:35:16.830-08:00</updated><title type='text'>Duvida</title><content type='html'>A dúvida o torturava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era como uma fagulha enfiada em sua cabeça, latejando, doendo, incomodando.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Vinha assim há dias, semanas, meses. O que fazer? Como fazer? O que dizer? Afinal, o que significava tudo aquilo? Como não pensar naquilo? Como não dar àquilo mais importância do que realmente tinha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabia. Se esforçava, lutava, procurava entender, mas não conseguia. E quando ele menos esperava, lá estava ela de novo, incomodando. Aumentavam aos poucos as dificuldades para se concentrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentava se distrair, mas era pior. Não entendia, não sabia como, não conseguia ver, perceber, enxergar. Tinha a sensação de que já conhecia o caminho, sabia por onde ir ou não ir, mas mesmo assim insistia na parte mais difícil, no pior atalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fazer? Como fazer? O que dizer? E o que não dizer? E se tentasse algo diferente? E se ficasse calado? E se não dissesse nada? E se agisse mal? E se algo acontecesse? E se algo não acontecesse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentava relaxar, brincar, esquecer, mas era impossível. Às vezes se pegava olhando para si mesmo e dizia...afinal, quem sou eu? Esse sou eu? Por que de repente eu ajo desse jeito? E por que passo o tempo me perguntando as coisas? E por que não mudo? E por que o tempo passa e eu continuo o mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes sentia vontade de chorar, botar tudo para fora. Em outras, não sabia se isso era o mais certo, o mais indicado, se estava agindo bem...às vezes se sentia como uma criança mimada, que diante da dúvida, da dificuldade, começava a chorar e reclamar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes se sentia mal por se fazer tantas perguntas, achar tantas dificuldades, viver de forma tão intensa. Tinha vontade de mudar, mas aí se perguntava: devo mudar? Devo me transformar? Em que, por que e para que? De que forma? E se vou para algum lugar, para onde, como, por que, para que e de que forma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabia, não sabia, não entendia, não conseguia ver o porque...mesmo que ele estivesse na sua frente...não aceitava, continuava duvidando, perguntando, questionando, indagando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a dúvida era fria e cruel. Mas, às vezes, ele se perguntava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...será que era dúvida mesmo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-4164571477774270577?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/4164571477774270577/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=4164571477774270577&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/4164571477774270577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/4164571477774270577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2009/11/duvida.html' title='Duvida'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-6664033910060710905</id><published>2009-11-17T12:29:00.000-08:00</published><updated>2009-11-17T12:32:36.876-08:00</updated><title type='text'>O sonhador e a menina</title><content type='html'>Aquele era um dia estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se lembrava que, quando saiu de casa, o dia estava cinza e nublado. Depois, fez sol. Em seguida, choveu e ventou. Agora estava sol e calor de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhando pela Avenida Rio Branco, se espremia em meio à multidão que passava pela Rua do Ouvidor para tentar chegar logo ao ponto do ônibus. Não que estivesse precisamente atrasado...mas estava cansado e queria chegar logo. Tinha a sensação que, se fizesse as coisas mais depressa, o dia passaria mais rápido e logo ele estaria em casa dormindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio à multidão que circulava pela calçada, era difícil se mover rapidamente. O suor escorria por seu rosto, peito e braços, empapando a camisa pólo verde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao cruzar a calçada para desviar de uma árvore, ele a viu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava ali, em frente a uma galeria, com um bolo de panfletos na mão, tentando distribuí-los a quem passava. Vestia uma blusa branca justa e uma minissaia jeans, tinha os cabelos muito negros e cortados na altura do queixo. O rosto era de um ar muito simples, e ao mesmo tempo, muito forte, com dois belos olhos azuis brilhando quase que intensamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não tinha sucesso em sua tarefa "panfletária": os pedestres, em meio ao corre-corre da hora do almoço, mal paravam para olhá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ele parou. De repente, esqueceu o cansaço, o calor, o corre-corre, a hora...e ficou ali, só observando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Distraída, ela a princípio não percebeu nada. Mas, dali a pouco, ao se virar para tentar entregar um panfleto, seu olhar se cruzou com o dele. E os dois ficaram se observando. Tímida, ela sorriu discretamente e baixou o rosto, como se estivesse procurando alguma coisa no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele continuou olhando fixamente, agora esboçando um leve sorriso, e foi se aproximando devagar, sem pressa nem preocupação, cruzando a avenida e desviando dos pedestres para olhá-la mais de perto. Já ela continuava a rir, sem-graça, e volta e meia o olhava...mas logo se distraía, baixava o rosto, voltava a distribuir seus panfletos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ele estava quase chegando perto dela, dois operários carregando uma enorme tábua de madeira atravessaram o caminho, tapando totalmente a visão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperando pacientemente, ele teve vontade de quebrar logo a tábua para chegar do outro lado. Mas esperou. Aqueles segundos pareciam horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E finalmente, quando os operários passaram, levando sua enorme tábua...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...ela não estava mais lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atônito, espantado e surpreso, ele olhou por todos os lados, procurando-a. Para onde ela teria ido em tão pouco tempo? Teria fugido? Se escondido? Mas como era possível...só haviam se passado alguns segundos, não, não era possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, o tempo louco voltava a escurecer, e o vento anunciava uma nova chuva para muito breve...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-6664033910060710905?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/6664033910060710905/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=6664033910060710905&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/6664033910060710905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/6664033910060710905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2009/11/o-sonhador-e-menina.html' title='O sonhador e a menina'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-9116900419469104916</id><published>2009-11-16T15:14:00.000-08:00</published><updated>2009-11-16T15:15:33.948-08:00</updated><title type='text'>O vidro</title><content type='html'>Antigamente ele não existia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu lugar, não sei o que ficava exatamente...mas acho que era um tapume de madeira. Isso, antes mesmo de existir um banco naquele local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No tempo que ele não existia - e poxa, nem faz tanto tempo assim - tudo era tão diferente. As ideias eram tão diferentes. A angústia do dia passado parecia mais real, e a ansiedade pelo dia seguinte, maior. De certa forma, as preocupações seguiam pelo mesmo caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez as coisas fossem mais surpreendentes, menos estáveis, como o ônibus que surgia de repente na curva. Pudera: aquele era um tempo de construir, mas sem muita noção do que. Era um tempo de plantar sem saber o que seria colhido...poético isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No tempo em que aquele vidro não existia, tudo era muito diferente. Ou será que era menos igual?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei. Mas o fato é que o momento da chegada do ônibus era mais imprevisível. Ou será que era o horário que variava sempre?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não sei. Mas fato é que, em algum momento, surgiu o vidro, foi-se o tapume. E o horário passou a ser mais ou menos o mesmo. E a espera do ônibus mudou...ganhou uma ajuda, um apoio. Agora já dá pra ver quando ele surge na curva, lá adiante, e a expectativa aumenta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que um dia olharei para trás e direi o mesmo de hoje?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-9116900419469104916?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/9116900419469104916/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=9116900419469104916&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/9116900419469104916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/9116900419469104916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2009/11/o-vidro.html' title='O vidro'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-8286061116727797539</id><published>2009-11-09T15:38:00.001-08:00</published><updated>2009-11-09T15:38:35.329-08:00</updated><title type='text'>Cinco horas</title><content type='html'>Sempre me perguntei o que esse horário tem de mais. Sempre achei que ele era quase uma parte solta do dia - tipo manhã, tarde, cinco horas e noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o mais óbvio é que seja o horário em que muitas crianças saem do colégio. De uniforme, mochila às costas e companhia nem sempre agradável, circulam pelas ruas, pulando, correndo, brincando, seja sozinhas, com seus acompanhantes, umas com as outras, numa mistura de liberdade e a sensação de que logo estarão de volta no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio a tudo isso, o cheiro mais claro é o de pipoca. Aquela coisa meio óleo, meio sal, meio açúcar, meio doce, meio salgado, que pipoca de casa não tem e nunca terá. Aquele cheiro que sai de trás da lâmpada amarelada da carrocinha de pipoca, um eterno mistério - não existe pipoca melhor que a do pipoqueiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em frente à padaria, o cheiro de pão às cinco da tarde é sempre muito claro. Não sei o que essa parte do dia tem de mais, mas parece que os cheiros ficam mais soltos. Nunca me ocorreu sentir cheiro de pipoca nem de pão ao passar as onze da manhã pela padaria/pipoqueiro. Mas se passar as cinco, lá estão eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que as cinco horas há mais velhinhos caminhando nas ruas, mais cachorros com seus donos, mais gente voltando da praia, mais entregadores com suas bicicletas, mais carros circulando. Às vezes tenho a sensação de que todo mundo fica olhando o relógio, esperando dar cinco horas, para poder sair. Ou será que é só impressão minha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem não tem o privilégio da liberdade das ruas, do caminhar solto pelas calçadas, do ir e vir - é um horário propício para a prática do cooper, porque o sol já se foi e a noite não chegou - e encara o escritório, a repartição, a firma ou a empresa, cinco horas é o horário do "quase". Para quem entra cedo, então, é muito "quase": está "quase" na hora de ir embora, o trabalho está "quase" pronto, o dia está "quase" no fim, o happy hour é "quase" obrigatório, "quase" que eu não termino esse relatório antes do expediente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aos poucos, conforme os minutos passam, toda essa atmosfera vai se dissipando, e quando chega seis e meia, por aí, tudo começa a voltar ao normal...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou será que cinco horas é o normal e o resto do dia que é estranho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai saber.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-8286061116727797539?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/8286061116727797539/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=8286061116727797539&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/8286061116727797539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/8286061116727797539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2009/11/cinco-horas.html' title='Cinco horas'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-391261905412964375</id><published>2009-11-09T15:09:00.000-08:00</published><updated>2009-11-09T15:10:23.835-08:00</updated><title type='text'>Algo sobre o Leblon</title><content type='html'>Leblon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu bairro já não parece mais o mesmo. Não sei o que mudou nele, ou talvez em mim. Mas meus passos são mais firmes agora, seja lá o que isso signifique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas ruas nunca pareceram tão iluminadas, nem tão largas. Ao mesmo tempo, aqui ainda é possível ouvir um pouco do silêncio, fugir da sensação de cidade grande, nem que seja por míseros dez segundos. Se tempo é dinheiro, cada segundo vale muito, muito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música nos ouvidos não permite que se pense demais, nem que o silêncio seja maior do que alguns segundos. O som relaxa, distrai, faz esquecer. A vontade que tenho é cantar junto, mas tenho que lembrar sempre de controlar o movimento da boca e perceber se estou cantando alto demais. Mais maluco do que o costume é algo que não pretendo parecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou talvez não. Que talvez se danem essas pessoas que, ao ver a boca mexendo, me lancem olhares recriminatórios, de censura, duros, frios, como que me mandando ficar quieto. Odeio olhar de censura. Não sei porque todos me vêem desse jeito. Será que não é normal alguém pensar alto, cantar alto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes tento prender as ideias na cabeça, mas é muita coisa. Preciso falar, dizer. E nem sempre escolho os melhores locais para isso. Sim, não devo lá ser muito normal...muito menos por escrever um texto sobre isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os passos seguem tranquilos e firmes, andando pelo Leblon, alguma coisa meio sem rumo, sem norte, mas ao mesmo tempo, com um objetivo bem claro. E lá vai a música. E o carro que passou. E mais alguém com um cachorro. E o brilho do sol que passa pelas árvores e ilumina os prédios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei porque tanto cinza, tanto preto. Às vezes me sinto em uma selva de concreto (onde foi que já li isso?). Há algo que me incomoda em tudo isso. Meu bairro mudou, perdeu o ar bucólico de alguns textos atrás. Tampouco tem as sombras, o silêncio e o vento da madrugada. Agora parece simplesmente um caminho pelo qual sigo para chegar em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde estarão a poesia e a prosa perdidas? E aquele olhar bonito, plástico? E as livrarias? E sim, a praia, sempre ela...não, não ela, não aqui, não agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não agora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-391261905412964375?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/391261905412964375/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=391261905412964375&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/391261905412964375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/391261905412964375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2009/11/algo-sobre-o-leblon.html' title='Algo sobre o Leblon'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-4242350088930133220</id><published>2009-11-06T09:25:00.000-08:00</published><updated>2009-11-06T09:32:02.157-08:00</updated><title type='text'>Eu, a casa e o silêncio</title><content type='html'>Abri os olhos. Estava deitado de bruços sobre a cama, o rosto encharcado de suor. Nem um vento batia. Por uma fresta da janela, entrava um tímido raio de sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me estiquei na cama, virei de barriga para cima e encostei a cabeça no travesseiro, também molhado de suor. Olhei o relógio na parede: quinze para as oito da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era cedo ainda, meu desejo era dormir mais um pouco. Bocejei. Tentei fechar os olhos, pegar de novo no sono, mas nada. Não tinha mais vontade de dormir, embora tivesse sono. Ou seria o contrário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem jeito, sentei na cama, me espreguicei, botei os óculos. Confirmei a hora e fiquei de pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei três passos até a porta do banheiro, entrei, fechei-a. Fiz minhas necessidades, lavei as mãos, o rosto, saí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No silêncio da casa, apenas meus passos ecoavam. Todos dormiam profundamente, naquele estado de sono tão bonito de observar, de ver. Mas temo acordar as pessoas quando olho demais. Então voltei à cozinha, abri a porta e saí para o quintal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazia um dia lindo, maravilhoso, de sol escaldante, céu azul sem uma nuvenzinha no céu. E nenhum barulho, nenhum ruído, nada. Na casa quase vazia, apenas o silêncio. Nem lembrava o mesmo cenário há três dias atrás. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Hoje é o dia&lt;br /&gt;Eu quase posso tocar o silêncio&lt;br /&gt;A casa vazia&lt;br /&gt;Só as coisas que você não quis&lt;br /&gt;Me fazem companhia...&lt;br /&gt;Eu fico à vontade com a sua ausência...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música do Capital Inicial veio, assim, discreta, sem pedir. Sem rádio, sem nada. Veio na cabeça. Era a síntese daquele momento tão estranho e tão singular. Só essa parte. Depois disso, perdia o sentido, a razão, a força...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhando pela varanda de chão de madeira, me aproximei da mesa vermelha com quatro cadeiras em volta. A mesma que estava cheia e movimentada nos últimos dias. Agora não havia ninguém. Pelo chão, uma parte do jornal de domingo estava caída, suja, rasgada. Em uma das cadeiras, o resto do jornal. Lido, relido, remexido, agora já não servia para mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cima da mesa, já não havia nada. Minto: havia um pedaço de linguiça, um que caíra do prato no dia anterior, e que provavelmente não fora limpo. Curiosamente, não havia formigas em volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei a mesa lá e fui me sentar no sofá, mais adiante. Olhar o céu. Pensar um pouco no que fazer. Era cedo para ir embora e tarde demais para ficar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de quatro segundos sentado, cansei e decidi fazer alguma coisa. Voltei ao quarto, enfiei a mão na mala e procurei o livro que havia trazido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase pude lembrar das palavras de minha mãe dizendo que aquele livro era muito pesado para uma viagem tão curta, e que dificilmente teria tempo para lê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De certa forma, faltara tempo. Mas agora não. Agora tinha todo o tempo do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei ao sofá, deitei e comecei a ler. Até que chegou a hora de ir embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despedidas, beijos, abraços. E a casa ficou um pouco mais vazia...&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-4242350088930133220?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/4242350088930133220/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=4242350088930133220&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/4242350088930133220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/4242350088930133220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2009/11/eu-casa-e-o-silencio.html' title='Eu, a casa e o silêncio'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-8569274266671724481</id><published>2009-11-05T15:39:00.000-08:00</published><updated>2009-11-05T15:40:26.603-08:00</updated><title type='text'>O sonhador, o "talvez" e o mar</title><content type='html'>"Beijo, tchau".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela desligou e ele ficou ali, parado, estático, meio sem saber o que fazer. Tinha vontade de chorar, e ao mesmo tempo, raiva de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não tinha ideia do quanto ele se dedicara. Comprara flores, chocolates. Fizera questão de mandar entregar, com direito à cartão e tudo. Ligara para ela várias vezes. Marcara tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, quando ela sofreu, da última vez, quem estava a seu lado? Ele. Todo o apoio, toda a atenção. Dias e dias de telefone, e-mails, MSN.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, tudo parecia terminado, e olha que era antes mesmo de começar. Com o telefone em uma das mãos e o buquê na outra, não sabia direito nem o que fazer. O que pensar. Como reagir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era a primeira, nem seria a ultima vez. Mas ele tinha a sensação de já ter visto aquele filme outras vezes. E não falava de uma, mas sim de várias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha vontade de chorar, raiva de si mesmo, angústia, aflição, desapontamento. E de novo aquela sensação de falta de sorte, de que tudo dava sempre errado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda meio sem saber o que fazer, guardou o telefone em um bolso e meteu a mão no outro, à procura das chaves. Achou. Tirou a chave, e ainda meio cambaleante, o buquê para baixo, seguiu até a porta da rua. Abriu, espiou dos dois lados e saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desceu, tentou passar rapidamente pela portaria, sem ser visto. Não deu: quase esbarrou com o porteiro. Ficou sem-graça, tentou disfarçar, deu a volta e abriu a porta da rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentiu o vento gelado bater em seu rosto e se sentiu um pouco melhor. Para onde, agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fazia ideia, não sabia. Foi quando se lembrou do mar. Quando era pequeno e estava triste, seu pai costumava levá-lo para ir ver o mar. O barulho das ondas, a água batendo na areia, tudo isso costumava acalmá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, a praia. Tinha esse privilégio. Morava perto. E sentindo voltar um pouco da confiança, seguiu para lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela hora, não havia ninguém. A noite já havia caído há tempos, e olhando no horizonte, via apenas a branca faixa de areia e o mar batendo com força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desceu dois degraus da escada que levava à areia, se sentou, botou o buquê de lado e ficou olhando o mar, ouvindo o barulho das ondas, sentindo aquele vento gelado bater no rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentava pensar, mas era difícil continuar. Como um texto que chega a um ponto onde não se sabe para onde vai, ele também não sabia mais o que fazer. Tentava pensar, arrumar as ideias, mudar a mente, mas nada funcionava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o problema fosse justamente esse: pensar demais. Quanto tempo havia perdido pensando em como conquistá-la...ela e todas as outras...quanto tempo pensara se lamentando por tudo o que acontecera...e quanta coisa deixou de fazer nesse meio tempo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Largou o buquê ali mesmo, botou as mãos nos bolsos e começou a voltar para casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-8569274266671724481?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/8569274266671724481/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=8569274266671724481&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/8569274266671724481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/8569274266671724481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2009/11/o-sonhador-o-talvez-e-o-mar.html' title='O sonhador, o &quot;talvez&quot; e o mar'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-3198706870848320529</id><published>2009-10-13T21:23:00.000-07:00</published><updated>2009-10-13T21:24:35.689-07:00</updated><title type='text'>Madrugada</title><content type='html'>A sombra da última cerveja já ficou para trás. Os pedidos insistentes para que eu ficasse, também.&lt;br /&gt;É bem verdade que a vontade era ficar. Tomar mais uma, mais duas, mais três. Mas não posso. Não hoje.&lt;br /&gt;Enquanto caminhava pela praça deserta, o vento balançou as folhas e fez com que as sombras se mexessem. Enquanto isso, na cabeça, outras sombras se movem.&lt;br /&gt;“Volta. Corre lá. Ainda dá tempo”.&lt;br /&gt;Não. Não hoje, digo baixinho, sob pena de dar de cara com alguém e parecer um louco falando sozinho no meio da madrugada.&lt;br /&gt;Não hoje...&lt;br /&gt;E atravesso a praça rápido, apertando o passo, talvez por medo de marginais, talvez por medo de não agüentar e acabar voltando para tomar mais uma.&lt;br /&gt;Que é sempre a última e acaba sendo sempre a primeira...de muitas.&lt;br /&gt;Agora, deixando a sombra da praça e as luzes dos prédios, é tarde demais. Não existe mais volta. Nem tampouco barulho de folhas, nem sombras se movendo, nem seguranças e porteiros à espreita.&lt;br /&gt;Apenas o silêncio, o silêncio calmo, relaxante e assustador da madrugada.&lt;br /&gt;Me preparo para atravessar a rua, mas lá adiante uma “pequena multidão” me causa um arrepio.&lt;br /&gt;O que estarão fazendo todos juntos, no meio de uma praça vazia, em plena madrugada? Pelo jeito...boa coisa não é.&lt;br /&gt;Melhor desviar. Seguir outro rumo, outro caminho. E a saída pela esquerda é sempre a mais útil.&lt;br /&gt;Será, mesmo?&lt;br /&gt;Pela esquerda, sim, até que a “pequena multidão” não mais me veja, e eu possa passar tranqüilo para o outro lado.&lt;br /&gt;Cruzo com um homem de boné e mochila. Por alguma estranha razão, passamos incólumes um pelo outro, como se ambos não existíssemos, ou como se estivéssemos tão envoltos nas sombras da noite que nossa presença se torne tão pouco importante.&lt;br /&gt;Atravesso a segunda praça por um caminho alternativo, sem passar pela “multidão”, e retomo o caminho como se nada tivesse acontecido.&lt;br /&gt;E que calor terrível que está fazendo. Nem um vento bate...&lt;br /&gt;Ou será que eu estou andando rápido demais?&lt;br /&gt;Atravesso uma rua, duas. Fui pensar e falei alto, chamei a atenção de um motoqueiro que nem tinha visto.&lt;br /&gt;Melhor assim, com essa pinta de louco ele fica na dele e eu na minha.&lt;br /&gt;Desviando do táxi, atravesso mais uma rua. Agora o cenário é outro. Há luzes, cervejas, bares, gente conversando.&lt;br /&gt;Elas estão lindas.&lt;br /&gt;Como sempre.&lt;br /&gt;E como falam. E de onde será que saem essas vozes tão bonitas?&lt;br /&gt;Mas preciso seguir, e assim, mergulho mais uma vez nas sombras da noite. Um prédio, uma casinhola de chaveiro.&lt;br /&gt;Um casal passa por mim, e novamente, nem me nota. Melhor assim.&lt;br /&gt;Atravesso outra rua, duas, e agora pela direita, saindo das sombras e mergulhando novamente na luz.&lt;br /&gt;Aqui também há bares, mas estes já fecharam. Há carregadores, porteiros, gente circulando, mas nem um sinal delas.&lt;br /&gt;E nem uma cerveja, diga-se de passagem.&lt;br /&gt;Atravesso outra rua, passo por uns sacos de lixo e levo um susto com um catador de latinhas.&lt;br /&gt;Ah, é só um catador de latinhas.&lt;br /&gt;Mais bares. Mais gente conversando. Mais luzes, mais cerveja. Agora há táxis, também.&lt;br /&gt;Elas continuam lindas, como sempre.&lt;br /&gt;E mais uma rua atravessada, e o caminho está perto do fim. E estou pensando em escrever um texto sobre esse passeio em uma madrugada qualquer, em um dia qualquer. Puxa, isso vai ficar tão legal...&lt;br /&gt;Cruzo com um grupo, dessa vez eles me notam. Mas não há nada de estranho com eles, nada de “pequena multidão”.&lt;br /&gt;Cruzo o sinal, mais duas ruas, e aperto o passo. Agora falta pouco, muito pouco.&lt;br /&gt;Meto a mão no bolso, pego a chave.&lt;br /&gt;O porteiro é mais rápido e abre a porta antes.&lt;br /&gt;Saio das sombras e mergulho no silêncio do prédio.&lt;br /&gt;E do silêncio do prédio para as vozes de casa, para as sombras do quarto, e por fim, para a sombra mais profunda da madrugada...&lt;br /&gt;O sono.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-3198706870848320529?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/3198706870848320529/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=3198706870848320529&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/3198706870848320529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/3198706870848320529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2009/10/madrugada.html' title='Madrugada'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-4532913814566690306</id><published>2009-10-08T13:11:00.000-07:00</published><updated>2009-10-08T13:13:35.556-07:00</updated><title type='text'>O nascimento de uma estrela</title><content type='html'>&lt;strong&gt;"O processo ocorre quando uma massa gasosa de poeira gira em torno de um centro gravitacional..."&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não, não é nada disso. Vamos começar de novo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Tudo começa com o processo de escolha. Quando se tem a pessoa, é preciso pensar de que forma ela será uma estrela famosa e..."&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, também não é isso.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não é esse nascimento de estrela que eu busco. Não quero a astronomia fria e crua dos complicados livros de física, nem o trabalho que torna um ser humano uma pessoa capaz de se destacar ao representar um papel, seja ele qual for.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Para mim, o nascimento de uma estrela acontece às seis da tarde.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Vamos imaginar...seis da tarde de um dia muito claro e quente, daqueles onde a praia estava cheia mesmo durante a semana, o sol brilhou o tempo inteiro e o céu estava azul brilhante, sem nenhuma nuvem, do tipo azul que cega só de olhar para cima.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Com um pouco de sorte, consigo estar na janela um pouco antes, ali pelas cinco, cinco e meia, no fim desse belo dia. O ponto do dia em que o sol já baixou, deixando para trás as casas e os morros no horizonte, mas a noite ainda não chegou. Como se a luz do sol nos desse o último gostinho de sua presença.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O céu ainda está azul, mas vai mudando para um vermelho rubro, enquanto a luminosidade baixa. Quem vê esse espetáculo, esse momento da vida em que o dia não é dia nem noite, sabe do que estou falando.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E então, aos poucos, a luz vai diminuindo, o céu começa a ficar cinza. Não sei exatamente quando ele escurece totalmente, talvez eu nunca tenha reparado nisso.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Aqui, ou ali, preciso estar muito atento, porque de onde menos espero, a noite quente vai revelar sua primeira e mais bela estrela, a de brilho mais forte e intenso, e que por mais que eu não entenda, parece piscar insistentemente na minha direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto, nasceu. É assim que nasce uma estrela. E quase como um enxame, começam a surgir outras. Primeiro mais uma, depois mais outra, depois uma terceira, quarta, quinta, e daqui a pouco, são centenas de pontinhos de luz brilhando intensamente no céu escuro da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada mais bonito que o nascimento de uma estrela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, antes que eu me esqueça: é claro que elas também nascem em dias frios, em dias cor-de-chumbo, em dias chuvosos, em dias nublados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não tem a mesma graça, nem a mesma poesia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-4532913814566690306?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/4532913814566690306/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=4532913814566690306&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/4532913814566690306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/4532913814566690306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2009/10/o-nascimento-de-uma-estrela.html' title='O nascimento de uma estrela'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-7613303716626638718</id><published>2009-09-13T13:50:00.000-07:00</published><updated>2009-09-13T13:53:25.192-07:00</updated><title type='text'>Por enquanto...é mais um domingo</title><content type='html'>&lt;em&gt;Mudaram as estações / Nada mudou / Mas eu sei que alguma coisa aconteceu / Tá tudo assim tão diferente / Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar / Que tudo era pra sempre, sem saber, que o pra sempre / Sempre acaba...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por Enquanto, Renato Russo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música veio, assim, sem pedir licença. Não está no meu MP3, nem no meu top cinco, nem no top dez, e muito menos eu a ouvi recentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veio assim, naturalmente, como uma mensagem qualquer, como uma resposta para as dúvidas, como um conforto a uma simples pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Alguma coisa mudou de lá pra cá?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei. Mas lembro que os primeiros raios de sol daquela manhã de domingo banhavam os velhos prédios da Lapa enquanto o ônibus seguia, em alta velocidade, rumo à Praia do Flamengo. E enquanto as lágrimas teimavam em rolar pelo meu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que droga, pensava eu. É ridículo. Não deveria deixar ninguém ver. Um homem desse tamanho chorando às seis da manhã de um domingo, depois de uma noite inteira se distraindo, rindo, bebendo, ouvindo histórias, falando bobagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há nada que justifique isso. Nada mesmo. Esse choro parece de outra pessoa, de outro ser, não parece meu. Não sou assim. Ou será que eu sou? Ou será que há algo que justifica tudo isso e não quero admitir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, quem disse que adiantava? O sol continuava subindo, o ônibus continuava seguindo, e eu continuava mal. Às vezes triste, às vezes chorando. Às vezes tentando lembrar...do que mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se a coisa ficar preta, faz uma piada que melhora."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem foi o idiota que inventou isso? Como se fosse simples assim, a gente faz uma piada, ri e daqui a pouco essa tristeza passa. Bem, na verdade é meio assim. Mas é difícil quando a gente teima em guardar as coisas para si, também. Não dá pra rir com tudo isso guardado. Melhor botar tudo para fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No bom sentido, é claro. Mas seria o ônibus na Lapa às seis da manhã de domingo o melhor lugar pra isso? Estaria o álcool me afetando de alguma forma? Ou...alguém estaria me afetando de alguma forma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A memória dá saltos, pulos. Me lembro de gente se despedindo de mim em Copacabana, como se o ônibus não tivesse passado pelo Rio-Sul, por Botafogo. Tomara que eles não tenham reparado em nada, eu não teria cara para encará-los de novo. Ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me lembro do Corte do Cantagalo, e do sol já alto. Sempre adorei voltar para casa esse horário, hoje parece chato. Talvez porque falte alguém pra conversar. Ou talvez porque tenha gente demais no ônibus e eu não possa falar alto e dizer tudo o que penso, sob pena de ser tachado de louco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que seja normal, mas louco também já é demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me lembro da chegada ao Leblon, tão bonito sob o sol das seis da manhã, com seus pássaros cantando, suas ruas simpáticas, gente saindo para fazer exercício. Pô...tem que gostar muito pra fazer exercício essa hora. Ou então ir direto da noite. Tem maluco pra tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não fui fazer exercício, fui para casa. No caminho, xingava, chutava pedras, reclamava. E o Leblon tão bonito. E um dia lindo que nascia. E eu dizendo que passaria o dia emburrado. Como se estivesse de luto por alguma coisa. E cadê o espírito pra fazer uma piada pra melhorar o astral?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem a piada do disque-luto (liga pra lá e ouve um minuto de silêncio), mas era tão ruim que não consegui contar pra mim mesmo. E ela é tão ridícula e tosca que é engraçada, mas nem assim consegui rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E cheguei em casa dizendo que não tinha sido uma noite boa. Por que mesmo, hein? Nem lembro mais. A memória pula de novo, lembro que fiz um belo sanduíche e comi. Passava Chaves na TV, fiz questão de assistir. E no próximo "salto" já ouço a voz de alguém me acordando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E um banho pra recobrar as forças, colocar as ideias em ordem, me refazer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando a música veio, assim, de memória, sem pedir licença. Não está no meu MP3, nem no meu top cinco, nem no top dez, e muito menos eu a ouvi recentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veio assim, naturalmente, como uma mensagem qualquer, como uma resposta para as dúvidas, como um conforto a uma simples pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Alguma coisa mudou de lá para cá?"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-7613303716626638718?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/7613303716626638718/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=7613303716626638718&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/7613303716626638718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/7613303716626638718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2009/09/por-enquantoe-mais-um-domingo.html' title='Por enquanto...é mais um domingo'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-8087195674419512684</id><published>2009-09-02T17:29:00.000-07:00</published><updated>2009-09-02T17:30:48.219-07:00</updated><title type='text'>Perdidos e achados</title><content type='html'>Cheguei em casa, entrei no quarto, e quando me dei conta...ela não estava lá.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Por um instante achei que tivesse me enganado. Onde será que poderia estar? Comecei a procurá-la pela casa inteira.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas...que nada. Nem sinal. Nem sombra. E nenhuma resposta aos meus apelos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Então, talvez...bem...estivesse na padaria. É...às vezes ela ficava por lá naquele horário, esquecida ali pelo balcão. Não custava nada ir verificar. Então, coloquei os sapatos, desci as escadas e fui atrás dela.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Pela rua, a angústia era enorme. Como isso podia ter acontecido? Não era possível que eu a tivesse perdido assim, num mísero instante. Não era possível que tivesse sumido sem mais nem menos, sem motivo, sem razão. E ela era tão importante para mim...e sabia bem disso.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Cheguei na padaria, e em vez de perguntar por ela, saí procurando. Passei o olhar por todos os cantos, todos os lugares, da porta à entrada da cozinha, e nada. Do balcão à caixa, nada ficou por ser verificado. Perguntei por ela.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Voltei para casa desanimado, desolado, as mãos nos bolsos. Subi...e tive um estalo. Fui verificar o armário.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Vazio. Lá dentro não havia nada. Absolutamente nada. Fiquei desolado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E num instante, percebi tudo. Era tudo tão claro para mim. Tão óbvio. Já sabia onde ela estava, e tinha de ir atrás dela o mais rápido possível.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Voltando à sala, mexi nas malas que havia comprado e arrumado naquele dia mesmo. Que cabeça a minha...esquecer uma coisa como aquela. É claro que ela só podia estar lá.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em uma das malas, puxei uma etiqueta e verifiquei que havia um telefone. Peguei o celular e disquei.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Contei a história a quem atendeu do outro lado. Perguntei por ela. Tinha que estar lá.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A busca foi em vão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nunca soube onde diabos perdi a minha carteira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-8087195674419512684?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/8087195674419512684/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=8087195674419512684&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/8087195674419512684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/8087195674419512684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2009/09/perdidos-e-achados.html' title='Perdidos e achados'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-4641662801772421794</id><published>2009-08-31T14:49:00.000-07:00</published><updated>2009-08-31T14:50:45.141-07:00</updated><title type='text'>Reflexos</title><content type='html'>Os óculos escuros do pai fascinavam o menino.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estavam sempre lá, pendurados no peito, presos à gola da camisa dele; balançavam quando se abraçavam, e se moviam sempre para lá e para cá. O movimento era muito rápido, suave...quase hipnótico.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Na primeira oportunidade, o menino pegava-os entre seus dedos e examinava-os. Quem sabe, buscando alguma resposta para aquele fascínio por trás das lentes escuras, das hastes pretas, daquela estranha marca vermelha e branca que ficava nas laterais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurava entendê-los, quem sabe; virava-os do avesso, de cabeça para baixo, o colocava no braço do sofá, em cima da mesa, na beira do vaso de plantas. Depois, em si próprio e no próprio pai. E tirava de novo, e examinava, e buscava entender algo tão simples. Olhava bem para ele...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se via refletido nele...naquelas lentes cinza-escuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai achava graça, ria, procurava mostrar o óculos. "Tá com o óculos do pai?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta soa óbvia, mas parecia cheia de orgulho para o menino. E ele punha em si mesmo, e tirava de novo, e colocava na própria gola de sua pequena camiseta, e por fim o largava em um canto qualquer da casa, distraído com outros brinquedos e outros pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o momento em que o pai pegava-os de volta, colocava em si mesmo - ou na gola da camisa, ou no alto da cabeça - e ia embora...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passou. O menino virou homem, cresceu. E sem se dar conta, comprou seu próprio óculos escuro - seja no singular ou no plural, o que ele menos queria saber era do português. Queria seu próprio óculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas já não havia o mesmo fascínio, o mesmo olhar de antes, a mesma empolgação. A mesma curiosidade, o mesmo exame, tentando entender algo tão simples. Comprara o óculos para...para...para que, mesmo? Nem ele próprio sabia direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o óculos ficou lá, jogado em um canto da casa, guardado no estojo. Como mais da metade das coisas em seu quarto. Como mais da metade das coisas em sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o dia em que o sol o chamou, e o "menino" se lembrou de seu "velho" óculos. Respirou. Tinha um. Seria útil agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abriu o estojo, colocou no rosto, se olhou no espelho. Perfeito. E lá foi ele atrás do sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi e voltou. Mas o dever o chamava, e lá foi ele de novo. Desta vez, se lembrou do "velho", e foi com ele. No caminho, tirou o óculos para enxugar o suor do rosto...e olhou bem para ele...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se viu refletido naquelas lentes cinza-escuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tá com o óculos do pai?", perguntou uma voz em sua cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não, esse aqui é meu", respondeu ele para si mesmo. "Eu agora tenho o meu próprio."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois de examinar o óculos atentamente, virá-lo de cabeça para baixo, olhar a marca e o reflexo, enxugou o suor do rosto, botou o óculos de novo, e seguiu seu caminho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-4641662801772421794?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/4641662801772421794/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=4641662801772421794&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/4641662801772421794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/4641662801772421794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2009/08/reflexos.html' title='Reflexos'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-2793899850650630648</id><published>2009-08-20T20:25:00.000-07:00</published><updated>2009-08-20T20:27:32.134-07:00</updated><title type='text'>A vontade e a dúvida</title><content type='html'>&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CRafael%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:595.3pt 841.9pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:35.4pt; 	mso-footer-margin:35.4pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;A vontade é de gritar, dar um berro daqueles quase intermináveis.&lt;br /&gt;De que adianta escrever dizendo que parei de sonhar, se isso em si não passa de um sonho? E de que adianta trabalhar tanto, se no fim o que se faz parece valer tão pouco? Se o que se faz em horas e dias é destruído em questão de minutos...&lt;br /&gt;A vontade às vezes é de sumir. E a sensação é de cansaço puro, eterno, de um desgaste que nasce há algum tempo e vem desembocar hoje, quando alguma coisa idiota qualquer desperta tudo o que está guardado.&lt;br /&gt;Vontade de sumir, sei lá, de ir para outro lugar. Que não é a quadra do Salgueiro, mas também não é melhor, nem pior...é apenas diferente. Péssima tentativa de fazer piada, reconheço.&lt;br /&gt;A vontade é de dar um tempo mesmo, de desaparecer por uns dias, do tipo que nem as melhores férias do mundo conseguem. De simplesmente passar uma temporada em paz, refletindo, pensando, tentando entender...&lt;br /&gt;Tentando mudar.&lt;br /&gt;Eu sei, eu sei que não é o certo. A mudança está aqui, não lá fora. A mudança está em mim, está nas minhas ideias, nas minhas atitudes, e sumir manterá as coisas apenas como estão...&lt;br /&gt;Mas o que posso fazer, se no fundo sinto vontade de sumir por uns tempos? Lutar contra isso? Enfrentar isso? Tentar transformar isso? Mas como, se é a vontade mais pura e profunda, a mais desejável?&lt;br /&gt;Se o cansaço parece tão chato para um jovem de 20 e poucos anos...e se há coisas que não se pode transformar...&lt;br /&gt;Ah, a vontade. Senhora de si...ou escrava de mim mesmo?&lt;br /&gt;Quem sabe...quem sabe não fica para o próximo texto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-2793899850650630648?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/2793899850650630648/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=2793899850650630648&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/2793899850650630648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/2793899850650630648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2009/08/vontade-e-duvida.html' title='A vontade e a dúvida'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-1874189671730987485</id><published>2009-07-14T14:45:00.000-07:00</published><updated>2009-07-14T14:53:48.943-07:00</updated><title type='text'>Pérolas do futebol</title><content type='html'>Algumas circulam há tempos pela Internet, outras eu mesmo adicionei. Nem todas tem autoria confirmada, mas certamente são muito divertidas. Aceito contribuições.  =)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Chegarei de surpresa dia 15, às duas da tarde, vôo 619 da VARIG."&lt;/strong&gt; (Mengálvio, ex-meia do Santos , em telegrama à família quando em excursão à Europa )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Tanto na minha vida futebolística quanto com a minha vida ser humana."&lt;/strong&gt; (Nunes, ex-atacante do Flamengo, em uma entrevista antes do jogo de despedida do Zico)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Que interessante, aqui no Japão só tem carro importado."&lt;/strong&gt; (Jardel, ex-atacante do Grêmio)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"As pessoas querem que o Brasil vença e ganhe."&lt;/strong&gt; (Dunga, em entrevista ao programa Terceiro Tempo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Eu, o Paulo Nunes e o Dinho vamos fazer uma dupla sertaneja."&lt;/strong&gt; (Jardel, ex-atacante do Grêmio)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"O novo apelido do Aloísio é CB, Sangue Bom."&lt;/strong&gt; (Souza, meio-campo do São Paulo, em uma entrevista ao Jogo Duro)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"A partir de agora o meu coração só tem uma cor: rubro-negro."&lt;/strong&gt; (Fabão, zagueiro, assim que chegou no Flamengo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Eu peguei a bola no meio de campo e fui fondo, fui fondo, fui fondo e chutei pro gol..."&lt;/strong&gt; (Jardel, ex- jogador do Vasco e Grêmio, ao relatar ao repórter o gol que tinha feito)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"A bola foi indo, indo, indo... e iu!"&lt;/strong&gt; (Nunes, jogador do Flamengo da década de 80 - ou Paulo Nunes, que atuou no Fla no início da década de 90)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Cristo nasceu."&lt;/strong&gt; (Claudiomiro, ex-meia do Inter de Porto Alegre, ao chegar em Belém do Pará para disputar uma partida contra o Paysandu, pelo Brasileirão de 72)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Nem que eu tivesse dois pulmões eu alcançava essa bola."&lt;/strong&gt; (Bradock, amigo de Romário, reclamando de um passe longo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"No México que é bom. Lá a gente recebe semanalmente de 15 em 15 dias."&lt;/strong&gt; (Ferreira, ex-ponta esquerda do Santos )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe."&lt;/strong&gt; (Jardel, ex-atacante do Vasco, Grêmio e da Seleção)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"O meu clube estava à beira do precipício, mas tomou a decisão correta, deu um passo à frente."&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;(João Pinto, jogador do Benfica de Portugal)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Na Bahia é todo mundo muito simpático. É um povo muito hospitalar."&lt;/strong&gt; (Zanata, baiano, ex-lateral do Fluminense, ao comentar sobre a hospitalidade do povo baiano)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático e gramático."&lt;/strong&gt; (Vicente Matheus, eterno presidente do Corinthians)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"O difícil, como vocês sabem, não é fácil."&lt;/strong&gt; (Vicente Matheus)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Haja o que hajar, o Corinthians vai ser campeão."&lt;/strong&gt; (Vicente Matheus)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"O Sócrates é invendável, inegociável e imprestável."&lt;/strong&gt; (Vicente Matheus, ao recusar a oferta dos franceses)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"A moto vou guardar pra mim e o rádio vou dar pra minha avó."&lt;/strong&gt; (Biro Biro, ex-jogador do Corinthians - ou Josimar, ex-lateral do Botafogo - ao ser perguntado por um repórter o que iria fazer com o Motorádio que ganhou como prêmio de melhor jogador de uma partida)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Comigo ou sem migo meu time vai ganhar."&lt;/strong&gt; (Fio Maravilha, ex-jogador do Flamengo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Apresento a vocês nosso novo atacante, o Lero Lero. Hein? É Biro Biro? Ah...Lero Lero, Biro Biro, é tudo a mesma coisa!"&lt;/strong&gt; (Vicente Matheus, ex-presidente do Corinthians, ao apresentar o jogador Lero Lero, digo...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Quero dar as boas-vindas a nosso novo técnico, Paulo César Carcejano...Carcejani...Carcejana..."&lt;/strong&gt; (Alberto Dualib, ex-presidente do Corinthians, tentando apresentar o treinador Paulo César "Carpegiani")&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Fingi que fui, não fui, mas acabei fondo."&lt;/strong&gt; (Jairzinho, ex-atacante do Botafogo e da Seleção, explicando como deu um elástico em um adversário)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Tô muito feliz de ter feito esse gol, muito agradecido por essa torcida, e quero mandar um abraço a todos porque hoje é dia das mãe..."&lt;/strong&gt; (Desconhecido jogador do América comemorando vitória por 1 a 0, gol dele, no dia das mães)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Clássico é clássico e vice-versa."&lt;/strong&gt; (Jardel, ex-atacante do Grêmio, Vasco e Seleção)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Jogador é o Didi, que joga como quem chupa laranja…”&lt;/strong&gt; (Neném Prancha, ex-roupeiro do Botafogo, ex-técnico de futebol de praia e filósofo da bola)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Jair Pereira vai sair. Acabei de receber uma telefonema dos Emigrados Árabes..."&lt;/strong&gt; (Antigo dirigente do América, revelando a "Emigrada" do treinador)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-1874189671730987485?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/1874189671730987485/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=1874189671730987485&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/1874189671730987485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/1874189671730987485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2009/07/perolas-do-futebol.html' title='Pérolas do futebol'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-2102153332416781754</id><published>2009-07-13T14:14:00.000-07:00</published><updated>2009-07-13T14:15:18.780-07:00</updated><title type='text'>Ela nem sabe...</title><content type='html'>Ah...ela é tão linda...tão meiga...tão bonita...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem sabe que eu existo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os dias passo por ela, a vejo. Paro, fico olhando, assim, meio como quem não quer nada, mas...pensa que adianta?&lt;br /&gt;Que nada, ela continua lá, na dela, como se nada tivesse acontecido. Nem me nota, nem nada. Não fala, não diz, não responde, finge que não é com ela. Ah, como dói, apenas ficar olhando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, se eu tivesse uma chance de conversar com ela, dizer alguma coisa ou coisa nenhuma. Se ela pudesse me ler agora...ou me ver agora, quem sabe...eu diria tudo. Diria que foi uma coisa assim, de olhar e gamar, sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daquelas que a gente passa a vida toda rejeitando, e quando acontece, fica com cara de bobo. Do tipo de rir sozinho, de ficar feliz por motivo algum, e de se sentir motivado do nada, por coisa alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto é, quando acontece, né? Por enquanto...continuo só olhando. Só vendo. Só sonhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela na dela, como se nada tivesse acontecido. Não vê, não fala, não responde, nada, finge que nem me vê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que de perto ela é tão bonita quanto na foto?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-2102153332416781754?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/2102153332416781754/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=2102153332416781754&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/2102153332416781754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/2102153332416781754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2009/07/ela-nem-sabe.html' title='Ela nem sabe...'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-2845535152319994920</id><published>2009-07-01T16:48:00.000-07:00</published><updated>2009-07-01T16:49:58.044-07:00</updated><title type='text'>A pergunta que não quer calar</title><content type='html'>A "onda" passou, de certa forma perdi o bonde da história, mas a pergunta ficou no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basta tocar no assunto que ela surge, assim, como quem não quer nada.&lt;br /&gt;Lembra o enigma de Dom Casmurro, mas está mais para o mistério que envolve a morte de Quincas Berro D´Água, onde se supõe a verdade com base nos indícios, mas nada daquilo tem como ser provado. Bem ao contrário do enigma machadiano, tão perfeito (ou quase) que a dúvida permanece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, Wilson Simonal mandou bater ou não em seu contador? E a essa pergunta se soma outra, menos dita: teria realmente o contador roubado o dinheiro do cantor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A discussão se tornará eterna, visto que Simonal morreu e ninguém envolvido no episódio, exceto o próprio contador, apareceu para dar sua versão. E sem versões, há poucas chances de construir os fatos. Estaríamos sendo parciais demais, a um ponto de transformar em fato a visão de um lado da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fato é que essa história gerou uma reação em cadeia que ninguém esperava, e que culminou com o esquecimento total e absoluto de Simonal, um raro talento musical, talvez o maior cantor brasileiro (autêntico) de todos os tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica a pergunta no ar...para ser pensada, discutida, após um filme que deve ser visto por todos aqueles que apreciam música e cultura. A essa altura, já deve estar fora dos cinemas, mas...viva o DVD.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, Wilson Simonal traiu ou não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, não era bem essa a pergunta, mas...vocês entenderam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-2845535152319994920?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/2845535152319994920/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=2845535152319994920&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/2845535152319994920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/2845535152319994920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2009/07/pergunta-que-nao-quer-calar.html' title='A pergunta que não quer calar'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-83121603563574463</id><published>2009-06-30T14:09:00.000-07:00</published><updated>2009-06-30T14:10:47.206-07:00</updated><title type='text'>O sonhador e "o não"</title><content type='html'>Meteu a mão no bolso, puxou fundo, afastou a carteira e tirou a chave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suspirou, limpou as lágrimas do rosto, fungou e meteu a chave na fechadura. Não, não o veriam chorando. Não podiam, simplesmente era algo constrangedor, exagerado, forte demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O choro escondia a decepção, a frustração e a desilusão, após uma certeza que o inundara com uma força tremenda durante tantas semanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, mais do que isso, lhe perguntariam o porquê. Iam querer saber detalhes, dar conselhos, fazer comentários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentários...isso era tudo o que ele não precisava naquele momento. Sua única vontade era pensar, ficar sozinho, raciocinar. Ele próprio não estava entendendo o motivo de tamanho choro. Afinal...ela dissera apenas "não". Simples assim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisava pensar. Mas, antes de pensar, precisava abrir a porta, entrar em casa. Não podia ficar parado no corredor tentando controlar o choro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou. A velocidade dos passos estava acima do normal, é verdade, mas depois ele contaria que disfarçou bem. Mas era difícil continuar disfarçando em uma casa com quatro pessoas, então a saída era o chuveiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reflexão não ajudou. Não conseguia pensar direito, o barulho da água caindo o distraía. Deixou as lágrimas rolarem. "Por quê?", se perguntava. "Mais uma vez...por quê? O que de mais está errado?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não achou a resposta, e depois achou que não havia nenhuma. Mas decidira conversar com alguém, dividir as angústias, os problemas, já que sozinho não era possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E decidiu conversar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chuva já havia passado, agora restava apenas a rua molhada. No corpo, levava sua velha capa de chuva (que a mãe ironizava, dizendo que estava grande e que parecia "do irmão mais velho") e, nas mãos, carregava um guarda-chuva automático, fechado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No rosto, a expressão era dura, irritada, furiosa. A mesma que quase fora de choro há pouco mais de dez minutos. "Por quê?", dizia de si para si, enquanto descia a Rua Lopes Quintas. "Por que me mandou ir até lá? Não podia me dizer tudo pelo telefone? Me fez subir para dizer que eu deveria descer e ficar por aqui? Quem pensa que é, para me tratar desse jeito? E ainda me deu este telefone aqui. Vou jogar esta porra no lixo, não quero nem saber. Vá à merda, esteja onde estiver".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irritado, ele chutava pedrinhas, andava com o passo duro, embrutecido. A raiva escondia a decepção, a frustração após uma certeza que o inundara com uma força tremenda durante as últimas semanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabia quando a raiva passaria, mas não desistiu. Ainda irritado, lembrou que a esperança se renovaria no dia seguinte. "Desta vez...vou colocar as cartas na mesa."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou no "horizonte" da rua, viu o ônibus e fez sinal. O coletivo parou, ele entrou. Vestia camisa social, calça jeans, sapato. Depois de passar o cartão na roleta, se sentou, tirou o MP3 do bolso, ligou e começou a ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma da tarde. Estava adiantado...melhor assim, pensou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Distraído, ouvia música enquanto pensava no dia de trabalho que teria pela frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que surgiu a idéia. Veio rápida como um raio, atravessando a mente sem pedir licença - aliás, isso andava acontecendo bastante ultimamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou a se lembrar de quanta coisa conquistara nos últimos tempos. A começar pela música que ouvia. Listando mentalmente, percebeu quantas coisas boas haviam acontecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se lembrou de que isso começara em algum ponto. Sim...como pudera esquecer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia em que ela disse "não".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ah, se eu pudesse dizer isso a ela. Não...não lhe daria esse gostinho. Que bom que é melhor do jeito que é."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorriu e aumentou o volume da música enquanto o ônibus entrava no Túnel Rebouças.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-83121603563574463?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/83121603563574463/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=83121603563574463&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/83121603563574463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/83121603563574463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2009/06/o-sonhador-e-o-nao.html' title='O sonhador e &quot;o não&quot;'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-1279099037328501022</id><published>2009-06-25T21:22:00.000-07:00</published><updated>2009-06-25T21:29:15.792-07:00</updated><title type='text'>Fevereiro</title><content type='html'>&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CRafael%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:595.3pt 841.9pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:35.4pt; 	mso-footer-margin:35.4pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;           Às vezes acho que já li isso em algum lugar. Teria sido em um poema de Drummond ou num texto de Paulo Mendes Campos? Ou em uma música de Vinícius, Tom e/ou Elis Regina?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Não sei, não importa. Mas sei que fevereiro é a cara do Rio.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Tem mês mais carioca que fevereiro? Ah, não tenho dúvida que não.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Fevereiro é mês quente, mês de calor, auge do verão. Não tem pra dezembro nem janeiro, muito menos março.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Mas é um verão, assim, que é bem verão mesmo. Os dias de fevereiro parecem mais quentes que os outros. Antes dele, o verão parece que ainda está começando, e quando fevereiro acaba, o verão vai indo embora...como diria a Elis, são as tais “águas de março" fechando o verão. Nada mais sábio.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Pensar em fevereiro me lembra praia, mas aquela praia com solzão, sol à pino mesmo, de nove da manhã às seis da tarde, com um calor de rachar e onde não bate um ventinho sequer, com meninas de biquíni estiradas na areia, de bunda para cima, pessoas jogando vôlei e futebol, crianças comendo queijo coalho e sanduíche natural, surfistas esbarrando em mulheres histéricas. E nada de bater um vento pra aliviar.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            Fevereiro não tem o ar chuvoso de dezembro e janeiro e nem os dias um pouco menos quentes de março. Não tem dias nublados “clássicos”, daqueles em que o sol não dá as caras; no máximo tem um dia “meio-lá-meio cá”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Fevereiro também é um mês engraçado porque faz sempre calor. Pode chover, cair um verdadeiro temporal, que a gente continua sentindo calor.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Fevereiro também me lembra os dias cariocas mais quentes, às vezes quase insuportáveis, em que é preciso tomar banho cinco vezes para não ter a sensação de que se está derretendo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;E como falar de Fevereiro sem falar das meninas com pouca roupa, que tiram a atenção, fazem a gente quase bater no poste ao virar para olhar para trás...vão andando devagar, naquele jeito que só elas sabem, dominando, escravizando nosso pobre (ou seria rico?) olhar...ah, às vezes o calor é tão generoso, não é mesmo?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E por mais que elas andem assim em todo o verão (e algumas vezes, o ano todo), parece que em fevereiro fica mais fácil reparar. Sabe aquela história “tá um calor aqui...”? Pois é...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;E como falar desse mês sem lembrar que parece um mês de volta de férias, mesmo que não seja? É o tempo em que nos damos conta que o ano está começando de fato, que janeiro já ficou para trás, e que vem aquele engraçadinho dizer “ih, o ano tá voando!”.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Quando lembro de fevereiro, também lembro do anoitecer do centro do Rio, da Avenida Rio Branco, ali perto do edifício Avenida Central, aquela noite que cai devagar, aos poucos, com o sol descendo e as pessoas apressadas voltando para casa. É só um dia normal, mas em fevereiro...parece especial, não sei.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Claro que fevereiro é especial também por juntar algumas das maiores paixões cariocas: futebol, praia e carnaval. É a época em que o Campeonato Estadual de futebol floresce, época dos blocos de rua (já foi dos bailes...) que estão se estendendo e começando a tomar o mês todo,  é a época do Carnaval...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Carnaval que é mais que aquele desfile na Sapucaí ou aqueles quatro dias de folia, é um estado de espírito, é um momento, um pedaço da vida, que vai sendo colado aos poucos com os outros que vão sendo vividos a cada ano. Para depois dizer: “Ah, tenho ótimas lembranças do Carnaval”, como se tivesse sido um só tempo, uma só época...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;E nem me venham falar em Carnaval em março, porque como já disse, é estado de espírito, e isso não tem data.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Aliás, tem: fevereiro. Que, por sinal, é muito mais que um mês.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;É um estado de espírito.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Junto com o Carnaval e a Praia, o mais carioca de todos os estados de espírito.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-1279099037328501022?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/1279099037328501022/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=1279099037328501022&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/1279099037328501022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/1279099037328501022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2009/06/fevereiro.html' title='Fevereiro'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-4602026886954980063</id><published>2009-04-09T14:48:00.001-07:00</published><updated>2009-04-09T14:48:39.657-07:00</updated><title type='text'>Qual é o crime?</title><content type='html'>Outro dia, na Auto Escola, o professor da aula teórica estava revoltado com o código de trânsito, com as leis do país, com a situação da violência e com as mortes no trânsito. Enfim, com tudo e mais um pouco. "Isso que estamos vivendo é o país da sacanagem. O próximo passo vai ser criminalizar a honestidade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que bobagem, pensei. Isso jamais aconteceria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando em casa, minha mãe fazia imposto de renda, e discutia com a minha tia formas de burlar o fisco. "Então não declaro isso tudo...o que você acha? Será que me pegam na malha fina?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que minha tia se afastou, comentei numa boa: "Mãe, não faz isso, você sabe que é errado". Para que... "Ah, você não entende, você não sabe de nada, não sabe o que é ter despesa, e pagar dinheiro ao governo para eles nos roubarem".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao sair do quarto, ouvi ela dizendo à minha tia para comprar um bolinho e levar à enfermeira da vovó no hospital. "Tá vendo, mãe? Depois você fala dos políticos. Tá fazendo igualzinho. Isso é corrupção, é suborno. Vovó tem que ser bem tratada naturalmente". "O que é, filho? Virou bastião da honra e defensor da moral? Não é corrupção, é só um agrado, não tem nada de mais".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui trabalhar, e na volta, peguei carona com meu chefe. Cansou de ultrapassar pela direita e não dar passagem a ninguém. E ainda se irritou quando eu quis guardar um papel de bala no bolso. "Joga fora pela janela, porra. Depois o gari limpa". Não adiantou argumentar, ele estava irredutível e me forçou a atirar o papel fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caminho, ele foi parado por um guarda. Estava com o documento vencido, e o policial exigiu uma "cerveja" para liberar o carro. "Tem algum aí? Depois eu te dou", ele me disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não vou dar dinheiro para subornar guarda, porra. Você está errado, tem que pagar, apenas isso."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que...me olhou de cara feia o resto do caminho. Ele e o guarda, que acabou aceitando liberar o carro sem cerveja nem nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, fui fazer uma matéria, e na volta, conversava sobre desonestidade com o motorista do jornal. "Pois é, esses deputados, senadores, vereadores...tudo envolvido em esquema, tudo safado, ninguém presta", dizia ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pois é. E o pior é que a maioria das pessoas reclama muito, mas se estivesse lá, fazia igual".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ficou calado, e depois de alguns instantes, mandou na lata... "É...se eu estivesse lá...eu também faria esquema, ué. Ia arrumar o meu. Todo mundo faz, porque eu não vou fazer?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizer o que? Fiquei calado. O exemplo estava mais do que dado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor estava certíssimo...exceto por um detalhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é preciso uma lei para criminalizar a honestidade no país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela já virou delito hediondo há tempos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-4602026886954980063?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/4602026886954980063/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=4602026886954980063&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/4602026886954980063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/4602026886954980063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2009/04/qual-e-o-crime.html' title='Qual é o crime?'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-2364099484721296422</id><published>2009-02-20T16:07:00.000-08:00</published><updated>2009-02-20T16:08:37.538-08:00</updated><title type='text'>Sonho ou Utopia, Absoluto ou Relativo?</title><content type='html'>Uma noite eu tive um sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonhei que estava acordando para ir trabalhar, e que era um belo dia de sol. Depois de tomar café, eu pegava um jornal e começava a ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lia que a taxa de homicídios no Rio havia caído pela metade em um ano, com dados de um instituto sério e independente, sem ligação com as autoridades. E o de roubos estava em queda há dois anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na parte política, a principal notícia era sobre corrupção. Políticos andavam com medo de suas tramóias serem descobertas, e evitavam a imprensa, pois vários colegas já haviam ido para a cadeia, e outros, perdido todos os seus bens, com uma série de sanções à própria vida, obrigados a depender do serviço público, depois de comprovadas as acusações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que o governo anunciava novo recorde de empregos, reiterando a necessidade de trazer estrangeiros, o que já gerava reclamações por parte da população.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na seção de Esportes, havia notícias dizendo que o Flamengo estava conseguindo pagar suas dívidas, que Fluminense e Vasco não brigavam mais, que o Botafogo não se remoía mais por suas derrotas, que os quatro grandes do futebol Carioca brigavam pelo título nacional. E que os outros esportes estavam crescendo. Éramos campeões mundiais de vôlei, basquete, handebol, natação, ginástica, vela, iatismo, entre outros, e apontados como a maior potência olímpica da história, graças a um belíssimo projeto social esportivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de tomar café, eu ia para a praia. O mar era de um azul-brilhante sem fim, sem poluição. E tampouco havia cachorros na areia. Em vez deles, tínhamos turistas, de todas as partes do mundo, admirando a beleza e a tranquilidade do verão carioca, a amabilidade do povo, o jeito caloroso com que os cariocas recebem e tratam as pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de dar uma volta por aí, respirando o ar mais puro da tranquilidade - não absoluta, mas relativa -  voltava para casa para almoçar, e ia trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vez de ônibus sujos, quentes e fedidos, com gente quase caindo do lado de fora a cada freada, eu ia de metrô. Um metrô como é hoje, sério e organizado, mas com mais de dez linhas, ligando cada canto da cidade. Sem falar em barcas, trem suspenso, ônibus em corredores exclusivos. Mas, como nada era perfeito, tinha muita gente reclamando dos altos preços das passagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E descendo da estação em direção ao trabalho, podia andar com calma. Atento, sempre - nunca se sabe o que se encontra na rua - mas tranquilo. Enquanto isso, um grupo de policiais levava para a delegacia um menor que tentara roubar a carteira de uma senhora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma paz, uma paz não absoluta, mas relativa, que me permitia pensar apenas nos problemas do trabalho, no que ia fazer à noite, em como gastar o dinheiro que sobrava no fim do mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como nada era perfeito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei e percebi que era apenas um sonho. Não um sonho absoluto...mas...relativo. Será que não era melhor ter continuado dormindo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-2364099484721296422?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/2364099484721296422/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=2364099484721296422&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/2364099484721296422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/2364099484721296422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2009/02/sonho-ou-utopia-absoluto-ou-relativo.html' title='Sonho ou Utopia, Absoluto ou Relativo?'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-8431771531095345229</id><published>2008-12-22T15:00:00.000-08:00</published><updated>2008-12-22T15:01:36.497-08:00</updated><title type='text'>O tempo endoidou</title><content type='html'>Nos últimos meses, uma das frases que mais tenho ouvido é "este tempo está doido". No Verão, cai um dilúvio; no Inverno, fica um sol de rachar, dizem muitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordo, até, mas acho que não são só os fenômenos da natureza que andam loucos, nosso tempo cronológico-psicológico também endoidou. Se não, vejamos...ando por aí e nem parece que é dia 22 de dezembro. Nem parece que o Ano-Novo vem aí, não ouço ninguém falar nisso. E por outro lado, já vejo bandas e blocos de Carnaval caindo na folia, em pleno dia 18 de dezembro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas ruas, poucas casas estão enfeitadas. Por toda parte, parece haver menos árvores de natal, menos animação, menos pessoas felizes. Onde estão as lampadinhas de pisca-pisca que simbolizam essa época? E as estrelas, e os gorros de Papai Noel? Será que o espírito de Natal desapareceu, como muitos profetizavam que aconteceria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não vejo ninguém fazendo planos, resoluções de Ano-Novo, comentando o que esperam para os tempos vindouros. As únicas coisas que tenho ouvido são "este tempo está doido", "como o tempo está passando rápido", "nossa, esse ano voou".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voou mesmo. Minha mãe tem a teoria de que o tempo anda passando tão rápido que perdemos a noção do mesmo. Assim, o Natal entra pelo Ano-Novo, que entra pelo Carnaval, e Páscoa, e Dia da Criança, e daqui a pouco tudo vai passar tão rápido que teremos uma data comemorativa a cada dois dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não duvido, não duvido. Hoje mesmo me dei conta "putz, já é 22 de dezembro, daqui a dois dias é Natal". Nem parece que passou assim, tão rápido. Me lembro de estar, "ontem", na praia de Copacabana, brindando a chegada de 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levei sete minutos pra escrever esse texto...putz, como passou rápido!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-8431771531095345229?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/8431771531095345229/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=8431771531095345229&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/8431771531095345229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/8431771531095345229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/12/nos-ltimos-meses-uma-das-frases-que.html' title='O tempo endoidou'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-6709860958607373070</id><published>2008-12-18T15:19:00.000-08:00</published><updated>2008-12-18T15:20:33.664-08:00</updated><title type='text'>Era só um aperto de mão...</title><content type='html'>Outro dia estava no ônibus, indo para o trabalho, quando vi dois amigos que se encontraram. Na hora de se cumprimentar, ergueram as mãos no ar e bateram com força uma contra a outra, naquele aperto de mão que faz barulho. E fiquei assim, pensando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'POC' para mim é o melhor som que descreve esse encontro das mãos no ar. É engraçado porque geralmente é usado em tom de informalidade, entre amigos mesmo. Pessoas conhecidas mas nem tanto, ou que ainda estão se conhecendo, ou que simplesmente se cumprimentam, geralmente apenas apertam as mãos sem barulho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca tinha reparado como é bonito esse aperto de mão 'barulhento', nem quanta coisa ele representa. Uma amizade verdadeira, um encontro de duas pessoas que se gostam, de amigos que não se vêem há tempos. Cumplicidade, amizade, sinceridade, enfim, todos esses sentimentos de que tanto precisamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um gesto bonito, precedido por todo um movimento, erguer a mão no ar, levá-la para a frente com força, até encontrar a outra. Há todo um ritual, toda uma preparação. E o mais bonito é que é quase automático, quase simples...ninguém pensa antes de dar um aperto de mão assim, é espontâneo, natural, leve, desobrigado, sem pressa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio à tanta poluição sonora, de buzinas, carros, ônibus, ronco de motos, conversas em voz alta, músicas que se misturam, barulhos de rádio e TV, de sapatos tocando o chão, de coisas caindo, o som das mãos se encontrando no ar parece tão puro e simples quanto o ar sem poluição.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-6709860958607373070?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/6709860958607373070/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=6709860958607373070&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/6709860958607373070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/6709860958607373070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/12/era-s-um-aperto-de-mo.html' title='Era só um aperto de mão...'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-3571573433974048691</id><published>2008-12-18T09:58:00.000-08:00</published><updated>2008-12-18T09:59:51.348-08:00</updated><title type='text'>A busca</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Ando por aí querendo te encontrar / Em cada esquina paro em cada olhar / Deixo a tristeza e trago a esperança em seu lugar...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Palavras ao Vento - Marisa Monte&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Não sei onde está. Então, um reflexo. Desço as escadas correndo, saindo de casa. De repente pareceu que o enxerguei no prédio ao lado. Estava lá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não estava, foi só impressão. Foi só um reflexo mesmo. Chateado, decido não voltar para casa. Vou andar um pouco mais por aí, quem sabe não o encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como diz a letra daquela música, paro em cada esquina, em cada olhar. Mas só vejo impressões, reflexos, idéias. Ele não estava ali, em nenhum lugar. Nos olhos de ninguém - nem daquela menina bonita, nem daquele senhor, nem nos daquela velhinha, nem nos daquele cara engravatado, nem daquela mulher que está indo trabalhar. Não, definitivamente, não achei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo a busca, andando por aí, ermo, sem rumo nem tempo. Por quanto terei procurado? Não sei, não importa mais. Agora a busca me absorve, me intima, me envolve, me faz correr atrás apenas disso.&lt;br /&gt;As ruas do Leblon parecem pequenas demais. Ipanema é longe demais, talvez ele não esteja por lá. Irei para lá depois. Agora vou procurar aqui...aqui é o lugar dele, nesse bairro, foi aqui que ele cresceu, foi aqui que viveu, se construiu. Tem de estar por aqui, em algum lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me pergunto como será ele. Sério? Engraçado? Cômico? Bobo? Inteligente? Sereno? Chato? Teimoso? Perfeccionista? Insistente? Esquisito? As dúvidas agora me consomem, e tornam a busca mais frenética, mais intensa, mais difícil, e ao mesmo tempo, mais envolvente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da praia ao Clube do Flamengo, da subida da Niemeyer ao Jardim de Alah, da Padaria 686 ao Mc Donald´s da Praça Cazuza, do shopping à Praça Antero de Quental...não há um canto que fique sem vasculhar, não há nada que não seja procurado, nenhum local escapa à vigia atenta e séria, ao olhar de desejo, de busca, de procura, de encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no fim, volto para casa entre o ar triste e o ar desolado, cabeça baixa, mãos nos bolsos da calça jeans. Às vezes acho que busco a procura, e não a solução. Mas, que importa...no fim, continuo procurando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde estou eu? E afinal, quem sou eu?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-3571573433974048691?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/3571573433974048691/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=3571573433974048691&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/3571573433974048691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/3571573433974048691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/12/busca.html' title='A busca'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-3899253390477732463</id><published>2008-11-22T11:34:00.000-08:00</published><updated>2008-11-22T11:41:49.490-08:00</updated><title type='text'>Noite de goleada</title><content type='html'>São oito da noite de um dia qualquer. Mais precismente, uma quarta-feira. A essas horas, eu estaria me preparando para sair do trabalho e ir para casa. Mas...hoje não. Especialmente hoje, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou, mais precisamente, em um carro, no meio do bairro de São Cristóvão, indo em direção ao Maracanã. Hoje é dia de futebol. Para mim, é mais do que um jogo, é O jogo. Porque, de um jeito ou de outro, será meu primeiro jogo como profissional, como repórter esportivo, cronista, jornalista, enfim, seja lá o que for.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tensão e a ansiedade tentam me consumir, enquanto tento me controlar. É apenas mais uma partida de futebol. Apenas mais um jogo do Flamengo contra o Coritiba. Por outro lado, estou um pouco nervoso. Como será esse negócio de cobrir futebol do estádio? Será que conseguirei não torcer, me mantendo imparcial, como diz a regra? E se o time jogar mal pra caramba, terei o direito de xingar cada um dos jogadores e mandá-los para vários locais pouco agradáveis?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para disfarçar a tensão, converso com um colega que também vai cobrir o jogo. Deve ser a milésima oitava vez que ele vai. É claro que não vou comentar nada sobre o meu nervosismo, não quero parecer bobo. E tampouco quero admitir que estou me roendo por dentro. Melhor falar sobre o time, sobre os jogadores, saber um pouco como andam as coisas nos bastidores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar no estádio, uma rápida negociação até que encontram minha autorização para entrar. Sabem como é, não tenho a carteirinha da associação dos cronistas, então precisei ligar antes e pedir permissão. Mas nada que atrapalhe. Aliás, onde está o colega? Ele disse algo sobre ir para a arquibancada comum...e assim, é sozinho mesmo que eu subo em direção à tribuna da imprensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo é novidade por aqui. Legal, isso, a imprensa tem um bar só para ela e um banheiro também exclusivo. Posso ficar na tribuna da imprensa ou na cabine. Melhor na tribuna. Mal saio, ouço a torcida gritando, festejando, comemorando. Que vontade de gritar junto...mas não, melhor não, sou jornalista aqui, não torcedor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começa o jogo, bola rolando no Maracanã. A visão da tribuna não é das melhores, a cabine de rádio/TV quase invade a visão do campo...mas dá pra ver numa boa. O jogo começa equilibrado, com os dois times tocando bem a bola, e sem ninguém ter uma chance muito clara de gol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá vai o Flamengo...lá vai Obina...entrou na área...opa...foi derrubado, é PÊNALTI! E o juiz marca!!!! Comemoração discreta, claro. Afinal, quem é o jornalista aqui? E enquanto isso, a torcida faz a festa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá vai Léo Moura, bateu...ahhhhhhhh, o goleiro defendeu...mas Léo Moura pegou o rebote...é gol. É GOL! Com comemoração discreta, é claro, bem imparcial. A torcida do Fla faz a festa e canta o "parabéns pra você", aproveitando que o Léo está fazendo aniversário hoje. E um a zero pro Mengão!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue o jogo...agora parece que o Coritiba vai reagir, afinal está perdendo, precisa vencer para continuar sonhando com uma vaga na Copa Sul-Americana, se perder complica...mas quem tá atacando é o Mengão...lá vai Kléberson, recebeu pela direita, arrancou, cruzou...Obina bateu de primeira...tá lá, no fundo da rede...GOL, DOIS A ZERO PRO MENGÃO! E mais uma comemoração discreta, lógico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hora do intervalo. Melhor, impossível. Desço para beber um chá gelado, ir ao banheiro, conhecer as cabines de rádio/TV, respirar um pouco. E depois volto para a tribuna de imprensa. Olhando esse estádio, esse campo e essa torcida, fico me lembrando dos tempos de colégio. Sempre gostei de futebol, mas era gordinho e não conseguia ir atrás da bola. Aí, comecei a ficar de fora, assistindo os jogos, muitas vezes imitando o Galvão Bueno (não tinha outro melhor). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que veio daí essa coisa de querer ser jornalista esportivo? Talvez. Diziam, na época, que eu não entendia nada de futebol, não sabia nem escalar meu time - o que era uma crítica injusta, diga-se de passagem. Mas, hoje, sei escalar não só meu time, como os quatro grandes do Rio (e se bobear, vários outros do Brasil). Vejo os jogadores de perto, falo com eles e ouço histórias dos bastidores, posto pitacos em blogs criticando esquema tático, formação, escalação, enfim, tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entro como jornalista no Maracanã e assisto aos jogos que quiser. Fico pensando...o que será que diriam aqueles bobalhões, se pudessem me ver aqui, agora, crachá de jornalista no peito, assistindo ao jogo? Quem é que está por dentro agora, hein? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me lembro do meu pai, que sempre me apoiou, ligo para ele...e conversamos sobre essa partida. "Agora só falta o Fla meter mais uns 3 para ficar perfeito, pai", digo a ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começa o segundo tempo. O Coritiba pressiona, o Fla se segura bem, com a zaga funcionando perfeitamente. Obina faz fila mas perde o gol. E agora lá vai Ibson...toca para Fierro...toca para Ibson de novo...lá vai ele...chutou....É GOOOOOOOOOOOL!!!!! E eu comemoro mais animado, agora, cantando junto com a torcida. TRÊS A ZERO MENGÃO!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perfeito, melhor do que isso, impossível...ver uma goleada na minha estréia profissional no Maraca. O Fla faz uma belíssima partida. E lá vai o Mengão de novo...Fernando recebe...arranca...tocou pra Maxi...e É GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL...DO FLAMENGO!!!!! FOI FOI FOI FOI ELE...MAAAAAAAAAAAAAAAAAAAXI!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem falou em comemoração imparcial? Bobagem, isso, isso não existe. Quatro a zero Mengão...lindo, lindo, lindo de se ver. E já canto com a torcida, bato palmas, comemoro, festejo. Belíssimo espetáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai terminar, 48 minutos do segundo tempo...lá vai Obina de novo...opa, foi derrubado...É PÊNALTI! E o juiz marca!!! A galera pede pelo goleiro Bruno, grita, diz que ele que tem que bater o pênalti. E claro, eu grito junto. Os jogadores chamam...e lá vai Bruno!!!! Partiu, deu uma paradinha, bateu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É GOOLLLLLLLLL!!!!!! CINCO A ZERO MENGÃO!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Belíssimo jogo, uma das melhores apresentações no campeonato, simplesmente impecável. A essas alturas, já comemoro muito, efusivamente - até já recolheram meu crachá de jornalista. Alguém falou em não torcer? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, que noite. Para não esquecer nunca mais!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-3899253390477732463?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/3899253390477732463/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=3899253390477732463&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/3899253390477732463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/3899253390477732463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/11/noite-de-goleada.html' title='Noite de goleada'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-457347080053959352</id><published>2008-11-22T10:55:00.001-08:00</published><updated>2008-11-22T10:55:32.746-08:00</updated><title type='text'>Janela em Movimento</title><content type='html'>Um sinal de trânsito. Uma curva. Um casal se beijando. Dois velhinhos sentados num banco de rua. Um homem que vai e outro que vem. Um castelinho. Um ponto de ônibus. Um sujeito em uma bicicleta com uma lâmpada piscando na frente, como se fosse um farol. Uma esquina. Uma placa de rua com o nome de um hotel argentino em cima. Uma mulher passeando com um cachorro. Outro sinal de trânsito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sujeito careca ouvindo walkman em uma esquina. Um radar. O símbolo de uma empresa de telefonia. Um canteiro cheio de árvores, vazio. Dois caras estranhos conversando no canteiro. A Baía de Guanabara. Um letreiro de marca de refrigerante e outro de telefonia. Um monte de táxis parados em frente a um prédio. Um túnel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro túnel. Uma loja de carros. Uma estátua. Uma lanchonete. Um botequim. Uma placa com uma seta "siga ou vire à direita". Uma banca de jornal. Uma loja de empanadas. Pessoas andando na rua. Outra curva. Um posto de gasolina. Seguranças conversando apoiados em uma cancela. Um colégio. Um cartaz dentro do colégio. Um orelhão. Um sujeito quase escondido em uma esquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoas reunidas em uma esquina. Um letreiro azul e verde de uma loja de tintas. Um cartaz escrito 'Os estranhos' em um ponto de ônibus. Um relógio digital que marca 22h02. Uma senhora em um ponto de ônibus. Outro túnel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um caminhão de lixo. Uma padaria. Um sujeito passeando com um cachorro. Uma cancela vazia. Um clube. Uma praça. Uma curva. Outro cartaz escrito 'Os estranhos' em um ponto de ônibus. Uma mancha na parede. Uma curva. Uma árvore enrolada em lampadinhas natalinas. Uma luz verde lá longe. Um monte de tralhas apoiadas em uma árvore. Uma arquibancada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um casal passeando. Uma Lagoa. Lâmpadas de mercúrio. Um ponto de ônibus. Uma lata de lixo. O vão da grama entre o ponto do ônibus e a lata do lixo. Um sujeito fazendo exercício. Um homem fotografando alguma coisa. Luzes lá longe. Um clube. Um barco. A lanterna do ônibus da frente. Uma lata de lixo lá longe. Um cartaz escrito "10% de desconto". Uma esquina. Uma placa. Um carro. O letreiro de um prédio. Um posto de gasolina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ponto final.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-457347080053959352?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/457347080053959352/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=457347080053959352&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/457347080053959352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/457347080053959352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/11/janela-em-movimento.html' title='Janela em Movimento'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-7573317333660967510</id><published>2008-10-31T12:30:00.000-07:00</published><updated>2008-10-31T12:31:47.457-07:00</updated><title type='text'>O conto do prédio</title><content type='html'>Veio andando calmamente pela rua, camiseta, calça jeans, mãos nos bolsos, um cigarro aceso na boca. Parou em frente àquela lanchonete na última fronteira da Rua Voluntários da Pátria - onde de um lado é Botafogo, do outro é Flamengo - e deu uma última baforada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma bonita tarde de sol de uma quinta-feira qualquer, dessas que a gente nem se dá conta que existiram algum dia. Deviam ser umas seis e pouco. Com o horário de verão, nem dava para notar que já era noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após terminar de fumar, o rapaz jogou o cigarro fora e entrou na lanchonete. Estava quase vazia: um homem tomava um suco, em pé, e outro comia um sanduíche, sentado no balcão. O jovem se aproximou do balcão e pediu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me dá um suco, por favor?&lt;br /&gt;- Claro...aquele velho suco de manga, hã?&lt;br /&gt;- Não, acho que hoje vou variar um pouco. Me dá um de maracujá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O balconista - já um senhor, com chumaços de cabelo apenas nas laterais da cabeça, boina azul-clara enfiada na careca e uniforme azul-claro - olhou o rapaz desconfiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem certeza?&lt;br /&gt;- Absoluta.&lt;br /&gt;- SAI UM MARACUJÁ NO CAPRICHO!!! - berrou o balconista para o interior da lanchonete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz era um velho freguês, que todo dia passava por ali. Entrava assim, sempre depois de fumar, e pedia um suco, sempre de manga. Depois, bebia olhando para um centro empresarial em frente à lanchonete, como se estivesse esperando alguém ou querendo ver alguma coisa. Ficava por ali algum tempo, às vezes uma hora, depois pagava e ia embora. Nunca comia nem bebia nada, e não falava nada além de "me dá um suco de manga".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua presença já era tão comum que os funcionários da casa já falavam dele, aos cochichos. Alguns tinham a teoria de que esperava por uma noiva, mulher ou namorada (alguns achavam que era um namoradO), e quando a via sair, ia a seu encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns achavam que era um assaltante que pretendia roubar o prédio, e por isso ficava só observando. Outros ainda afirmavam que era muito longe para um ladrão observar um prédio, e o rapaz não usava nenhum binóculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao entregar o suco, o balconista perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mudou hoje?&lt;br /&gt;- Pois é, não é...&lt;br /&gt;- Mas porque a mudança?&lt;br /&gt;- Achou estranho?&lt;br /&gt;- É.&lt;br /&gt;- Bem, não suportava mais beber suco de manga todo dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O balconista riu. Sem conseguir se conter - era a primeira vez que estabelecia um diálogo com "o jovem do suco de manga" - continuou puxando papo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você...todo dia vem aqui, pede um suco e fica olhando para o prédio. Por quê?&lt;br /&gt;- Bem, preferia não dizer.&lt;br /&gt;- Claro...é que...bem...as pessoas falam muitas coisas, sabia? Muitas teorias a seu respeito...os funcionários, os freqüentadores...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz deu uma risada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É sério?&lt;br /&gt;- Claro. Várias teorias, das mais absurdas, sobre porque você fica olhando esse prédio. Você riria se soubesse de algumas. E talvez ficasse chateado com outras.&lt;br /&gt;- Que coisa engraçada...e bizarra, também.&lt;br /&gt;- Pois é...e sabe, não nos aguentamos mais de curiosidade!&lt;br /&gt;- A curiosidade matou o gato - disse o rapaz, sério, terminando o suco e pegando um maço de cigarros no bolso da calça. - Mas já que você insiste...bem, eu adoro aquele prédio.&lt;br /&gt;- Como? Gosta do prédio?&lt;br /&gt;- É, eu adoro. Gosto dele. Sei lá, tem algo que me fascina. Na verdade, todo esse ponto onde estamos. Não sei explicar, sabe? Aí recentemente perdi o emprego, não tinha o que fazer em casa...então venho passear às tardes, espairecer, tomar um suco e olhar o prédio. Acho legal. Acabou virando um hábito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O balconista olhava o rapaz, perplexo. Então era isso. Bem, realmente uma coisa daquelas ninguém ia imaginar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois posso lhe ajudar.&lt;br /&gt;- É sério?&lt;br /&gt;- Claro. Eu conheço o porteiro daquele edifício. E ele poderia levar você para conhecê-lo.&lt;br /&gt;- Puxa...que legal! E onde ele está?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O balconista sorriu e apontou para o homem que comia um sanduíche no balcão, e que também havia parado para ouvir a história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixe eu acabar de comer, que levo você lá - disse o porteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saíram os dois, atravessaram a rua e entraram no prédio. Conheceram tudo, todos os andares, locais, empresas que funcionavam ali, cada canto, cada curiosidade, a belíssima vista da Baía de Guanabara. Então desceram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E aí, o que achou? - perguntou o porteiro.&lt;br /&gt;- É legal. Mas por dentro é como outro prédio qualquer. Por fora é bem mais bonito e interessante.&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;- Vamos ali na lanchonete, que eu te mostro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; E os dois voltaram ao bar e ficaram ali, olhando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe que você tem razão? - disse o porteiro, sorrindo. - Nunca tinha reparado como é bonito, esses vidros, esses mármores, nesse lugar, a Baía de Guanabara ao fundo, esse pedaço de céu que aparece, o encaixe perfeito com a saída do viaduto, o vento fresco batendo...sem todas aquelas pessoas, sem trabalho, nada, só o tempo passando. Lindo mesmo, cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora, todas as tardes, quem passa por aquela lanchonete percebe dois homens com um copo de suco na mão, olhando para um prédio...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-7573317333660967510?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/7573317333660967510/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=7573317333660967510&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/7573317333660967510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/7573317333660967510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/10/o-conto-do-prdio.html' title='O conto do prédio'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-6308478544707420845</id><published>2008-10-13T16:49:00.000-07:00</published><updated>2008-10-13T16:50:30.341-07:00</updated><title type='text'>Pitacos sobre as eleições no Rio</title><content type='html'>Ninguém fala especificamente de eleições do Rio. Acabei de passar pelo Globo Online, jornal carioca, e tem mais manchetes sobre São Paulo do que sobre a Cidade Maravilhosa. A Folha, sendo jornal paulista, menos ainda. Estadão, tampouco. Se ninguém fala, falamos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar, uns pitacos sobre o segundo turno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gabeira vacilou, e imagino que saiba disso. O adversário estava doido para dividir a cidade, e a frase sobre a vereadora Lucinha caiu como uma luva. Pronto, começou de novo aquela história Zona Sul x Subúrbio. Pode não fazer a diferença, mas, ao mesmo tempo, pode fazer MUITA diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Paes não tem moral nenhuma para falar de subúrbio, muito menos dizer que é suburbano, pois é filho de família rica da Zona Sul e nunca deve ter ido à Penha antes. Também não tem moral para pedir apoio a Lula, a quem chamou de "chefe de quadrilha" há dois anos atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jandira Feghali, do PCdoB (!!!!!) também não tem moral nenhuma para pedir apoio a Paes. Há um mês atrás, ela o acusou de "trocar de partido como quem troca de roupa". Ela falava de quem, mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para mim, Paes saiu-se ligeiramente melhor no debate da TV Bandeirantes. Nem tanto durante as trocas de acusações, quando ambos duelaram por igual. Mas na hora de apresentar as propostas, me pareceu um pouco mais claro e objetivo do que Gabeira, que divagou um pouco em alguns pontos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fica aqui um repúdio à campanha suja, baixa e sem escrúpulos que alguns candidatos vêm fazendo, não só no Rio mas também em outros estados. Panfletinhos com acusações imbecis, insinuações à homossexualidade do adversário, camisetas tentando dividir (ainda mais) a cidade. Esse comportamento não é nada condizente com quem se diz preparado para governar uma cidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-6308478544707420845?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/6308478544707420845/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=6308478544707420845&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/6308478544707420845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/6308478544707420845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/10/ningum-fala-especificamente-de-eleies.html' title='Pitacos sobre as eleições no Rio'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-2525306738214286254</id><published>2008-10-02T13:58:00.000-07:00</published><updated>2008-10-02T14:00:24.175-07:00</updated><title type='text'>O concurso</title><content type='html'>Quando o Santiago entrou no escritório e foi em direção à mesa do Fontoura, que era seu chefe, este suspirou fundo. Ia começar tudo de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom-dia, chefe!&lt;br /&gt;- O que é que você quer, Santiago? - perguntou o Fontoura, sem tirar os olhos da tela do computador.&lt;br /&gt;- Puxa...nem pra me dar bom-dia!&lt;br /&gt;- Você nunca me dá bom-dia, Santiago. É sempre um "oi" discreto. Quando cumprimenta assim, todo simpático, é porque quer alguma coisa.&lt;br /&gt;- Quebra essa pra mim, chefe.&lt;br /&gt;- De novo essa conversa, Santiago? Já falei que não!&lt;br /&gt;- Por favor...&lt;br /&gt;- Não, não e não. Agora anda, vai trabalhar e não me atrapalha.&lt;br /&gt;- Mas chefinho...&lt;br /&gt;- Chefinho é a tua mãe, Santiago. Olha aqui, hoje é sexta e você tem muito o que fazer. Então anda logo, vai pra tua mesa e começa a trabalhar, senão as coisas vão complicar. E nem ouse falar nada com a Roberta, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Santiago andava insuportável. Desde o início daquela semana, torrava a paciência de todos no escritório para não ter que trabalhar naquele fim-de-semana. Contava ele - nem todos acreditavam - que tinha que visitar o pai em Valença, porque o velho, de 80 anos, estava muito doente e ia morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ir ver o "papai", ele fez de tudo: tentou trocar o fim-de-semana, fingiu que estava doente, pediu para não trabalhar, inventou que tinha quebrado a perna, depois o braço...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Roberta, que trabalhava no fim-de-semana após o do Santiago, era a vítima preferida dele. Todos os dias ele encostava na mesa dela e começava a conversar. No início ela adorou, pois o achava bonito, mas quando percebeu que Santiago apenas queria trocar o fim-de-semana, passou a nem olhar na cara dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de voltar da mesa do Fontoura, na sexta-feira, o Santiago chegou a dar uma meia-trava perto da mesa da Roberta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nem vem.&lt;br /&gt;- Por favor...&lt;br /&gt;- Não quero saber.&lt;br /&gt;- Mas...&lt;br /&gt;- Não, não e não.&lt;br /&gt;- Mas Rô...&lt;br /&gt;- Não me chama de Rô, não me chama de Rô, você sabe que eu odeio!&lt;br /&gt;- Mas Beta...&lt;br /&gt;- Também não me chama de Beta, eu também odeio!&lt;br /&gt;- Mas...&lt;br /&gt;- Não me chama, não, tá, Santiago? Agora sai daqui antes que o chefe te esfole vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem alternativa, ele voltou para a mesa. Seu tempo estava se acabando, tinha que pensar. Não podia trabalhar naquele fim-de-semana de jeito nenhum. Decidiu tentar o Fontoura de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fontoura...&lt;br /&gt;- De novo, Santiago? Olha aqui...preciso ter uma conversa séria com você.&lt;br /&gt;- Diga.&lt;br /&gt;- Não, não...venha comigo. Aqui não. Vamos fumar um cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Fontoura saiu do escritório, com o Santiago atrás. Pegaram o elevador e desceram, o Santiago sem muita coragem de encarar o chefe. 'Vou ser demitido. Agora acabou-se tudo', disse para si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de sair do elevador, o Fontoura seguiu até a portaria do prédio, onde encostou do lado de fora e acendeu um cigarro. Deu uma baforada, e sem tirar os olhos do trânsito, disse...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Santiago, me diz a verdade.&lt;br /&gt;- Como?&lt;br /&gt;- Se você me disser a verdade, ou seja, porque você não quer - ou não pode - trabalhar nesse fim-de-semana, dou um jeito no seu caso.&lt;br /&gt;- Jeito como?&lt;br /&gt;- Um jeito. Boto alguém de outro setor. Digo que você ficou realmente doente. Não interessa.&lt;br /&gt;- Mas o meu pai...&lt;br /&gt;- Não, Santiago, não. Essa desculpa não cola comigo. Você tem algum compromisso que considera inadiável. Ninguém força as coisas desse jeito exagerado como você está fazendo. Aliás, nunca faça isso. Soa ridículo.&lt;br /&gt;- Sim, chefinho.&lt;br /&gt;- E chefinho é a tua mãe - disse Fontoura, com ar irônico.&lt;br /&gt;- Tá bom, eu falo. É...é...como dizer...&lt;br /&gt;- Falando.&lt;br /&gt;- Bem...eu...&lt;br /&gt;- Você...&lt;br /&gt;- É...um concurso público, é isso - disse Santiago, baixinho.&lt;br /&gt;- Um concurso?&lt;br /&gt;- Sim. Uma prova. A segunda etapa de um concurso público. A prova é domingo de manhã e por isso não terei como vir...e estar lá ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;- Um concurso, hã?&lt;br /&gt;- Sim...para Furnas. Esse ano é em duas etapas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Fontoura ficou em silêncio por um instante, enquanto deu mais uma baforada no cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não precisava nada disso.&lt;br /&gt;- Mas chefe...&lt;br /&gt;- Você podia ter me dito em particular.&lt;br /&gt;- Mas o senhor não ia me demitir?&lt;br /&gt;- Demitir não...só não ia permitir que você fosse - e deu uma risadinha irônica.&lt;br /&gt;- Então!&lt;br /&gt;- Olha aqui, Santiago, era melhor você ter dito logo e pedido uma folga do que ficar inventando desculpas. Mesmo que eu não liberasse, não ia te demitir por querer fazer a prova. Todos tem direito de querer melhorar de vida.&lt;br /&gt;- É...&lt;br /&gt;- Então agora sossega e volta ao trabalho.&lt;br /&gt;- Então posso folgar domingo, chefinho?&lt;br /&gt;- Não - e deu uma risada. - Pode, sim, eu te prometi.&lt;br /&gt;- Obrigado, chefe!&lt;br /&gt;- De nada. E ah, mais uma coisa.&lt;br /&gt;- Qual?&lt;br /&gt;- Chefinho é a tua mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No domingo, o Santiago chegou cedo ao local da prova, em uma faculdade particular na Praça XI. Cartão de confirmação e um estojo - com quinze canetas e doze lápis, para o caso de falhas - na mão, ele entrou na fila que levava ao prédio onde faria a prova.&lt;br /&gt;Subiu de elevador, foi procurando até chegar à sala 706, e então entrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de assinar a lista, começou a procurar um lugar. Estava cheio e só achou uma carteira livre, no fundo da sala. Ao lado estava um homem abaixado, amarrando o sapato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei, senhor - disse o Santiago, cutucando o homem - este lugar está livre?&lt;br /&gt;- Está s...&lt;br /&gt;- Não...não pode ser...FONTOURA?&lt;br /&gt;- Santiago?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedidos de silêncio vieram de todos os cantos da sala. Envergonhado, Santiago ficou ali, paralisado, sem saber o que fazer. O chefe o fez se sentar na cadeira vazia. Visivelmente constrangidos, os dois não disseram mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminaram a prova quase juntos. No corredor, Fontoura acelerou o passo e Santiago teve que correr para acompanhá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chefinho...&lt;br /&gt;- Não diga nada, Santiago.&lt;br /&gt;- Mas chefinho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irritado, Fontoura o segurou pelo braço e o encostou na parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha aqui, chega, tá? Não precisa dizer mais nada. Nem aqui nem na empresa. Eu não falo nada sobre você e nem você sobre mim.&lt;br /&gt;- Pensei que o senhor fosse guardar segredo mesmo...&lt;br /&gt;- Era a idéia. Mas - abaixou ainda mais o tom de voz - não esperava que você fosse fazer a prova no mesmo lugar que eu, muito mais sentar do meu lado! Então se você falar sobre mim, não terei escolha!&lt;br /&gt;- Eu...eu...&lt;br /&gt;- Santiago, vamos ficar assim, tá? O assunto morre aqui.&lt;br /&gt;- Tá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soltou o empregado e começou a andar. Dali a pouco parou e virou para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mais uma coisa.&lt;br /&gt;- O que?&lt;br /&gt;- Chefinho é a tua mãe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-2525306738214286254?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/2525306738214286254/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=2525306738214286254&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/2525306738214286254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/2525306738214286254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/10/o-concurso.html' title='O concurso'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-5170563435435225998</id><published>2008-09-30T15:43:00.001-07:00</published><updated>2008-09-30T15:43:38.822-07:00</updated><title type='text'>Ipanema Secreta</title><content type='html'>Caiu a noite na cidade, vinda de lugar nenhum. Depois que o dia foi embora para lugar algum, também acabou meu sábado de trabalho. Sábado tranqüilo, mas de trabalho, ou seja, por si só podia ser muito melhor.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Deixei o escritório e fui em direção ao ponto do ônibus, no quarteirão seguinte. Quando estava quase chegando, o celular tocou. Surgiu um convite. Ipanema. Sim, porque não?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Enquanto falava ao telefone, o ônibus veio. Sensação estranha, essa, entrar no ônibus falando ao celular, ao mesmo tempo em que se dá boa-noite ao trocador, passa o vale-transporte no validador, passa pela roleta. E por fim, me sentei. "Já estou chegando aí", disse, antes de desligar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Depois de uma viagem de quase quarenta minutos, desci na Lagoa. Agora são nove e pouco da noite de um sábado. Sábado - um dos dias eleitos pelos cariocas como "o dia de sair" (além de outras coisas, também). Mas a Lagoa está absolutamente deserta. Não há vivaalma, nada, ninguém. Apenas o barulho do vento batendo na água da lagoa, que reflete as luzes em volta naquele belíssimo espetáculo noturno, que mesmo passando todo dia por ali, não me canso nunca de apreciar. E claro, dos carros que passam voando pela rua.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Páro no sinal, esperando uma chance de atravessar, e depois de cruzar a via, entro na Rua Maria Quitéria, rumo a Ipanema. Mais uma vez, não há ninguém circulando, nem mesmo carros. Pelas ruas escuras e desertas, parece que nem mesmo o vento se atreve a passar. É impressão minha ou aqui está mais quente que na Lagoa? Ou seria...medo?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ouço um barulho e olho para trás, o coração aos pulos - mas não, não é alguém me seguindo, foi apenas uma folha caindo no chão. O suor escorre do meu rosto em grossas gotas, à medida que acelero o passo. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Finalmente, depois de pouco andar, chego à Praça Nossa Senhora da Paz. Parece que enfim voltei à civilização: há luzes, barulho de carros, gente, movimento. É verdade que pouco, mas há. Melhor do que nada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ah, esse lugar me traz boas recordações. Costumava vir muito aqui há uns dois anos, ouvir rock grátis, beber no botequim, conversar com os amigos, pular, dançar, olhar as garotas, ficar de bobeira na rua ao lado de um pessoal bem alternativo. Era quase um "Baixo Ipanema". Hoje tudo mudou: o rock virou reggae, trocaram as garotas por turistas (e junto, vieram as prostitutas), e o pessoal alternativo por gente rica e tradicional. Perdeu a graça.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Passando pela praça, saio da Maria Quitéria e viro à esquerda na Visconde de Pirajá, principal rua de Ipanema, antepenúltimo trecho da viagem. À medida que caminho, a sensação de solidão e de aflição vai aumentando. Na calçada, não há nada. Ninguém, vazio total. Apenas o barulho do vento e o brilho de algumas luzes, lá longe. E umas três pessoas que surgem do nada, caminhando ali perto. Em plena nove e meia de um sábado à noite, no bairro boêmio de Ipanema, no Rio de Janeiro, a sensação de solidão é impressionante.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O único movimento é o de carros. É bem verdade que há gente em uma casa de suco, em uma padaria, em uma lanchonete. Mas o movimento é muito fraco e muito concentrado. Custo a acreditar. Ao passar por uma galeria, vejo uma placa que chama a atenção:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;IPANEMA SECRETA&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É isso. É essa Ipanema que eu procuro. A Ipanema da boemia, dos bares, das pessoas andando na rua, celebrando a vida, aquela coisa bem Zona Sul carioca. Dizem que sempre foi um bairro assim. Mas o que vejo é uma avenida-fantasma, onde até o vento às vezes parece ter medo de andar. Onde buscar essa Ipanema...Secreta?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Fico pensando...se está assim em um bairro chique da Zona Sul, imagine em outros onde as autoridades esquecem de olhar. Me pergunto as razões e não encontro. Porque é que no mesmo horário, num dia como esse, na Avenida Paulista, em São Paulo, há tanta gente andando na rua? Será que lá é menos violento? Será que é mais seguro?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A viagem a pé continua. Um mendigo me assusta ao pedir dinheiro, e não sou o único a desviar dele. É a sociedade tentando tornar invisível o que lhe incomoda. Decido entrar em uma loja de departamentos, dar um tempo. Meus pensamentos se distraem. Maldita música da Xuxa sobre escovar os dentes...não consigo me lembrar o que eu estava pensando antes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O último trecho da viagem, enfim, até virar à direita na Rua Farme de Amoedo. Aqui sim, há movimento - senão nas ruas, ao menos nos bares, restaurantes e choperias, que estão apinhados de gente. A sensação de solidão quase que desaparece, até que viro à direita na Prudente de Morais, rua que leva "para fora" de Ipanema, e instantaneamente tudo volta. Por um momento, pois logo depois um ônibus passa fazendo barulho.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A viagem termina, as dúvidas permanecem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-5170563435435225998?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/5170563435435225998/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=5170563435435225998&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/5170563435435225998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/5170563435435225998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/09/ipanema-secreta.html' title='Ipanema Secreta'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-5226352085426383109</id><published>2008-08-11T11:12:00.000-07:00</published><updated>2008-08-11T11:19:40.098-07:00</updated><title type='text'>Trocadilhos infames</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Esses estavam aí pela Internet...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O pai da Malu Mader é o Malu Fader.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Voce não tem, mas o Frankstein&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fulano afirma, mas o Arnold Schuaznega &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu não vou furar, o Juca Kfouri. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Aquilo todo mundo viu, até o Clodovil. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Todo mundo só morre uma vez, mas a Alanis Morrissette. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu pulo do barranco, o Luciano do Valle. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Você já morou nos EUA? Não? A Marylin Monroe. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ao ver uma modelo você fala que ela é bonita. O Miguel Falabella. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Meu pai gosta de fusca, a Rita Cadilac. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu gosto de sopa. O Carlos Massa. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A Maria é da cidade, o Martinho da Vila. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Você faria papel de trouxa? A Betty Faria. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu acordo mais tarde do que deveria e o Edir Macedo. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ninguém queria pagar a conta mas a Cassia Kiss. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu pinto paredes, o Janio Quadros. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu estou perto de casa. O Silvester Stalonge. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Pateta usa o teclado e o Mickey Mouse. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu moro em Copacabana. O Tony, Ramos &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu escovo os dentes 3 vezes ao dia. O Joãozinho Trinta. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Você já esteve na Europa? A Adriana Esteves. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu fumo e o Celso Pitta. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu gosto de chá gelado. O Clark Kent. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu como pão Seven Boys. O Bill Pullman. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu uso telefone convencional. O Edson Cellulari. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu como um pouco, a Marisa Monte. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ele cria galinha. O Paulo Coelho &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu torço pro São Paulo. O Silvio Santos &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu tentava pescar pirarucu. A Cláudia Raia &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu não escapo dela. O Chiquinho Scarpa &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu aposto na quina. O Airton Senna &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A minha campainha faz bip. A do Bill, Clinton. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu uso jaqueta. O Al Capone. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Você planta, o Phill Collins. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Você riu desses trocadilhos? Não? O Damon Hill.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E esses aqui vão de bônus...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu viajo para a praia. E o José, Serra.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu cavo buracos. E o Mario, Covas.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu rezo na igreja, e o Evandro, Mesquita.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu como camarão, e o presidente, Lula.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Meu pai construía pontes, e a Fernanda, Torres.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Os pilotos cruzam o espaço aéreo, e o Wilson, Sideral.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu só como carne. E o Felipe, Massa.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O FHC era sério, e o Itamar, Franco.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em breve mais. Ou não!!!  =D&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-5226352085426383109?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/5226352085426383109/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=5226352085426383109&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/5226352085426383109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/5226352085426383109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/08/trocadilhos-infames.html' title='Trocadilhos infames'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-2181709132456872151</id><published>2008-07-21T16:49:00.001-07:00</published><updated>2008-07-21T16:50:38.493-07:00</updated><title type='text'>Até logo, amigo!</title><content type='html'>Tive alguns padrinhos no jornalismo. Com dois anos e meio de profissão - sendo dois como estagiário - sei muito bem que são poucos perto de todos os que ainda virão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E na madrugada de ontem, um desses poucos se foi. Com 67 anos, José Monteiro (o Monteiro) era um cara mau-humorado, mas muito alegre. A contradição existe e é possível. Me lembro de tantas vezes que ri com seus palavrões, seu jeito estourado, suas manias engraçadas. Me lembro das longas conversas no fumódromo, ele falando de seus projetos para o jornal, de seus projetos fora do jornal, da vida que seguia, do site que atualizava, do trabalho que não acabava nunca, dos colunistas "safados e filhos da puta" (sic) que ele tinha que esperar mandarem suas respectivas colunas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me lembro de longas conversas no bar, esperando o momento em que ele iria embora e poderia me dar uma carona. A imagem que fica é ele debruçado sobre a janela do fumódromo, cigarro aceso, "vendo as modas lá fora". "Sou muito jovem, doutor", dizia ele (que chamava todo mundo de "doutor"). Mesmo depois de perder uma perna por trombose, não deixara de fumar. "Vou deixar de fumar é o caralho, doutor. Porra, tenho 67 anos, deixando de fumar vou viver até os 71, 72, então foda-se, fumo mesmo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um padrinho para mim nas horas mais difíceis dentro do jornal. "Quero ir para a rua, doutor", eu dizia, impaciente. "Calma, você vai." Tantas vezes ele disse isso que acabei largando a editoria dele pra ir pra rua, mesmo. Um dos homens que me fez ver que a vida de jornalista não era só rua. "Existe um outro caminho, doutor. Nunca fui para a rua.."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentirei sua falta, amigo. Você foi meu primeiro padrinho e meu primeiro professor na escola prática do jornalismo (a teórica é outra história). Aprendi muito trabalhando e convivendo com você, e não vou esquecê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esteja onde estiver, fica o meu abraço. Vai com Deus, DOUTOR!!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-2181709132456872151?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/2181709132456872151/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=2181709132456872151&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/2181709132456872151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/2181709132456872151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/07/at-logo-amigo.html' title='Até logo, amigo!'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-8359812898903003995</id><published>2008-07-03T12:11:00.000-07:00</published><updated>2008-07-03T12:12:33.121-07:00</updated><title type='text'>Tem capítulo inédito de Chapolin no SBT</title><content type='html'>Sim, hoje passou um episódio INÉDITO de Chapolin. E anteontem passou outro. Vou explicar rapidin pra quem acha que eu tô viajando na maionese, ou que não existem capítulos inéditos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chaves/Chapolin estrearam no Brasil em 1984. Mas não vieram todos os episódios de uma vez - na verdade, foram quatro lotes. O primeiro em 1984 (duh!), o segundo em 1988, o terceiro em 1990, e...haveria um quarto e último, em 1992. Como eu sei disso? Bom, a série tem fãs desde que estreou, e há pessoas que assistiram tudo desde os primeiros capítulos, em 1984. Não só assistiram como gravaram!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E porque 4 lotes? Bem, o SBT encomendou alguns capítulos pra ver se a série era boa, rendia, dava audiência. Como a resposta foi positiva, foram ao México e compraram mais capítulos, ué.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E daí, você pergunta? Daí que essas pessoas que acompanham a série desde 1984 notaram que, ao longo dos anos, foram chegando episódios novos, enquanto outros sumiam, saiam do ar. Há provas disso? Sim, é mais do que memória pura - como acabei de dizer, há episódios GRAVADOS em fita e que nunca mais foram exibidos depois. Sou testemunha disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E esses 'sumiços' e 'estréias' de episódios se deram em 3 anos: 1988, 1990 e 1992. Além disso, houve mudanças na dublagem a partir de 1990, com risadas e músicas trocadas. E para completar, fãs babões (me incluo aí XD) notaram que tem capítulos com mais de uma dublagem, às vezes duas ou três. Isso é possível de se notar porque vemos os mesmos capítulos de Chaves 733 vezes, em média, então sabemos as falas de cor, e percebemos quando há mudanças. E algumas dessas dublagens têm características de 1988 e outras de 1990.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim. Sabemos todos os capítulos de cor, conhecemos as falas, e percebemos quando alguns somem ou ficam um tempão sem passar. Como repete muito, não é difícil perceber isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, alguns capítulos simplesmente sumiram ao longo dos anos. Pode ter sido censura, desorganização, enfim, o fato é que desapareceram. Na Internet havia listas deles, e para minha surpresa, pude ver alguns em 2003 - quando o SBT começou a remasterizar seu arquivo. Foi a comprovação definitiva que realmente tinha capítulo sumido. Para surpresa geral, em 2006 o SBT começou a exibir episódios INÉDITOS de Chapolin. Isso mesmo, inéditos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que eles tenham sido gravados agora - só que vieram para o Brasil e ficaram guardadinhos no arquivo da emissora do Sílvio Santos, sabe-se lá porque. Então a palavra correta não seria nem inédito, seria "nunca exibido". E o mais surpreendente é que em 2006 foram exibidos dezenas de capítulos INÉDITOS do Chapolin, sem qualquer divulgação. Fazendo as contas, tinha quase um lote inteiro nunca exibido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para surpresa geral, tá acontecendo de novo agora. Vi Chapolin anos a fio, todos os dias, e nunca vi os episódios exibidos anteontem (A história de Cyrano de Begerac) e hoje (O marciano). Outros fãs confirmam: é material inédito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se tem alguém lendo isso, mas se estiver e gostar da série, fique ligado no SBT, 13h15. Pode pintar um capítulo que você nunca viu...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-8359812898903003995?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/8359812898903003995/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=8359812898903003995&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/8359812898903003995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/8359812898903003995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/07/tem-captulo-indito-de-chapolin-no-sbt.html' title='Tem capítulo inédito de Chapolin no SBT'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-5097716871014760426</id><published>2008-06-12T11:28:00.000-07:00</published><updated>2008-06-12T11:29:23.562-07:00</updated><title type='text'>Freedom, internet´s essence</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Note: My other texts are in portuguese, but this is a universal theme, so I wrote in english for everybody to read, understand and...find it easily at Google. =)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;On university, people have discussions about many things and themes. One of them is about internet and how it changed the world. And one of the main ideas is "before Internet, just a little families were controlling media. It was media from some people to many people. Now, with Internet, it´s from many people to many people". But some companies are trying to change this. They want people to pay to create their sites and blogs, to access sites. They are trying to change the most marvelous thing in Internet - its freedom, that no other media have. The way people have to express themselves in blogs, microblogs, sites, Youtube, and others.Well, Internet used to be even more free. When I started using it, in 1996, just a few sites asked to pay for access, or for a membership. One year later, this number has increased a lot. Why? Money. Companies discovered that they could use internet to earn money and tryed to change it.Did it work? No. Users found a way to enter in this 'pay' sites, asking for passwords with hackers or visiting similar sites that had the same material, but for free. It was like internet freedom itself was fighting against the ones that wanted it to disappear.But it didn´t disappeared. It was the same with Napster, mp3 and similar programs. Internet freedom is so marvelous and has so many possibilities that users always find a way to keep it alive. It´s the best thing on this media: the possibility that you can express yourself, for free and for many, without anyone telling you if you can or cannot do it, when, on which time, and in which ways.It´s marvelous, and until now, companies have lost the battle against it. Musical industry have changed a lot, trying to incorporate themselves on this. Copyright companies have tryed to remove youtube videos, and other video sites, but users have reacted, and internet freedom won. They put so many copies and it was impossible to remove all of them.It´s marvelous, it´s wonderful, and it´s the best thing on this media. I understand companies need to earn money to survive, but there are another ways. They can use online marketing, for example. If they try to stop the freedom itself, they´re just going to lose more and more money, and have fewer site clickings than other free sites.Internet freedom is like the essence of the internet, the way it maintain itself, and it shouldn´t and won´t disappear. For the future of this new and fantastic media.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-5097716871014760426?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/5097716871014760426/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=5097716871014760426&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/5097716871014760426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/5097716871014760426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/06/freedom-internets-essence.html' title='Freedom, internet´s essence'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-8655345658131042316</id><published>2008-06-05T14:23:00.000-07:00</published><updated>2008-06-05T14:48:56.743-07:00</updated><title type='text'>Cai a noite</title><content type='html'>Mais uma crônica. Poderia ser mais uma. Poderia ser a próxima. Poderia ser a última.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De pé em frente à janela, os olhos no infinito lá embaixo, uma garafa d´água na mão. São mais ou menos seis horas. À minha esquerda, há apenas o som distante de gente trabalhando. A luz do sol começa a desaparecer devagar, aos poucos, dando lugar ao brilho das luzes da cidade. A noite. Como gosto da noite. Mas como me soa triste agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebo um gole. A rua parece cheia, lotada, com gente apressada, bem e mal vestida, indo para um lado e para o outro. Carros passam em alta velocidade. Bares começam a acender as primeiras luzes. Um homem vem caminhando com um jornal embaixo do braço, encontra outro em uma porta de garagem. Se cumprimentam, começam a conversar. Mas nada chama mais a atenção do que o vasto infinito, onde o céu parece terminar lá longe, e de verdade, só vejo isso: além.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O agora parece a mesma rua lá embaixo, só que vazia, sem gente, sem carros, sem os dois homens se cumprimentando, com os bares todos fechados. Como se a noite já fosse a mais alta madrugada. Como se a noite já tivesse ido...além. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muita coisa em volta, e mesmo que perceba tudo, não vejo. O olhar é sempre para o infinito...mas não deveria ser...o olhar é sempre infinito? Escrevi errado, de propósito ou errado de propósito? O que erra? É meu olhar, minha sensação ou o texto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto penso, a vida lá fora continua correndo correndo correndo. E meu chefe acabou de passar e perceber essas maquinações. E meu olhar parece continuar fixo no mesmo ponto: ali, logo ali, onde o céu parece terminar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite caiu de vez, e agora já vejo umas poucas estrelas brilhando no céu. No além...no infinito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-8655345658131042316?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/8655345658131042316/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=8655345658131042316&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/8655345658131042316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/8655345658131042316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/06/cai-noite.html' title='Cai a noite'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-249085117320621319</id><published>2008-05-05T02:20:00.000-07:00</published><updated>2008-05-05T02:42:44.528-07:00</updated><title type='text'>Referência</title><content type='html'>Essa mesa costumava ser mais alta. E esse vidro, mais largo e espesso. Costumava ser mais difícil alcançar as coisas, tinha que ficar em pé, quase que subir na cadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudei eu? Ou mudou a mesa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E essas cortinas? Se me lembro bem, pareciam quase brancas quando não estavam na janela. Agora ganharam um tom bege, uma coisa entre o branco e o cinza, e estão cada vez mais amareladas. Sujeira? Tempo? Ou meus olhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudei eu? Ou mudaram as cortinas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pórtico da cozinha costumava ser enorme, gigantesco. Passar por ele era quase como atravessar um portal, de tão grande. E eu nunca tinha reparado bem nessa armação de metal na parte de cima. Agora parece tão...simples. Tão normal, comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudei eu? Ou mudou o pórtico da cozinha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E essa manhã? Me lembra colégio, faculdade, aula, ter que acordar cedo, interromper o sono. Essa manhã costumava ser muito chata. Mas...ah, essa manhã enevoada, plúmbea e pardacenta...de quando o sol não nasceu. Nunca tinha reparado como é bonito esse momento, simples, esse silêncio, quebrado apenas por um leve carro passando. Como a luz amarelada acesa sobre essa manhã dá um ar bonito à rua, uma coisa quase que poética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudei eu? Ou mudou a manhã?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o sono? Ah, ele costumava ser mais profundo, mais bonito, mais descansado. Mas...o sono continua sendo um dos raros momentos de...descanso...em meio à vida agitada e corrida, um dos raros momentos em que é possível relaxar quase que inteiramente. Bem...às vezes há um despertador para atrapalhar...mas há sempre um sono sem despertador. Que bonito esse silêncio do sono, essa paz que ele costuma transmitir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudei eu? Ou mudou o sono?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sono. O sono costumava ser uma coisa chata, irritante, e de vez em quando ainda é. Dormir. Tanto tempo perdido, oito horas, dormindo. Mas que palavra legal essa, "sono". Legal mesmo, nesse termo. Porque "sono" lembra "som", mas é justamente o oposto. É justamente ver o rosto do outro em paz, tranqüilo. Há sonos agitados, há pesadelos, há sonhos ruins - mas descanso é sempre bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudei eu? Ou mudou o sono?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse travesseiro costumava ser mais confortável, mais macio, mais fofo, digamos assim. Costumava ser mais agradável. E costumava ser mais limpo, ter cheiro melhor. Mas como é bom poder deitar e recostar a cabeça em algum lugar macio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudei eu? Ou mudou o travesseiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo começou como uma grande referência das coisas, um olhar...e virou um grande espanto de coisas que parecem tão óbvias que nem se pára para pensar nelas. O que parecia ruim parece se tornar melhor, se olhado de outro jeito, outra forma, outro espanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudei eu? Ou mudou o texto?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-249085117320621319?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/249085117320621319/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=249085117320621319&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/249085117320621319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/249085117320621319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/05/referncia.html' title='Referência'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-2837165084541092755</id><published>2008-04-29T21:10:00.000-07:00</published><updated>2008-04-29T21:33:42.909-07:00</updated><title type='text'>O sonhador, a chuva e o banco do parque</title><content type='html'>Caminhava devagar, a passos lentos, chutando as pequenas pedrinhas do caminho. Então, fez a curva e deu de cara com o enorme portão de ferro. Olhou para os lados. Para trás. Lá para dentro. Ninguém. Empurrou o portão, que se abriu com um rangido, e entrou no mesmo passo lento.&lt;br /&gt;No céu, apenas a lua e as estrelas. No interior do parque, seguiu o caminho de pedra por entre as velhas lamparinas, até achar seu banco preferido, encostado a um poste meio torto, a lâmpada já parecendo que ia cair a qualquer momento.&lt;br /&gt;Olhando para os lados mais uma vez, viu que não havia ninguém. Respirando fundo, tirou um lenço do bolso da calça, passou na testa, guardou o lenço de novo e se sentou no banco.&lt;br /&gt;Ficou ali, olhando para o horizonte, para o ponto onde a montanha parecia se encontrar com o céu estrelado, sentindo a brisa leve bater em seu rosto. Ouvindo o silêncio calmo da madrugada, quebrado talvez por um ruído de algum animal próximo, um grilo quem sabe. Nada mais. Apenas o silêncio. Apenas o barulho de seus pés batendo um contra o outro. E ficou pensando...&lt;br /&gt;Não aceitava. Não queria aceitar aquilo, de jeito nenhum. Doía. Machucava. Incomodava. Sentia falta. Precisava. Mais do que uma necessidade, era quase uma obsessão. E agora...estava acabado. Tudo acabado.&lt;br /&gt;Por mais que tivesse feito, não havia jeito de mudar, reverter ou trocar, não havia como substituir. As coisas chegaram a tal ponto que tinham se tornado rígidas. Não havia meio de voltar ao que eram, simplesmente porque haviam deixado de ser.&lt;br /&gt;O vento soprou, levantando folhas, poeira do chão. Alguma coisa bateu em uma pedra, ali perto. O silêncio, só o mais profundo silêncio.&lt;br /&gt;E agora? Sabia que as coisas estavam assim, estáticas, fixas, rígidas, e fim. Mas estava triste com isso. Porque, porque tinha que ser assim, desse jeito? Não podia ser de outro?  Não queria mais que fosse assim. Queria que fosse do outro jeito.&lt;br /&gt;Mas como faria para mudar? Não havia mais meio de mudar, as coisas simplesmente já não eram mais...não existia meio.&lt;br /&gt;Uma lágrima escorreu por seu rosto, e a ela se juntou mais uma, e mais uma, e mais outra, até formar um choro quase convulsivo, entremeado por soluções e aparado apenas pelo lenço. Era pouco: as lágrimas escorriam por suas mãos, por seus dedos.&lt;br /&gt;Levantando apenas os olhos, ficou olhando o horizonte lá longe. E, não sabia se era efeito do sono ou do choro, tudo começou a girar...as pedras, as árvores, o chão, o céu, o horizonte...tudo começou a se desfazer...&lt;br /&gt;Agora não estava mais no parque à noite. E não era mais adulto. Epa. Estava se vendo. Sim, lá estava ele, com seus cinco anos. Onde foi que já vira algo parecido?&lt;br /&gt;Lá estava: ele, pequenino, de mão dada à mãe. O dia, porém, não era nada bonito: nuvens negras de chuva se avolumavam no céu do parque e grossos pingos de chuva começavam a cair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mamãe, mamãe...tá chovendo...não gosto de chuva...não posso brincar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As lágrimas começaram a escorrer pelo rosto do pequeno, enquanto a mãe o agarrou pela cintura, o ergueu e tentou tirá-lo dali, enquanto enxugava suas lágrimas.&lt;br /&gt;Foi atrás: não estava entendendo nada e queria acompanhar a cena. A mãe seguiu até uma árvore, onde botou o pequeno, ainda chorando, no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mamãe, mamãe, tá chovendo...não gosto de chuva...eu quero sol...eu quero sol!&lt;br /&gt;- Mas meu filho, tá chovendo...não dá pra fazer sol agora!&lt;br /&gt;- Mas eu quero sol...eu quero brincar...e com chuva não dá...eu quero que faça sol!&lt;br /&gt;- Mas meu filho, não dá...&lt;br /&gt;- Eu quero, eu quero...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase perdendo a paciência - visível por seu rosto irritado - a mãe tirou alguma coisa plástica da bolsa e desembrulhou. Uma capa. Enfiou no filho pela cabeça, cobrindo o pequeno quase todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pronto.&lt;br /&gt;- Hã?&lt;br /&gt;- Você quer brincar?&lt;br /&gt;- Quero, mas eu quero que faça sol, com chuva não dá!&lt;br /&gt;- Quem disse que não?&lt;br /&gt;- Não dá, a gente se molha todo...&lt;br /&gt;- E isso por acaso é ruim?&lt;br /&gt;- Eu quero sol...&lt;br /&gt;- Você tá de capa. Agora pode ir brincar.&lt;br /&gt;- Eu...&lt;br /&gt;- Anda, vai brincar. Você tá de capa, molhar um pouquinho não vai ter problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu um passinho na direção da chuva. Voltou. Olhou para a mãe, que o encorajou. Ameaçou fazer cara de choro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Anda logo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu dois passinhos...mais dois...mais três...cinco...vinte...e dali a pouco estava brincando entre as poças, pulando, aproveitando ao máximo a chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo girou, foi se desfazendo...e estava de volta à noite, ao banco, ao horizonte.&lt;br /&gt;Olhando uma última vez para o céu estrelado, já sem choro, sem lágrimas, mais calmo, foi caminhando lentamente em direção à saída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vou sair pra ver o céu&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vou me perder entre as estrelas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ver da onde nasce o sol&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como se guiam os cometas pelo espaço&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E os meus passos...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nunca mais serão iguais...&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-2837165084541092755?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/2837165084541092755/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=2837165084541092755&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/2837165084541092755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/2837165084541092755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/04/o-sonhador-chuva-e-o-banco-do-parque.html' title='O sonhador, a chuva e o banco do parque'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-9096697979330746967</id><published>2008-04-29T14:20:00.000-07:00</published><updated>2008-04-29T14:23:02.492-07:00</updated><title type='text'>Indefinido</title><content type='html'>Olhou as horas no relógio: cinco e meia. Bem a tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quanto ficou a corrida?&lt;br /&gt;- Vinte e cinco - respondeu o motorista de táxi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puxou a carteira, tirou duas notas e deu ao motorista. Em seguida, desceram os dois do carro para retirar a bagagem do porta-malas.&lt;br /&gt;Agradeceu e puxou a mala para fora, botando-a na calçada. Com ajuda das rodinhas, começou a levar a bagagem para dentro. O motorista entrou no carro, acelerou fundo e se foi.&lt;br /&gt;Deu dois passos, atravessou a porta automática de vidro e entrou no saguão. Entre pessoas e bagagens, senhores de terno, engraxates, painéis de aviso de vôo e chamadas de embarque, atravessou o aeroporto em busca do balcão do check-in.&lt;br /&gt;O tempo. O tempo que não passava. A todo instante, olhava o relógio com ansiedade. A fila para confirmar a viagem parecia que ia demorar uma eternidade.&lt;br /&gt;Finalmente, com check-in feito, bagagem na mão, chocolate para a viagem, puxou a mala de rodinhas em direção ao portão de embarque. Enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei! Espera!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou para trás e procurou quem falava, como quem diz "é comigo?". Sem perceber nada, continuou a andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espera aí. Onde você vai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conhecia bem aquela voz. Não. Não era possível. Será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por favor, não vai não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parou. Se virou para trás. Confirmou suas suspeitas. Fechou a cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você está fazendo aqui?&lt;br /&gt;- Vim impedir que você faça essa besteira.&lt;br /&gt;- Besteira? VOCÊ vem me falar fazer em besteira?&lt;br /&gt;- Por favor...não vamos discutir no meio do aeroporto...&lt;br /&gt;- Não tô discutindo, ué. Você falou comigo e tô respondendo. Aliás nem sei porque, eu devia estar indo embora, vou perder o vôo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentou se virar para trás, mas sentiu seu braço ser segurado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me solta.&lt;br /&gt;- Você vai me ouvir.&lt;br /&gt;- Não quero ouvir nada agora, não tenho mais nada pra ouvir. Nem pra falar.&lt;br /&gt;- Pensa bem...&lt;br /&gt;- Já pensei.&lt;br /&gt;- É? Então porque simplesmente não me ignorou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentiu um calor subir por seu rosto. Sua vontade era soltar uma bofetada ali mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é nada disso...é...você não tá me deixando ir.&lt;br /&gt;- Quem quer não se deixa segurar.&lt;br /&gt;- Quer parar de filosofar e soltar meu braço, por favor?&lt;br /&gt;- Não solto nada. A gente vai conversar.&lt;br /&gt;- Olha aqui...não quero conversar mais porra nenhuma com você, tá legal?&lt;br /&gt;- Acho melhor você falar mais baixo e sem palavrões. Tá todo mundo olhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engoliu em seco. Voltando a si, balançou o braço e tentou se soltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer me largar, por favor? E parar com essa cena...olha o mico que estamos pagando!&lt;br /&gt;- Não paro nada até você aceitar conversar.&lt;br /&gt;- Mas que diabo de conversar? A gente já falou umas setecentas vezes. Já brigamos, discutimos, quase saímos no tapa, mas nunca chegamos a um acordo.&lt;br /&gt;- Somos dois teimosos.&lt;br /&gt;- Ainda bem que reconhece.&lt;br /&gt;- Mas isso não quer dizer que a gente não possa tentar de novo.&lt;br /&gt;- Pra acabar tudo como da última vez? Pra gente ficar bem e no dia seguinte você vir demonstrar suas preocupações e medos e fobias e inseguranças? Dizer que como tá não dá pra ficar? Isso já encheu, encheu. Cansei. Tô de saco cheio. De saco cheio. Não agüento mais essa insegurança, essa falta de determinação, essa vontade de não saber e não definir o que você quer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Atenção senhores passageiros. Última chamada para o vôo 4637 rumo à Lisboa. Embarque imediato portão 5.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É o meu. Tenho que ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentiu o braço ser solto. Ajeitou a manga. Se virou, e sem olhar para trás, começou a puxar a mala em direção à sala de embarque. Foi quando ouviu, em alto e bom som:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- EU QUERO FICAR COM VOCÊ.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parou por um momento. Não era possível. Estava ouvindo aquilo? Ou...estava dizendo aquilo? E bem alto, no meio do aeroporto, na frente de todo mundo? Logo quem...logo quem dizia que nunca sabia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- NÃO POSSO DEIXAR VOCÊ IR EMBORA ASSIM, DESSE JEITO, EU NÃO SEI O QUE SERIA...NUNCA MAIS VIVERIA DO MESMO JEITO, NÃO SEI DIZER NEM EXPLICAR...MAS QUERO VOCÊ AQUI. POR FAVOR...NÃO VÁ EMBORA. EU...EU...EU...COMO É QUE VOU DIZER ISSO...AMO VOCÊ. MAIS DO QUE QUALQUER COISA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo parou. O aeroporto parou. Parecia que nem o vento estava soprando lá fora. E que todos em volta observavam a cena, alguns em êxtase, outros com a respiração suspensa, outros muito surpresos.&lt;br /&gt;Parado, soltou a mala, que bateu com força no chão. E se virou bem devagar. Só os dois se moviam. Nem uma respiração.&lt;br /&gt;E foram caminhando um na direção do outro, bem devagar, parecendo muito sérios. Até que se encontraram num beijo longo e profundo, enquanto o bilhete de vôo, rasgado no meio, voava para algum lugar bem longe.&lt;br /&gt;O tempo voltou a andar...enquanto eles ouviam dezenas, centenas de aplausos, que iam do homem do balcão do embarque ao engraxate.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-9096697979330746967?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/9096697979330746967/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=9096697979330746967&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/9096697979330746967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/9096697979330746967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/04/olhou-as-horas-no-relgio-cinco-e-meia.html' title='Indefinido'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-5944489227679088204</id><published>2008-04-28T17:22:00.001-07:00</published><updated>2008-04-28T17:28:06.016-07:00</updated><title type='text'>Teaser</title><content type='html'>A realidade, por si só, pode ser muito engraçada. Pode ser porque é estranha, diferente, bizarra, ou simplesmente, porque tem pormenores que a tornam inimaginável em qualquer outra situação.&lt;br /&gt;Vivemos num mundo doido e com cada vez menos espaço para essa realidade. Mas ela merece um lugar só para ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-5944489227679088204?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/5944489227679088204/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=5944489227679088204&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/5944489227679088204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/5944489227679088204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/04/teaser.html' title='Teaser'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-825007898915726490</id><published>2008-04-25T15:26:00.000-07:00</published><updated>2008-04-25T15:29:52.019-07:00</updated><title type='text'>Desânimo</title><content type='html'>Ando por aí e bate um desânimo...&lt;br /&gt;O ato de "andar por aí" já é perigoso. Preciso olhar a todo instante para trás, para frente, para os lados, para cima. Não me descuidar mais um minuto sequer, pois a morte "espreita em cada esquina". Por mais que haja locais melhores e piores, a ordem parece ser "não vacile nunca, jamais". Nem na Zona Sul, uma espécie de "ilha de fantasia" carioca, a gente pode parar um minuto para amarrar o sapato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Medo da nossa cabeça? Talvez...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ando por aí de ônibus, o desânimo só aumenta. Agora, além de me preocupar com assaltos e ladrões - preciso manter o olhar fixo na porta, o tempo inteiro, e descer se observar algum "elemento suspeito" - ainda tem o incômodo de não achar lugar para sentar, ficar espremido em pé no ônibus, sob um calor africano, no meio de um engarrafamento horrível, atento para ver se enfiam a mão nos meus bolsos para roubar o celular, a carteira, se abrem a mochila. Não dá nem para descansar a cabeça um minuto que seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Medo da nossa cabeça? Talvez...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ando por aí - mantendo a atenção - e vejo abandono total, em tudo, em todos os aspectos, em todos os níveis. Pichações em fachadas de prédios, gente dormindo na rua, lixo e sujeira, trânsito totalmente congestionado, praias perigosas, ruas perigosas, avenidas perigosas.&lt;br /&gt;Ando por aí e vejo dengue, febre amarela, gente com fome, hospitais lotados, descaso, miséria, pobreza. Não mais nos guetos, nos grotões: a pobreza que as classes mais altas empurraram para fora de suas vistas, na década de 60, está batendo em suas portas pintadas e decoradas, de arma em punho, cobrando a enorme dívida que nunca foi paga.&lt;br /&gt;Vejo um povo que não é "povo", é "público" - mas não o culpo por isso. O dia-a-dia de um trabalhador é muito duro, sim, são dez, doze horas voltado à labuta, para ganhar o dinheirinho suado no fim do mês, para mal conseguir comer, sustentar os filhos, levar uma vida que seja digna.&lt;br /&gt;Ando por aí e vejo as escolas abandonadas, alunos sem aprender. Ando por aí e vejo gente desmotivada, sem emprego. Está mudando? Claro. Mas estamos cansados de gerúndio.&lt;br /&gt;Ando por aí e vejo imbecilidades por toda a parte, gente querendo soluções simples para problemas complexos (Estado da Guanabara...legalizar drogas...proibir armas), o medo nos olhos, nos gestos, nas palavras. Medo de ser assaltado, medo de morrer, medo de não ter onde morar, medo de perder o emprego. Medo de perguntar e de dizer as horas.&lt;br /&gt;Ando por aí e vejo um Rio de Janeiro cheio de potencial, capaz de ser um dos maiores pólos de turismo no mundo - mas que está jogando tudo isso fora, pela janela, com todo esse abandono, em todas as partes, em todos os níveis.&lt;br /&gt;Ando por aí e vejo uma justiça corrupta, uma polícia corrupta, um poder público corrupto, tudo corrupto, tudo corrompido, tudo comprado - e tudo vendido. Nem o esporte, de tantas alegrias, anda bem. Muito dinheiro, muita corrupção, bons jogadores sendo vendidos precocemente, ídolos que não tem nada de ídolos, péssimos e horríveis exemplos.&lt;br /&gt;O que é pior, ando por aí e vejo um círculo vicioso terrível, que envolve tudo o que descrevi e muito mais, e do qual não vejo saída. Sabem, estou triste e desanimado. Gosto do meu país e da minha cidade, mas isso aqui não é mais lugar para se viver. É com muita tristeza que digo: quero ir embora daqui.&lt;br /&gt;E se pudesse, já tinha ido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-825007898915726490?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/825007898915726490/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=825007898915726490&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/825007898915726490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/825007898915726490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/04/desnimo.html' title='Desânimo'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-4537582843878851566</id><published>2008-03-20T17:49:00.000-07:00</published><updated>2008-03-20T17:50:55.986-07:00</updated><title type='text'>Conversa de bar</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;em&gt;Inspirado em fatos reais.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Ana e a Paula estavam há meia hora no bar, bebendo um chope. A Ana volta e meia mexia no cardápio, procurando o que comer. A Paula parecia mais interessada em conversar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...e então o Hugo veio, com aquele jeito dele, e me olhou...na hora fiquei, você nem imagina...&lt;br /&gt;- Ah, eu sei o que é isso, amiga!&lt;br /&gt;- Pois é Ana...a gente sempre suspirando pelos caras...e no fim, não valem nada...acredita que outro dia o esquisito do Danilo me chamou pra sair?&lt;br /&gt;- Hum...parece gostoso!&lt;br /&gt;- Hein? O Danilo? Aquele esquisitão?&lt;br /&gt;- Hã? Não! Tô falando desse filé, esse com fritas que tá aqui no cardápio!&lt;br /&gt;- Ah...também é esquisitão.&lt;br /&gt;- É? Bem...então quem sabe um frango...&lt;br /&gt;- Mas amiga, você não sabe da maior...o Júlio tá dando em cima da Suzana!&lt;br /&gt;- Não me diga!!!! A Suzana, aquela louca? Aquela que trabalhava comigo e que tinha a mania de cantar Blowin in The Wind sempre às 15h43min e 5 milésimos da tarde?!&lt;br /&gt;- É, essa mesmo...agora ela tá trabalhando lá no escritório.&lt;br /&gt;- Não me diga! Jura?&lt;br /&gt;- Pois é. E o Júlio tá dando em cima dela!&lt;br /&gt;- Júlio não é seu chefe?&lt;br /&gt;- Pois é, ele mesmo! Vive falando galanteios pra ela...outro dia deu até chocolate!&lt;br /&gt;- Não me diga!!!! E ela, e ela?&lt;br /&gt;- Ah, tá se aproveitando da situação, né...aquela filha da mãe...finge que gosta...ele fica mais incisivo...aí ela recua...mas ele parece que tá gostando mesmo!&lt;br /&gt;- Paula, vamos comer alguma coisa?&lt;br /&gt;- Ah, vamos, né...a gente fica aqui conversando e esquece da vida. Vê aí o que tem no cardápio.&lt;br /&gt;- Deixa ver...frango assado...estrogonofe...lombo...&lt;br /&gt;- Ai amiga, por falar em lombo, você não sabe quem eu descobri que tá trabalhando na empresa!&lt;br /&gt;- Quem, quem?&lt;br /&gt;- A Flávia!&lt;br /&gt;- Não acredito! Mas você anda com pouca sorte, hein, amiga? Logo a Flávia, aquela metida?&lt;br /&gt;- Pois é!&lt;br /&gt;- Mas vem cá...o que isso tem a ver com lombo?&lt;br /&gt;- Ai amiga, nem te conto...ela tá com um bundão...um corpaço!&lt;br /&gt;- Jura? Mas era magra que nem um bacalhau!&lt;br /&gt;- Pois é, mas agora tá com uma retaguarda...passa e os homens ficam todos olhando. Parecem...parecem...&lt;br /&gt;- Pão-doce...&lt;br /&gt;- Isso, parecem moscas em cima do pão-doce!&lt;br /&gt;- Não, amiga, tô falando do pão-doce de comer que tá aqui no cardápio...&lt;br /&gt;- Ah, bem. Mas vem cá...não te contei da viagem que a Julinha fez com a gente pra comemorar o niver dela?&lt;br /&gt;- Não...&lt;br /&gt;- Ah, foi um espetáculo! Ela alugou um barco, sabe? Bem na verdade não alugou um barco...comprou um passeio de barco.&lt;br /&gt;- Puxa, que máximo!&lt;br /&gt;- Não é? Chamou um grupo e deu R$ 15 pra cada um. Fomos até as Ilhas Cagarras.&lt;br /&gt;- Hum, parece ótimo...&lt;br /&gt;- Saímos ali da Marina da Glória, cedinho. O barco é um espetáculo, tem tudo...banheiro...bebida...&lt;br /&gt;- Churrasco...&lt;br /&gt;- Churrasco, isso...fizemos um belo churrasco! Mas quem te contou, hein?&lt;br /&gt;- Hã...eu tava falando desse churrasco aqui do cardápio.&lt;br /&gt;- Ah tá. Mas você só pensa em comer, amiga? Deixa eu continuar contando. Aí levamos biquíni...ficamos pegando sol...um marinheiro gatíssimo no barco...foi um dia maravilhoso!&lt;br /&gt;- Paulinha, o que é que a gente vai comer, hein? Tô com fome...&lt;br /&gt;- Ah é...sei lá...pede qualquer coisa aí.&lt;br /&gt;- Qualquer coisa?&lt;br /&gt;- É...um filé com fritas tá ótimo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-4537582843878851566?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/4537582843878851566/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=4537582843878851566&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/4537582843878851566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/4537582843878851566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/03/inspirado-em-fatos-reais.html' title='Conversa de bar'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-1534661164900736071</id><published>2008-03-20T17:21:00.000-07:00</published><updated>2008-03-20T17:23:26.174-07:00</updated><title type='text'>Reflexões de um metrô</title><content type='html'>Ainda estava no alto da escada rolante quando ouviu o apito do metrô. O trem ia partir.&lt;br /&gt;Segurou a pasta com mais firmeza e começou a correr, subindo o mais rápido que podia. Correu correu correu...e pegou o trem no exato instante em que a porta se fechava.&lt;br /&gt;Ainda ofegante, respirou fundo e procurou um banco para se sentar. Achou um num canto do vagão, entre uma velhinha e um senhor engravatado. Sentou, pôs a pasta no colo e logo o trem arrancou, rumo à próxima estação.&lt;br /&gt;Fechou os olhos e tentou relaxar. Não conseguiu. Naquela manhã chuvosa e fria de quarta-feira, não sentia qualquer vontade de ir para o trabalho. A rotina estava deixando-o desanimado, cansado, estressado. Contas a pagar, papéis a assinar demais. Há cinco anos no mesmo lugar, vendo as mesmas pessoas - estava cheio. Já não sentia mais vontade de sair para tomar uma cerveja depois do trabalho, o que fora um de seus maiores prazeres.&lt;br /&gt;Não fora ontem mesmo que o chefe gritara com ele porque enviara um relatório com as duas folhas grudadas? E não fora há dois dias que o chefe gritou com ele porque enviara os relatórios com as pontas dobradas e cinco minutos depois do tempo previsto? Não fora ontem que discutira com o colega...por causa de uma tomada e um recarregador de celular?&lt;br /&gt;Podia procurar outro trabalho - mas achava que dava muito trabalho. Com cinco anos de firma, o adicional do salário era bom. Não se arriscaria a procurar outro emprego e perder o que já tinha.&lt;br /&gt;Em casa as coisas também não andavam boas. Antes de sair de casa, discutira de novo com a esposa. A velha história: ela reclamava que ele não tinha tempo para ela. Ele dizia que não era bem assim, que quando chegava em casa ela estava sempre ocupada. E os dois começavam a discutir de novo, até ele decidir bater a porta da rua e ir embora. E ficava cheio de dúvidas o dia todo. Tinha medo que um dia a fechadura fosse trocada de vez. Ou que ela não estivesse quando ele voltasse para casa. E ia com a cabeça cheia para o trabalho.&lt;br /&gt;Sentia falta dos velhos amigos, que há tempos não via. Todos os dias dizia que ia telefonar para eles, mandar um e-mail, pombo-correio, qualquer coisa...e ficava adiando. Vinha fazendo isso há mais ou menos dez anos. E a culpa descia e enchia sua cabeça de pensamentos estranhos. Não ligava, mas sentia falta. E não ligava. Mas sentia falta...&lt;br /&gt;Quando deu por si, estava mergulhado em pensamentos, completamente entregue. Despertou de repente, como quem acorda de um sonho. Ouviu o anúncio da estação: era a sua. Tinha que descer agora.&lt;br /&gt;Pegou a pasta e ficou em pé. A porta abriu, ele saiu em meio à multidão e começou a caminhar.&lt;br /&gt;Enquanto isso, seus olhos pousaram do outro lado da estação. Separado dele pelos trilhos, lá bem do outro lado, estava uma senhora. Negra, bem idosa, cabelos grisalhos, coque no alto da cabeça. Usava um casaco escuro e uma saia igualmente escura. Segurava uma bolsa nas mãos. E vinha andando apoiada na parede da estação.&lt;br /&gt;Um passo de cada vez, bem devagar, para não cair, ela avançava. Segurava a parede, dava um passo, parava para respirar. Apoiava as duas mãos na parede, dava mais um passo, respirava fundo, apoiava as mãos na parede. Dava mais um passo. Devagarzinho, sem pressa. Em volta da velhinha, pessoas de todos os tipos passavam, sem ajudá-la, sem nem mesmo olhá-la, como se ela fosse invisível.&lt;br /&gt;E ele ficou ali, em êxtase, olhando o caminhar da velhinha, parado bem na hora de ir trabalhar, como se o tempo fosse infinito. E continuou admirando o caminhar daquela senhora simples, até que se deu conta e retomou o seu.&lt;br /&gt;Ficou com pena da idosa, mas estavam separados por um trilho de metrô - e provavelmente ela não iria precisar da ajuda dele. Nem iria querer.&lt;br /&gt;Nunca mais esqueceu a cena, nem o que descobriu naquele breve instante.&lt;br /&gt;Ainda podia caminhar sem a ajuda da parede.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-1534661164900736071?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/1534661164900736071/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=1534661164900736071&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/1534661164900736071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/1534661164900736071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/03/reflexes-de-um-metr.html' title='Reflexões de um metrô'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-8928847372568386677</id><published>2008-03-13T11:45:00.000-07:00</published><updated>2008-03-13T11:47:07.166-07:00</updated><title type='text'>O pouco que sobrou</title><content type='html'>&lt;div&gt;Não gosto de postar letras de músicas. Mas às vezes elas falam mais do que um texto próprio...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Eu cansei de ser assim&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Não posso mais levar&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Se tudo é tão ruim&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Por onde eu devo ir?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;A vida vai seguir&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Ninguém vai reparar&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Aqui neste lugar&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Eu acho que acabou&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Mas vou cantar&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Pra não cair&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Fingindo ser alguém&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Que vive assim de bem&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu não sei por onde foi&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Só resta eu me entregar&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Cansei de procurar&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;O pouco que sobrou&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Eu tinha algum amor&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Eu era bem melhor&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Mas tudo deu um nó&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;E a vida se perdeu&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Se existe Deus em agonia&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Manda essa cavalaria&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Que hoje a fé&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Me abandonou&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-8928847372568386677?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/8928847372568386677/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=8928847372568386677&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/8928847372568386677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/8928847372568386677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/03/o-pouco-que-sobrou.html' title='O pouco que sobrou'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-3783058212119629125</id><published>2008-03-13T11:17:00.001-07:00</published><updated>2008-03-13T11:17:58.747-07:00</updated><title type='text'>Estado fluido</title><content type='html'>Hoje acordei num estado fluido.&lt;br /&gt;Não sei qual é exatamente a definição de fluido. Nem sei exatamente se isso é um estado relativo à matéria, ou apenas um sinônimo de "líquido".&lt;br /&gt;Mas estado fluido é aquele onde você sente como se sentisse que não sente nada.&lt;br /&gt;Se algo de bom acontece, o que te levaria obviamente a ficar feliz, você só consegue sorrir brevemente por alguns instantes. Se algo de ruim acontece, você nem chega a ficar triste por muito tempo. A sensação na maior parte do tempo é de um vazio, algo como se fosse um estado de espírito sem um estado de espírito, algo indefinido - daí a idéia de "fluido".&lt;br /&gt;Não sei se isso é necessariamente bom ou ruim. Talvez não seja nenhuma das duas coisas. Talvez seja apenas a transição de um estado de espírito, um momento em que você simplesmente não está bem nem mal.&lt;br /&gt;Talvez seja uma sensação de momento como outra qualquer. Ou talvez seja coisa da minha cabeça, mesmo, que vive arquitetando coisas e coisas e tentando entender o que se sente.&lt;br /&gt;Talvez sim, talvez não...mas a resposta mais provável é...quem sabe!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-3783058212119629125?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/3783058212119629125/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=3783058212119629125&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/3783058212119629125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/3783058212119629125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/03/estado-fluido.html' title='Estado fluido'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-4692037980572570344</id><published>2008-03-10T14:53:00.000-07:00</published><updated>2008-03-10T14:54:04.688-07:00</updated><title type='text'>A chuva e o aeroporto</title><content type='html'>Há algumas coisas que me fascinam sem muita explicação. Chuva e aeroporto são duas delas.&lt;br /&gt;Não sei o que tem demais em um lugar de onde aviões chegam e decolam. Não sei qual é o fascínio capaz de despertar em uma pessoa uma simples torre de controle, como existem aos montes pelo mundo. E os aviões decolando? Voando (quase) livres pelo céu, aqueles pássaros gigantes de metal, devorando quilômetros em questão de segundos...toda aquela estrutura interna...o cheiro de viagem...a imagem das nuvens, belas tanto de fora quanto de dentro.&lt;br /&gt;Você já viu uma nuvem "por dentro"? Eu já, me lembro bem. Parecia envolto por um raio luminoso. Um belo espetáculo.&lt;br /&gt;Ou não sei o que pode fascinar um ser humano naquela megaestrutura de aeroporto, gente chegando e saindo, malas, transportes, abraços, despedidas, reencontros e tudo mais.&lt;br /&gt;O internacional do Galeão (vulgo Tom Jobim) tem algo de especial. Diria eu que fica num lugar classificado como "meio do nada", em uma área que não sei direito onde fica nem onde vai dar, algo que parece não ter fim. Ouso arriscar que fica perto do céu, de tão longe de qualquer coisa. Deve ser por isso que virou aeroporto, vai saber.&lt;br /&gt;E olhar assim, para a torre de controle, me fascina muito. Ainda mais num dia chuvoso como hoje, em que o barulho da água batendo no telhado se mistura à visão turva das gotas escorrendo pelo vidro, em meio ao céu plúmbeo-cinzento, e a torre ao fundo, sempre imponente.&lt;br /&gt;Quando era pequeno eu me perguntava como se subia à torre, aquele lugar tão alto. Talvez tenha me perguntado se os caras por acaso chegavam lá de avião. E ficava imaginando como era aquilo por dentro. Cheguei a desenhar uma escada, certa vez:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coisa de criança. O tempo passou, cresci, mas o fascínio por aeroportos, aviões, torres de controle e chuva não mudou.&lt;br /&gt;Hoje, quando olho para esse cenário, o sentimento é diferente, meio misturado com tristeza, meio bucólico, meio melancólico. Mas esse é assunto pra outro post...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-4692037980572570344?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/4692037980572570344/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=4692037980572570344&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/4692037980572570344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/4692037980572570344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/03/chuva-e-o-aeroporto.html' title='A chuva e o aeroporto'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-903822720565080504</id><published>2008-01-21T13:14:00.000-08:00</published><updated>2008-01-21T13:20:27.734-08:00</updated><title type='text'>A insignificância do ser</title><content type='html'>&lt;p&gt;O Jerônimo era um cara alegre, bem-humorado e muito sério quando se tratava de fazer alguma coisa, principalmente trabalho. Mas naquele dia não estava bem. Estava esquisito. Chegara atrasado pela primeira vez em vinte anos de firma. Fora beber um café e colocara sal em vez de açúcar. Esqueceu de ligar o computador e ficou reclamando que sua máquina estava com problema. Se atrapalhara todo na hora de fumar e beber café ao mesmo tempo, apagando o cigarro no copo e tentando beber as cinzas. Ficou o dia inteiro com o olhar perdido no horizonte, pensando no nada. Falava com monossílabos e cumprimentava com um "oi" em vez das frases enormes e felicitações de sempre.&lt;br /&gt;No fim do expediente, angustiado com o comportamento do colega, o Paulinho o chamou para tomarem uma cerveja.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;- Onde?&lt;br /&gt;- Aqui em frente não está bom?&lt;br /&gt;- Aqui em frente?&lt;br /&gt;- È, Jerônimo, tem um bar aqui.&lt;br /&gt;- Aqui? Mas não tô vendo nenhum balcão...nem cervejas...nem as eventuais baratas de sempre...entrei no lugar errado de novo? - perguntou o Jerônimo, que quase provocara uma hecatombe ao entrar por engano no banheiro das mulheres. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;O Paulinho bufou.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;- Não, Jerônimo, não...o bar aqui...aqui em frente à firma...sabe?&lt;br /&gt;- Ah...esse. Não sei onde fica não, mas está bom.&lt;br /&gt;- Mas você foi lá ontem!&lt;br /&gt;- Ah é? Mas ontem não foi domingo?&lt;br /&gt;- Não...foi quarta-feira, Jerônimo.&lt;br /&gt;- Ah.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Foram ao bar. Sentaram e pediram uma cerveja. O Jerônimo não disse nada. Parecia com medo de esquecer que tinha se lembrado de algo. Ficou parado, olhando o vazio. Paulinho começou:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;- O que é que há com você, Jerônimo? Molha o bico e me conta.&lt;br /&gt;- Hã? O que? Não há nada...tá tudo bem.&lt;br /&gt;- Pô, tem alguma coisa errada com você cara. Não é possível. Você nunca chega atrasado. Hoje chegou. É super atento, mas botou sal no café, tentou trabalhar com o computador desligado, entrou no banheiro das mulheres, foi dar dois beijinhos no chefe...&lt;br /&gt;- Eu?&lt;br /&gt;- É, você.&lt;br /&gt;- Puxa...nem percebi.&lt;br /&gt;- É, eu vi. O que tá pegando?&lt;br /&gt;O Jerônimo parou por um instante...&lt;br /&gt;- Bem, eu...&lt;br /&gt;- ...você?&lt;br /&gt;- Na verdade...&lt;br /&gt;-...na verdade...&lt;br /&gt;- Pode parar de repetir o que eu digo?&lt;br /&gt;- Não. Agora bebe um gole dessa cerveja e fala logo o que você tem.&lt;br /&gt;- Nah, daqui a pouco eu bebo. Bem...na verdade...é a insignificância do ser.&lt;br /&gt;Paulinho fez cara de interrogação.&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;- Um exemplo simples. Já parou pra pensar quantas músicas foram feitas, escritas e gravadas desde que entendemos o conceito moderno de música?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Pois é. Eu já. E fiquei impressionado.&lt;br /&gt;- Com o resultado?&lt;br /&gt;- Não, é que não consegui contar e percebi que esqueci tudo de matemática. Mas já pensou quantas músicas foram feitas e não chegaram a ser gravadas?&lt;br /&gt;- É...mas o que isso tem a ver com a insignificância do ser? E olha, tua cerveja vai esquentar, desse jeito. Bebe logo.&lt;br /&gt;- Daqui a pouco. Bem, deixa explicar...é que essa coisa da música deu margem a outras idéias. Já pensou quantas pessoas existem na Terra?&lt;br /&gt;- Ah, mais de seis bilhões, por aí. Mas porque você...&lt;br /&gt;- Em número é fácil, cara. Mas pensa assim...conhecendo.&lt;br /&gt;- Não entendi.&lt;br /&gt;- Quantas pessoas você conhece?&lt;br /&gt;- Ih, um monte. Mas esquece isso e bebe um gole, Jerônimo.&lt;br /&gt;- Agora não. Pois é, você conhece um monte de gente. Mas elas são uma fração mínima do número de pessoas que hoje habitam o planeta. E cada uma delas é uma fração menor ainda do espaço incrível que é o planeta, que é algo ínfimo perto do universo gigante onde vivemos.&lt;br /&gt;- Agora só falta você falar das amebas.&lt;br /&gt;- AS AMEBAS!!! Cara, como não pensei nisso? Se cada ser humano é ínfimo, imagina as amebas. E as bactérias que vivem nas amebas? Já pensou como são insignificantes perto do tamanho do universo? Genial! Paulinho, você nunca teve essas idéias?&lt;br /&gt;- Não. Bebe, Jerônimo. A cerveja vai esquentar.&lt;br /&gt;- Olha, você devia pensar mais nisso.&lt;br /&gt;- Na temperatura da cerveja?&lt;br /&gt;- Não! Devia pensar nesse negócio das amebas! Essas coisas fazem o mundo girar.&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;- Veja...quando a gente pensa e fala o que pensa pro outro, o pensamento ínfimo se torna maior, pois é dividido entre duas pessoas. E quando dezenas de milhares pensarem a mesma coisa, ele se tornará ainda maior, deixando um pouco o estágio de "ínfimo" e virando algo pequenino.&lt;br /&gt;- Tá, até é...mas agora deixa pra lá. Bebe, Jerônimo. Você vai se sentir melh...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Jerônimo parou por um instante, ficou de pé, apontou para o Paulinho e gritou, no meio do bar:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;- CARA!!! Você concorda!!!! Você é dos meus!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, abraçou o Paulinho, que ficou vermelho de vergonha, levantou discretamente e fez o Jerônimo sentar de novo na cadeira.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;- Senta, Jerônimo...fica quieto...tá todo mundo olhando!&lt;br /&gt;- Tá vendo? Tá vendo? É o pensamento se tornando algo menos que ínfimo. É a diminuição dessa tal insignificância do ser.&lt;br /&gt;- Bebe, Jerônimo.&lt;br /&gt;- Depois. Agora preciso continuar a expor a minha teoria. Já pensou? Se você conhecesse a fundo todas as seis bilhões de almas da Terra, continuaria a ser algo ínfimo perto da grandeza do universo.&lt;br /&gt;- Tem certeza que não quer um golinho?&lt;br /&gt;- Não. Bebe você. Isso. Deixa eu continuar. Pensa assim...cada estrela é algo mínimo no universo. E os planetas são mínimos perto de cada estrela. Mas eles são gigantes perto de cada ser.&lt;br /&gt;- Bebe, Jerônimo. BEBE UM GOLE!!!!&lt;br /&gt;- Isso. Um gole. UM GOLE! O que é um gole perto de toda a cerveja existente no mundo? Perto de toda a cerveja já consumida durante essas centenas de milhares de anos desde que foi inventado o próprio conceito de bebida alcóolica? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Paulinho se debruçou sobre a mesa e puxou o Jerônimo pra frente, ficando cabeça-a-cabeça com ele. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;- Tu é um cara bem-humorado, mas sério. Não viaja desse jeito. Alguma coisa aconteceu ontem.&lt;br /&gt;- Na verdade, a insignificância...&lt;br /&gt;- Ah...já sei o que é.&lt;br /&gt;Paulinho sorriu, triunfante, voltando a recostar na cadeira. Jerônimo ficou vermelho, começou a suar. Ajeitou o nó da gravata, parecia nervoso.&lt;br /&gt;- Sabe?&lt;br /&gt;- Sei. E pelo visto, acertei.&lt;br /&gt;- A-acertou?&lt;br /&gt;- Claro. Da última vez você não ficou viajando assim, porque estava tão animado com a festa da empresa e achando que ia se dar bem, que nem ligou. Mas agora a próxima festa é só ano que vem e hoje é um dia ruim pra sair. E você ficou triste e tentou distrair as idéias com outra coisa. E viajou na maionese.&lt;br /&gt;- Eu...eu...&lt;br /&gt;- Brigou com a Teresa de novo. E ela foi pra casa da mãe.&lt;br /&gt;- Eu...na verdade...a insignificância...o gole de cerveja...&lt;br /&gt;- Esquece.&lt;br /&gt;- O universo, tão grande perto de cada pessoa...&lt;br /&gt;- Bebe, Jerônimo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-903822720565080504?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/903822720565080504/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=903822720565080504&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/903822720565080504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/903822720565080504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/01/insignificncia-do-ser.html' title='A insignificância do ser'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-6892410427657245652</id><published>2008-01-08T11:59:00.000-08:00</published><updated>2008-01-08T12:00:55.078-08:00</updated><title type='text'>As duas faces da paisagem</title><content type='html'>433. Mais um Dia de trabalho, mais uma noite de volta para casa. Tudo tranqüilo, ônibus silencioso, via sem trânsito. Oito e meia. Há tempos o Rio já acendeu suas luzes nos postes e há menos gente circulando nas ruas. Medo, talvez. Cansaço, quem sabe. A cidade segue rumo a mais uma de tantas madrugadas.&lt;br /&gt;O ônibus virou a curva na Rua Teixeira de Freitas e entrou na Avenida Beira-Mar, na Glória, seguindo em direção à Praia do Flamengo. A velocidade é alta, mas nada excessivo: o motorista hoje não está com tanta pressa e posso admirar a paisagem.&lt;br /&gt;Quando chegamos perto da curva do Hotel Glória, ali naquela praça onde fica o Memorial Getúlio Vargas, olhei pela janela e vi alguma coisa se mexendo entre as árvores. Cortando o silêncio da praça, que de tão silenciosa chega a ser sombria, estava um "moleque de rua". Devia ter entre 12, 14 anos, negro, short, camiseta e boné. Corria como nunca, atravessando a praça com alguma coisa na mão. Pouco depois percebi o motivo da correria: um homem meio careca, gordo, de camisa social, calça e sapato, corria atrás do garoto. "MINHA CARTEIRA!!!! PEGA LADRÃO!!!".&lt;br /&gt;Ninguém para acudir, em meio à rua deserta. As cabeças dos passageiros do ônibus se voltaram para assistir à cena. Mais rápido, o garoto deixou a praça, atravessou as pistas da Praia do Flamengo e entrou em uma mata perto de um posto de gasolina. O homem ficou parado, ali, arfando, sem ter o que fazer. E o ônibus acelerou e fez a curva, deixando a cena para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quase 20 minutos depois...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora são quase nove horas. Estamos saindo de Copacabana, a famosa Princesinha do Mar, pelo Corte do Cantagalo, para entrar na Lagoa e chegar ao Leblon. Quase não há mais passageiros no ônibus, que está mais silencioso que nunca. O trocador abandona seu posto e se senta num banco de passageiro, bem relaxado, conversando algo com o motorista. Estamos chegando.&lt;br /&gt;Cruzando o Corte e fazendo a curva em forma de 9, entramos na Lagoa. Algumas árvores depois, o espetáculo: o espelho d´água parado, sem vento, iluminado sob as luzes das dezenas de postes que existem em suas margens, refletindo as luzes da cidade à noite, refletindo a lua, aquela cena: a lagoa brilhante, os prédios, o Cristo Redentor ao fundo.&lt;br /&gt;Um êxtase para os olhos cansados do Dia de trabalho. Dá vontade de exclamar um "aaaaaaaaahhhh", ou outra onomatopéia de espanto qualquer. Belíssimo. O tipo de espetáculo que só o Rio é capaz de proporcionar.&lt;br /&gt;E enfim, chego em casa. E, pensando nas duas cenas que vi na mesma noite, o crime e a bela paisagem, paro pra pensar...&lt;br /&gt;Há algum tempo atrás, ainda na escola, tive de fazer uma redação com base em um texto que dizia que o Rio estava se tornando uma "inútil paisagem", apenas para ser vista de longe. Meu texto dizia que não: a paisagem não será inútil enquanto houver gente que lute pelo contrário. Enquanto houver gente que batalhe para melhorar a cidade, as paisagens não serão apenas para serem vistas de longe.&lt;br /&gt;Hoje vejo que essa idéia que defendi é meio "furada". Mas a despeito disso, hoje concordo em parte com o autor do texto. Adoro essa cidade, mas viver aqui está ficando muito difícil. Falta emprego, faltam investimentos em todas as áreas, falta segurança, falta gente interessada em lutar por uma cidade melhor. Sobram mendigos e "moleques de rua" sem oportunidade, sobram assaltos, violência, sujeira, buracos nas ruas e um descaso completo, em todos os níveis. Impossível sair na rua sem sentir medo, impossível pegar um ônibus sem temer um assalto. Tentamos criar regras e normas de segurança que se mostram totalmente paliativas, devido ao tamanho do problema.&lt;br /&gt;As belas paisagens, por exemplo, estão abandonadas. Visitar um ponto turístico como um mirante significa risco de assalto. Tudo se torna algo "para ver de longe". A beleza do Rio, que também já esteve no "jeito carioca" de ser, está se tornando apenas algo plástico, do cenário, devido ao desânimo cada vez maior de quem mora aqui - boa parte dessas pessoas, porque não tem como ir embora.&lt;br /&gt;E como mudar? Não sei, sinceramente. E isso também me preocupa muito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-6892410427657245652?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/6892410427657245652/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=6892410427657245652&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/6892410427657245652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/6892410427657245652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/01/as-duas-faces-da-paisagem.html' title='As duas faces da paisagem'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-8119854167609676586</id><published>2008-01-07T19:41:00.000-08:00</published><updated>2008-01-07T19:44:03.279-08:00</updated><title type='text'>O sonhador, o vento e o banco do parque</title><content type='html'>Meia-noite. Sem pressa, ele caminhava devagar por entre as árvores, seguindo pela alameda iluminada apenas pela luz da lua, e cercada de árvores dos dois lados. Depois de uma curva, estava lá o imenso portão de aço, todo enferrujado, que rangia terrivelmente toda vez que se abria.&lt;br /&gt;            Com o máximo de cuidado que era possível, ele ergueu uma das mãos, tirando-a dos bolsos de seu sobretudo, e empurrou o portão. O rangido se espalhou por toda a floresta, como um grito na noite. Parecendo não se importar, ele entrou, caminhou mais um pouco até chegar ao velho banco de praça, e então se sentou. Uma leve brisa soprou, refrescando a noite e levantando as folhas do chão do parque.&lt;br /&gt;            Há quanto tempo não se sentava naquele banco de praça? Três? Quatro anos? Mais, talvez. Muito menos, quem sabe. Houve uma época em que costumava ficar ali, admirando a lua e as estrelas, tendo idéias. Houve uma época em que achou que isso não servia para nada. Mas quem disse que tudo na vida tem de servir para alguma coisa?&lt;br /&gt;            Meteu a mão no bolso esquerdo da capa e sacou um maço de cigarro e um isqueiro. Retirou um cigarro, acendeu, tragou, cuspiu a fumaça, tirou o cigarro da boca...e ficou pensando. Tanta coisa acontecera enquanto esteve longe de seu banco de praça. Tantos amigos. Tantos chopes. Tantas coisas engraçadas. Tantas mulheres. Tantos beijos, abraços, cumprimentos, risadas, bons momentos. Tantos lugares bons, tantos jogos divertidos, tantas bebidas maravilhosas, tantas aventuras. E que coisa engraçada, nada havia permanecido. Tudo passou.&lt;br /&gt;            O vento voltou a soprar, e carregou para longe uma das folhas daquele chão de outono. Sim, pensei, aqueles momentos, desde a última vez que havia me sentado no banco de praça, eram cada um como uma daquelas folhas, que permaneciam ali no chão criando um ambiente bonito, poético, com o banco de praça ao fundo, o cara sentado fumando no escuro, apenas a lua iluminando a cena, como um holofote daqueles de monólogo de teatro. Aquela folha que voou na minha frente parecia um desses momentos que passam. E a vida agora, para mim, parecia o chão à minha frente: um campo aberto, sem nada a se preencher.&lt;br /&gt;            Como realmente o tempo havia passado. Dois? Três? Quatro anos? Como uma mola comprimida pela imagem da folha, as lembranças começaram a voltar à mente dele. Agora não pareciam tão boas assim. A derrota do Brasil na Copa, frustrações amorosas, pessoais e profissionais, erros cometidos pelo caminho, besteiras que não precisavam ser ditas, mancadas verbais e físicas, dores, choros, sofrimento. A música que lembrava quem ele queria esquecer, as músicas que recordavam seu tempo de infância e quase o levavam às lágrimas, as coisas que fizera e que achava que tinham sido perda de tempo. E que coisa engraçada, nada havia permanecido. Tudo passou.&lt;br /&gt;            Novamente o vento soprou, agora mais forte, trazendo poeira e mais folhas em plena madrugada de outono. Fechou os olhos com força e baixou a cabeça, tentando evitar que a poeira atingisse seus olhos. O cigarro apagou. Mais folhas pararam na frente do banco. Ele abriu os olhos devagar. Como que teimando, o vento voltou a soprar, em uma brisa muito leve, e levou as folhas embora de novo, deixando o chão vazio.&lt;br /&gt;            Larguei o cigarro, as lágrimas começaram a rolar pelo rosto. Retirei as mãos dos bolsos e levei aos olhos, soluçando. Não conseguia me conter. Chorava. A natureza agora decidira ser metafórica e falar de acordo com meus sentimentos? Até ela estava contra mim agora, decidira ventar e levar para longe o que era bom e o que fora ruim? Como se já não bastasse todas as dúvidas, ainda havia algo de metafórico naquilo tudo? O que fora a minha vida no tempo em que não estive sentado no banco do parque, ou da praça, ou seja lá qual for o banco? Um amontoado de folhas que embelezam a paisagem e são carregadas embora pelo vento? Uma imagem poética de um texto de blog “madrugante” (considerando que “madrugante” não é necessariamente um texto escrito pelo Seu Madruga) ? O que, afinal, eu construíra durante esse tempo do lado de fora do parque, longe do banco mas nem tanto assim?&lt;br /&gt;            E como que respondendo, o vento soprou novamente, atingindo seu rosto com força. Ele enxugou as lágrimas, tentou se controlar. Não sabia. Não tinha as respostas prontas. Nem com quem conversar, agora que o vento levara tudo. Então, pegou o cigarro e o atirou longe, e voltou as mãos aos bolsos. Parou de pensar. Ficou apenas contemplando a paisagem do parque “madrugante” (que não, não necessariamente é o parque onde mora o Seu Madruga). Olhando a sombra das árvores escuras, o brilho das estrelas no horizonte, a lua que o iluminava, como num daqueles velhos monólogos de teatro. Se não tinha nada, então olharia o que estava em volta, sem se preocupar.&lt;br /&gt;            E o vento soprou pela última vez, trazendo folhas que passaram e deixando outras aos pés dele, em meio à fria madrugada de outono.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-8119854167609676586?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/8119854167609676586/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=8119854167609676586&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/8119854167609676586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/8119854167609676586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2008/01/o-sonhador-o-vento-e-o-banco-do-parque.html' title='O sonhador, o vento e o banco do parque'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-3690737136333045870</id><published>2007-11-23T13:20:00.000-08:00</published><updated>2007-11-23T13:21:54.686-08:00</updated><title type='text'>Pensamento do dia</title><content type='html'>Diga-me com quem andas e eu te acusarei de formação de quadrilha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-3690737136333045870?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/3690737136333045870/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=3690737136333045870&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/3690737136333045870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/3690737136333045870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2007/11/pensamento-do-dia.html' title='Pensamento do dia'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-7980199602630055326</id><published>2007-05-31T19:57:00.000-07:00</published><updated>2007-05-31T19:58:51.772-07:00</updated><title type='text'>Janela do mundo</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Não gostei do texto abaixo, esperava mais para um relato que nasceu num sonho. Mas não tá saindo nada mais animador. Bem, ainda posso voltar e editar...&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que vovô morreu, vovó se isolou do mundo.Foi um assalto - uma coisa horrível e comum esses dias. Terminou com um tiro certeiro no coração. O casamento era "daqueles de antigamente", com anos e anos de estrada e vida em comum, e a impressão de que estariam juntos para sempre. Ledo engano – “sempre” é uma palavra que não cabe na vida humana. No lugar da vida sossegada e tranqüila que é o sonho de toda velhice, vovó se tornou uma pessoa fechada, recolhida, triste. Mas em vez de verter lágrimas, deixou, aos poucos, de sair, de andar pelas ruas "nem tão tranqüilas" do bairro onde mora. Em vez disso, a portaria do prédio tornou-se a janela de vovó para o mundo. Como se ela quisesse um meio-termo entre a segurança do apartamento e o mundo lá fora. É para lá que ela vai, todas as tardes, "espiar o movimento". Na maioria das vezes, fica em pé mesmo: passa o carteiro, o amolador de facas (que está pensando em desistir da profissão, já que hoje todas as facas vêm amoladas), o marido da dona da floricultura, a dona Josefina do 703 (que vai todas as tardes passear com o cachorro na praia), o velho Seu Leal, o chaveiro (que está quase mudando o nome para Seu DesLeal, devido à enorme concorrência – essa foi horrível), o Seu Ferreira sapateiro, o homem que trabalha na padaria. E não só conhecidos: ontem chegou o homem que veio consertar o poste, o dono do prédio (de todos os apartamentos) chegou cinco minutos atrasado, o porteiro não veio porque estava doente. O ônibus fechou o carro e quase cria um acidente enorme, o taxista brigou com o outro e veio discutindo do ponto de lá até aqui, a fechadura quebrou quando aquele "bruto do 703" tirou a chave e arrancou tudo junto.&lt;br /&gt;E lá ela continua, vendo o movimento, por horas e horas a fio. A portaria virou a janela de vovó.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-7980199602630055326?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/7980199602630055326/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=7980199602630055326&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/7980199602630055326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/7980199602630055326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2007/05/janela-do-mundo.html' title='Janela do mundo'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-2849653989070276543</id><published>2007-05-31T19:43:00.000-07:00</published><updated>2007-05-31T19:44:21.510-07:00</updated><title type='text'>E o próximo trem - parte 2</title><content type='html'>Depois de tanto pensar, e refletir sobre coisas estranhas como gotas de água da chuva no chão do metrô, resolvi ouvir a música que diz De onde vem a calma / Daquele cara... e seguí-la à risca.&lt;br /&gt;Calma. Tudo passa, mesmo. Não adianta você empurrar as pessoas na saída do metrô. Às vezes é necessário esperar pelo próximo. A espera acalma, faz refletir sobre coisas engraçadas, e gera bons textos que vão pro blog depois. Faz parte.&lt;br /&gt;Vamos lá. Começando pela saída do metrô. Devagar, sem pressa, sem correria, seguindo o fluxo, como se não tivesse hora. Bom, mesmo porque, não tenho.&lt;br /&gt;Guarda-chuva ainda em punho, olho meio apertado, capa de chuva aberta no peito, calça jeans e camisa verde. Ei, esse aí sou eu. Infelizmente, continuo pensando. Sei que não devia. Quem sabe um dia eu aprendo e deixo isso pra lá, e passo a pensar mais quando devia e menos quando não precisa.&lt;br /&gt;Porque afinal, sempre que penso...bom, quem leu o texto anterior sabe.&lt;br /&gt;Pior que, escrever sobre isso tá me fazendo pensar, também. E sempre que penso...hehe.&lt;br /&gt;Tem problema não. Quem disse que a gente precisa se achar o tempo todo, e que ficar perdido de vez em quando não é bom?&lt;br /&gt;De vez em quando.&lt;br /&gt;Voltamos à nossa programação normal...&lt;br /&gt;E lá vou eu. Sabe que nunca peguei escada rolante com calma? Tava sempre correndo, querendo ultrapassar todo mundo, entrar logo no trem, pegar logo o próximo, ser o primeiro na porta.&lt;br /&gt;Dessa vez, vou com calma, mesmo. Vamos ver de qual jeito é melhor.&lt;br /&gt;Lá em cima, ouço o apito do trem, e acabo de perceber que ele é o próximo. Olha só. O próximo trem está parado na plataforma, porta aberta, esperando entrar. Só que ele tem um tempo curto, e logo tá apitando de novo, e partindo. E se não correr, não pega.&lt;br /&gt;E daí? O próximo não é o último...como aliás eu sei desde pequeno. Só que é tão mais fácil não ver.&lt;br /&gt;Ao chegar no topo da escada, o próximo trem (já ia escrever “último”, vejam vocês) ainda está lá. Mas não tenho pressa, nem vou correr. Não tô com vontade, pronto.&lt;br /&gt;Passam por mim pessoas desesperadas, correndo, quase atropelando umas às outras, com o (escrevi “nefasto”, mas apaguei) simples objetivo de alcançar o próximo trem, e partir com ele para terras não tão distantes assim.&lt;br /&gt;Não quero, não vou correr. Poupem-me.&lt;br /&gt;Um ser de mais idade passa por trás de mim, e atropela a mochila que trago às costas...e lá vai ele.&lt;br /&gt;Agora estou em frente à porta do trem, o barulho começando a soar, o apito indicando a partida próxima.&lt;br /&gt;O próximo trem está me chamando, deve ser por isso que apita. Está me dando a chance de embarcar, e seguir rumo à próxima estação...seja lá o que existir do outro lado do túnel.&lt;br /&gt;Ou eu que estou me dando essa oportunidade.&lt;br /&gt;Seja lá como for, embarquei no próximo trem.&lt;br /&gt;Ou seria “mais um”?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-2849653989070276543?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/2849653989070276543/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=2849653989070276543&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/2849653989070276543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/2849653989070276543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2007/05/e-o-prximo-trem-parte-2.html' title='E o próximo trem - parte 2'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-7276861529878437748</id><published>2007-04-27T10:24:00.000-07:00</published><updated>2007-04-27T10:40:44.824-07:00</updated><title type='text'>Sob o pôr-do-sol de um dia comum</title><content type='html'>&lt;em&gt;Marcas do que se foi / sonhos que vamos ter / como todo dia nasce / novo em cada amanhecer...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última repetição da música soou como um lamento para os meus cansados ouvidos. Sob uma mistura de aplausos, palmas, choro, desespero e saudade, ele foi enterrado. Oficialmente, sua vida terminava ali.&lt;br /&gt;Foi mais uma vítima da violência. Morto por um motivo estúpido: foi comprar uma cerveja na padaria, alguém passou atirando, errou o alvo e o acertou na cabeça. Queriam matar outro, ele pagou o pato. Novo ainda, 42 anos, publicitário bem sucedido, classe média da Zona Sul do Rio.&lt;br /&gt;Sexta-feira, quatro e meia da tarde. No enterro, amigos e parentes. De imprensa, só eu. Afinal, é só mais um morto, mais uma vítima como tantas. Fica a velha questão... "o que vai ser do jornal de amanhã se formos a todos os enterros da cidade?".&lt;br /&gt;O desespero de sua sobrinha e de sua noiva era imenso. Da noiva então, nem se fala. Iam se casar em breve. Debruçada sobre o caixão aberto, com o corpo dele inerte, coberto de flores, ela se derramava em lágrimas. Gritava que não pode ser, que assim não dá, que ele morreu. A rosa que segurava na mão direita pareceu murchar de tanta tristeza.&lt;br /&gt;Gente amiga também chora, também sente. Muitos não tem o que dizer. Alguns falam. Um conversa comigo. Mas...dizer o que? Falar o que numa hora dessas? É o velho "estava no lugar errado, na hora errada". Mas, por Deus, que cidade é essa onde todos os lugares são errados e todas as horas são impróprias? Estar comprando uma cerveja na padaria em frente à sua casa é estar no lugar errado? Ou será que vivemos numa cidade toda errada?&lt;br /&gt;O cortejo segue cemitério adentro, levando o caixão. O rito agora é silencioso, sem choro, e os presentes seguem todos de cabeça baixa. Olho em volta, lendo as inscrições nas lápides. É muita gente enterrada. Olho por cima das lápides. Meu Deus, como tem gente enterrada aqui. Como tem gente que viveu e morreu nesse planeta anos antes de eu nascer. Que coisa isso de vida e morte. Que coisa essas frases de saudade, "por tudo o que me destes". Muita gente partiu dessa vida antes de eu sonhar em existir...&lt;br /&gt;O cortejo segue. Vira à direita no primeiro cruxifixo, segue adiante, lá embaixo dobra à esquerda e começa a subir. Sobe sobe sobe sobe sobe sobe sobe... e "segura aqui, vai com cuidado...é ali na terceira, adiante".&lt;br /&gt;É o fim. Os parentes e amigos se aglomeram em volta de várias lápides, que, sendo como são, colocadas uma por cima da outra, me lembram um monte de gavetas num arquivo sem fim. Desenhadas em cada uma estão inscrições de saudade, datas de morte e nascimento, nomes de pessoas. Todas mortas. Mortas. Não se mexem, não falam. Mortas. Estão em outro plano? Terão desaparecido? Estarão no céu ou no inferno? Ou vivendo de novo?Em uma "gaveta" sem identificação, o coveiro coloca o caixão dele. Antes que possa fechar a entrada com uma pá e cimento (é cimento mesmo?), a sobrinha se debruça sobre o caixão, chorando, deixando uma flor para o tio. "Ele morreu...não...não acredito...vai em paz...descanse...eu te amo, tio, eu te amo..."&lt;br /&gt;Alguém começou a falar, bem atrás de mim: "O fulano era ótimo. Uma pessoa muito boa, maravilhosa. Se alguém estava com problema, ele parava e perguntava 'quer ajuda, tá precisando'? Uma salva de palmas para ele!"&lt;br /&gt;A saudade se misturou com a tristeza, e atendendo ao pedido, os presentes bateram palmas, calorosamente. Enquanto isso, o coveiro pegou a pá e começou a fechar a entrada da lápide com cimento (é cimento mesmo?). Dei as costas para o enterro propriamente dito e comecei a observar o cemitério, lá do alto.&lt;br /&gt;A cena jamais sairá da minha cabeça. Sob um pôr-do-sol de um dia comum, de um céu azul claro, havia dezenas, centenas, milhares de lápides e túmulos, se estendendo de norte a sul, de leste a oeste, para muito além do meu campo de visão. Nas "gavetas" próximas ao ponto onde eu estava, havia centenas de frases, inscrições, palavras de saudade, nomes, datas de morte e nascimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gertrudes, saudades eternas. + 1920 *1975&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Amélia, descanse em paz. +1930 *1982 &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fraíldo, muitas saudades. +1935 *1978&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim que termina a vida? Vou estar ali do outro lado um dia – se é que morto "está"? E a multidão começou a cantar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O tempo passa&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E com ele caminhamos todos juntos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sem parar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Passos que ficam no chão&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Marcas do que se foi&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sonhos que vamos ter&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como todo dia nasce&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Novo em cada amanhecer&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...sob o pôr-do-sol de um dia comum, dezenas, centenas, milhares de lápides e túmulos, se estendendo de norte a sul, de leste a oeste, para muito além do meu campo de visão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Marcas do que se foi&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sonhos que vamos ter&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como todo dia nasce&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Novo em cada amanhecer&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...nas "gavetas" próximas ao ponto onde eu estava, centenas de frases, inscrições, palavras de saudade, nomes, datas de morte e nascimento...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Marcas do que se foi&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sonhos que vamos ter&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como todo dia nasce&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Novo em cada amanhecer&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última repetição da música soou como um lamento para os meus cansados ouvidos. Sob uma mistura de aplausos, palmas, choro, desespero e saudade, ele foi enterrado. Oficialmente, sua vida terminava ali.&lt;br /&gt;Desci, me despedi do amigo que falara comigo mais cedo e comecei a caminhar, sozinho, em direção à porta do cemitério.&lt;br /&gt;O tempo passou mas nem tanto assim. Na hora do sagrado sono daquela sexta-feira, deitei na cama, fechei os olhos...e apareceu o cemitério, do alto, suas centenas de túmulos e gente morta, com a música ao fundo. Abri os olhos, respirei fundo, voltei a fechá-los...e novamente apareceu o cemitério, as centenas, dezenas de lápides, as inscrições de vida, morte e saudade, sob o pôr-do-sol de um dia comum. Com a música ao fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Marcas do que se foi&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sonhos que vamos ter&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como todo dia nasce&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Novo em cada amanhecer&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sono ou morte. Seja como for...descanse em paz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-7276861529878437748?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/7276861529878437748/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=7276861529878437748&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/7276861529878437748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/7276861529878437748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2007/04/marcas-do-que-se-foi-sonhos-que-vamos.html' title='Sob o pôr-do-sol de um dia comum'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-117016828238570160</id><published>2007-01-30T06:43:00.000-08:00</published><updated>2007-01-30T06:44:53.123-08:00</updated><title type='text'>Imagens</title><content type='html'>&lt;meta equiv="CONTENT-TYPE" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;title&gt;&lt;/title&gt;&lt;meta name="GENERATOR" content="OpenOffice.org 2.0  (Linux)"&gt;&lt;meta name="CREATED" content="20070130;12144100"&gt;&lt;meta name="CHANGED" content="20070130;12405200"&gt;          &lt;style&gt;  &lt;!--   @page { margin: 2cm }   P { margin-bottom: 0.21cm }  --&gt;  &lt;/style&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;A entrada de um túnel de Copacabana vista da janela de um ônibus Frescão. O cheiro de pão, café e manteiga às 7 da manhã de um dia qualquer. Algum lugar em Niterói de carro à noite, um apartamento, luz amarelada de mercúrio e roupas sendo mostradas a alguém. Duas pessoas passando de um carro para outro, com os dois em movimento, e ninguém se machuca. Gelatina de limão numa festa em algum play longínquo, há muito tempo. Um elevador todo branco, decorado com pintura dourada, subindo, com várias pessoas dentro conversando. A praça perto de casa. Uma tapeçaria na parede do corredor de um apartamento. O interior de um túnel de Copacabana visto de dentro da janela de um ônibus vindo de Teresópolis. Uma praça de Copacabana cujo nome esqueci, à noite, toda iluminada. O interior de um carro. Um ônibus escolar cheio de crianças gritando enquanto o motorista trafega pela Lagoa e tenta fazer todos calarem a boca. Meu pai e eu discutindo sobre um milk-shake numa lanchonete de Copacabana. Banho de banheira na casa da avó. A barrica de madeira onde eu guardava brinquedos. As conversas com o baixinho que morou em cima da estante de discos até eu fazer uns quatro anos. Eu assistindo aos vários jornais da TV: o da terra, o do Rio, e o rosa (com a Marília Gabriela). Uma festa no prédio da minha avó. Eu jogando quadradobol. Rodízio de pizza aos seis anos de idade. Dias e dias brincando sem parar no Clube Federal. Ida a algum lugar longe, de carro, com a família toda, e alguém gritando “brinca de pipoca na panela”. Doze horas no aeroporto esperando avião. Gibi da Turma da Mônica em Recife. Gibi do Chaves em Recife. Mais gibi da Turma da Mônica em Recife. Sorvete em Recife. Mate em Recife. Caixote na praia de Boa-Viagem, em Recife. Genius em Recife. Eu pegando no sono em algum hotel em Recife, depois de sair. Pão de queijo em Juiz de Fora. Sorvete em Goiânia. Visita à escola, algum dia, alguma hora. Aula de trabalhos manuais. Sono vindo, um dia qualquer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-117016828238570160?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/117016828238570160/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=117016828238570160&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/117016828238570160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/117016828238570160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2007/01/imagens.html' title='Imagens'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-115678260311313988</id><published>2006-08-28T09:26:00.000-07:00</published><updated>2006-08-28T09:30:03.126-07:00</updated><title type='text'>Quem canta...seus eleitores espanta?</title><content type='html'>O tempo me falta. Essa vida de quase-pseudo-talvez-um-dia-jornalista não me permite sentar e assistir à propaganda eleitoral na tv, como sempre fiz. Seria por hábito? Também. Mas gosto de saber o que andam pensando nossos políticos. Antes, gostava de ver para sonhar com um país melhor. Amadureci e agora vejo para me divertir, e ver como certas pessoas são extremamente cara-de-pau.&lt;br /&gt;Mas como eu disse no começo, me falta tempo para assistir à tv. Por uma coincidência do destino, a propaganda eleitoral no rádio é de 7 às 7h50 da manhã, e tenho ouvido os programas enquanto tomo café. Não ria. É tão divertido quanto ouvir as notícias do dia.&lt;br /&gt;Pois bem, o rádio tem uma dinâmica diferente da TV. Não há imagens - por isso os políticos precisam recorrer à voz, se apresentar antes de falar e colocar um apresentador, que o chama e diz "Bom dia, fulano". Certo? Errado. Tem uns que esquecem de se apresentar e saem falando. Aí é ótimo, fica aquela voz do além. Divertidíssimo.&lt;br /&gt;O melhor de tudo é que a maioria dos candidatos majoritários e ao senado usam musiquinhas - os famosos jingles eleitorais. Pois bem, vamos ver o que os nossos candidatos andam cantando.&lt;br /&gt;Hoje a análise é sobre os candidatos ao Senado Federal. Aqui no Rio, concorrem Jandira Feghali (PCdoB), Francisco Dornelles (PP), Ronaldo Cezar Coelho (PSDB) e Alfredo Sirkis (PV) pelos partidos maiores. O resto não sei direito: parece que o PSTU lançou a Dayse, e tem uns outros aí. Mas por hora fico só com os grandes mesmo.&lt;br /&gt;O jingle da Jandira Feghali, a primeira colocada nas pesquisas, é 'clássico' e fica martelando na cabeça:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Jandira&lt;br /&gt;Feghali&lt;br /&gt;Senadora de todo o Rio!&lt;br /&gt;Jandira&lt;br /&gt;Feghali&lt;br /&gt;Senadora de todo o Rio!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrem-se que a eleição para senador envolve todo o estado, e existe uma "rivalidade" entre interior e capital. E claro, Jandira é a "senadora da capital". Será que esse jingle não quer fixar o nome dela e passar a idéia de que é uma senadora de todo o estado?&lt;br /&gt;O jingle do segundo colocado tem um foco totalmente diferente, vejam:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Está entrando no ar a Rádio 111. A rádio de Francisco Dornelles senador! Este ano você vai votar e escolher apenas um senador. Então lembre-se: vote um, um, um, vote Dornelles!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Na hora de votar pro senado só tem um&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um um um&lt;br /&gt;Pro senado só tem um é Dornelles&lt;br /&gt;Um um um&lt;br /&gt;Pro senado só tem um!&lt;br /&gt;Guarde isso na memória&lt;br /&gt;Dornelles é que tem história&lt;br /&gt;Um um um&lt;br /&gt;Pro senado só tem um é Dornelles&lt;br /&gt;Um um um&lt;br /&gt;Pro senado só tem um!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repare na brincadeira entre o "um" do número, o "um senador", o "um" como sinônimo de "único" e por último, o próprio número do candidato, 111. A idéia desse jingle é fixar o número e dizer que Dornelles é o melhor, o único que deve ser escolhido.&lt;br /&gt;O jingle de Ronaldo Cezar Coelho é completamente diferente dos outros dois. Observe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu sou Rio&lt;br /&gt;Eu sou Ronaldo&lt;br /&gt;Mais compromisso...&lt;br /&gt;E menos papo (é!)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É curto como o de Jandira, mas a idéia passada aqui é que o candidato é de fazer, não é de falar. E a própria música brinca com isso - porque passa a mensagem em poucas palavras.&lt;br /&gt;Por último, o de Alfredo Sirkis, do PV, é o mais inteligente de todos, mas ao mesmo tempo, o mais difícil de entender:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu vou de 433&lt;br /&gt;Sirkis!&lt;br /&gt;Eu vou de 433&lt;br /&gt;(vou votar pra senador)&lt;br /&gt;Sirkis&lt;br /&gt;Eu vou de 433...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem não entendeu: o número do candidato é 433, o mesmo de uma linha de ônibus que liga o Leblon a Vila Isabel. Aí brincaram com o número, tipo, "vou de 433" seria o mesmo que "pego o 433", "escolho o 433", num duplo sentido ônibus e candidato. Apesar de inteligente, é problemático: quem mora fora da capital não vai entender a brincadeira.&lt;br /&gt;É isso aí, não voltaremos a qualquer momento com mais bobagens e análises eleitorais. Um abraço!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-115678260311313988?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/115678260311313988/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=115678260311313988&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/115678260311313988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/115678260311313988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2006/08/quem-cantaseus-eleitores-espanta.html' title='Quem canta...seus eleitores espanta?'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-115587077653524110</id><published>2006-08-17T20:12:00.000-07:00</published><updated>2006-08-17T20:13:58.436-07:00</updated><title type='text'>Post Scriptum</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Rio de Janeiro, 17 de agosto de 2006.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caríssima,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como vai a senhora? Desde que se mudou não nos falamos mais. Ouvi dizer que a sua melhorou de vida, e que agora está muito mais tranqüila, longe desse monte de problemas. Será verdade?&lt;br /&gt;Tudo mudou por aqui. A prima Paula continua namorando o Rick, acho que já namorava quando a senhora se mudou...mas, de qualquer jeito, o namoro continua firme. Diz ela que em breve vai se casar. Não acredito muito, mas...quem sabe.&lt;br /&gt;Os pais dela se separaram, não sei se a senhora soube. Uma briga feia, mas foi um estopim, já tinham problemas há muito tempo. Depois da separação, tio Eduardo casou com uma fonoaudióloga, e tia Eunice com um militar, algo assim. Ela se mudou para Cabo Frio, levando vários pertences; ele ficou na casa onde moravam. Sempre encontro tio Eduardo, mas nunca mais vi a tia.&lt;br /&gt;Papai...ih...esse tá numa situação difícil, sabe? Perdeu o emprego e nunca mais achou. E a situação ficou mais chata depois que ele brigou com o tio Eduardo, a tia Judite e o tio Gilberto. Brigou mesmo, se irritou, disse que não queria mais falar com eles. Parece que eles mandaram ele achar o emprego perdido e ele não gostou. A situação tá difícil, ele tá quase perdendo o apartamento em Belo Horizonte, vai ficar sem o dinheiro do aluguel e ainda não sabe como vai fazer. Temo por ele, sabe, senhora? Não sei que futuro o espera, não. Tomara que as coisas dêem uma virada, tá precisando.&lt;br /&gt;Tia Judite continua muito bem, apesar dos pesares. Continua casada com o tio Sérgio, ainda morando em Petrópolis. Os primos já estão grandes e cuidando da vida: primo Guilherme entrou para a faculdade, está estudando comunicação e trabalhando. Já o primo Lúcio decidiu fazer teatro. Se formou na escola Pena sem Dó, estrelou várias peças e está subindo na carreira de ator, devagar e aos poucos. Mas os dois vão indo muito bem. Prima Bruna cresceu, claro, mas ainda está na escola, ainda tem muito chão pela frente.&lt;br /&gt;Enquanto isso, tio Gilberto é o que está melhor: ainda casado com a tia Iara, trabalhando e juntando seu dinheirinho. Ele comprou uma casa em Madureira, uma casa só dele; e para felicidade geral, voltou a estudar. Concluiu agora o segundo grau, foi o orador da turma e sonha estudar Geografia e virar professor, aos 55 anos. Provou que nunca é tarde para se aprender. Diria eu que ele está escrevendo uma bela página na história da própria vida.&lt;br /&gt;Aqui em casa estão todos bem. Vó Cláudia passou por um susto depois de enfartar, mas já voltou para casa, está bem e se recuperou de maneira excelente. As tias Maria e Marta também estão ótimas, assim como mamãe.&lt;br /&gt;Eu vou bem também: entrei para a faculdade, emagreci quinze quilos e descobri que amo trabalhar com jornal, assim que fui estagiar no jornal A Noite. Fiz novos amigos, venci aquele antigo bloqueio da escola e hoje sou outra pessoa. Claro que ainda tem muito pra conquistar, mas...eu chego lá. E continuo sonhando, senhora: quero estudar fora do Brasil e completar minha formação.&lt;br /&gt;Vou ficando por aqui, está tarde e amanhã tenho que acordar cedo...dia de trabalho e de luta. Muito bom poder falar com a senhora. Mande notícias daí, ou me telefone, ou me escreva de volta, será um prazer saber como a senhora está.&lt;br /&gt;Muitos beijos de quem lhe ama muito,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Renato&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-115587077653524110?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/115587077653524110/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=115587077653524110&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/115587077653524110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/115587077653524110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2006/08/post-scriptum.html' title='Post Scriptum'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-115351440663037192</id><published>2006-07-21T13:33:00.000-07:00</published><updated>2006-07-21T13:40:06.656-07:00</updated><title type='text'>Uma chance</title><content type='html'>Chorava. Pela primeira vez em muito tempo, não se conteve, nem procurou frear o que sentia.&lt;br /&gt;As lágrimas escorriam por seu rosto e molhavam o chão; soluçava alto, chamando a atenção de quem passava pelo lado de fora do quarto.&lt;br /&gt;Debruçou a cabeça sobre a cama de hospital e chorou ainda mais forte, de maneira mais intensa. Sua esposa afagou-lhe a cabeça, e soltou algumas palavras de carinho. Não ouviu. Não sabia se era o som do próprio soluço ou se "tampara" os ouvidos de propósito.&lt;br /&gt;À medida que perdia as forças, o choro foi ficando mais fraco. Segurou o lenço que a esposa estendia e enxugou as lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vamos?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta dela parecia redundante. Sim, deveriam ir. Nada mais poderia ser feito naquele lugar. Era tarde demais.&lt;br /&gt;Quantas coisas poderia ter feito para salvar aquela vida? Um outro hospital? Um outro médico? São Paulo, talvez. Não, não, os Estados Unidos. Estados Unidos? Não. Europa ou Japão. O que havia de mais moderno. Aquela vida não poderia acabar daquele jeito. Não, devia ser uma ilusão. Chegaria em casa e escutaria o choro, correria para o quarto e abraçaria o filho pequeno. Tiraria o menino do berço...e o seguraria com os braços estendidos de pai, num gesto forte e superior. Sim, era isso.&lt;br /&gt;Olhando-o, a esposa leu as linhas do rosto, e murmurou baixinho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ele se foi,  Arnaldo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desatou a chorar novamente, agora já no volante do carro. Não conseguiu nem virar a chave da ignição. Sua cabeça tombou sobre o volante e as lágrimas voltaram a rolar. Oito meses. Pensou em Deus. Como morre um menino oito meses? Como as coisas podem ser tão cruéis?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Deixa que eu dirijo, Arnaldo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecia uma ordem, e não um pedido. Como se a esposa fosse dirigir não só o carro, mas todo o resto, dali para a frente. Hesitou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não insista, Arnaldo. Você não está bem.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você, retorquiu ele. Você nem sequer chorou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não seja injusto! Você devia prestar mais atenção em mim. Além do mais, há outras formas de tristeza...embora eu também já tenha passado pelo choro. Vamos, deixa que eu dirijo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta o deixou desconcertado. Percebeu que a esposa estava muito mais triste do que ele, mas dominava melhor o sentimento. Deixou que ela dirigisse.&lt;br /&gt;Chegaram em casa, ainda num clima pesado. Ele foi direto ao quarto de Leonardo, como se ainda quisesse encontrar o filho por lá. Olhou em volta. Foi ao berço. Só faltou procurar nas gavetas e dentro do armário. Desanimado e de cabeça baixa, se sentou no sofá vermelho do quarto, que comprara para o pequeno assistir televisão.&lt;br /&gt;A esposa veio até ele e se sentou do seu lado. De fala mole, ele disse...vamos ter que dar todos esses móveis e o berço. Nos mudar para um apartamento menor. Não tem sentido esse quarto aqui.&lt;br /&gt;A mulher se aproximou dele, segurou sua mão, e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tudo bem. Mas antes, preciso te contar uma coisa.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dominado pelo desânimo e sem imaginar o que fosse, perguntou o que era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Estou grávida.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio à tristeza, tinha uma chance para recomeçar. Deu um beijo na esposa e foi fazer um café bem forte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-115351440663037192?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/115351440663037192/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=115351440663037192&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/115351440663037192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/115351440663037192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2006/07/uma-chance.html' title='Uma chance'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-115346080921564559</id><published>2006-07-20T22:42:00.000-07:00</published><updated>2006-07-20T22:49:28.923-07:00</updated><title type='text'>Estrela brilhante (Grito de Guerra)</title><content type='html'>&lt;em&gt;Tudo está ligado hoje.&lt;br /&gt;E continua a mudar o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendendo o significado da minha vida&lt;br /&gt;Sinto que não devo sentar e esperar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acredito em mim.&lt;br /&gt;Não posso perder...&lt;br /&gt;Eu ainda consigo correr atrás!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida continua.&lt;br /&gt;Eu quero encontrar meus sonhos.&lt;br /&gt;Em algum lugar minha alma grita por isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre dez milhões de estrelas brilhantes&lt;br /&gt;Quero brilhar mais do que todas.&lt;br /&gt;Quero encontrar a Justiça através de mim.&lt;br /&gt;É hora de construir o futuro!!!!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Tradução do inglês que é tradução do japonês. Desculpem pelos possíveis erros... =D&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-115346080921564559?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/115346080921564559/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=115346080921564559&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/115346080921564559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/115346080921564559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2006/07/estrela-brilhante-grito-de-guerra.html' title='Estrela brilhante (Grito de Guerra)'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-115300203238471822</id><published>2006-07-15T15:19:00.001-07:00</published><updated>2006-07-15T15:26:32.213-07:00</updated><title type='text'>O confuso do sonhador</title><content type='html'>De "A morte do sonhador", de outubro, neste blog:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Chegou em casa, subiu até seu apartamento e deitou na cama, sem saber direito o que fazer. Então era assim? Os sonhos podiam ser pisados desse jeito, e traídos assim? Todo o tempo e todos os sonhos não valiam de nada? Ela, sem saber, matara um sonhador.Ele, sem saber, se tornara um, mais um entre muitos, e sinceramente, não sabia como ia ser. Não sabia nem se ia ser."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Bom-dia, alô, alô, Rio de Janeiro! Que dia bonito de sol, Beliza Ribeiro! Estamos começando mais um programa aqui na Rádio Bandnews FM.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rádio o acordou. Abriu os olhos devagar, deixando o quarto entrar em foco aos poucos. Ricardo Boechat? No céu existe Ricardo Boechat?&lt;br /&gt;Sua mente, que na noite anterior relaxara completamente, agora trabalhava a mil. Boechat? Então não morri...&lt;br /&gt;Se espreguiçando e soltando um grande bocejo, sentou-se na cama, os cabelos ainda despenteados, a camisa e a bermuda amarfanhadas. Dormira daquele jeito mesmo, de tanto cansaço. Olhou em volta do quatro, como se a explicação que procurava estivesse ali, em cima da estante. Sua mente voltou a trabalhar: não, não morrera. Longe disso. Apenas dormira uma longa noite. Quanto tempo?&lt;br /&gt;Olhou para o rádio-relógio que o acordara: nove horas. Não era tarde, mas era muito para quem dormira às oito e meia.&lt;br /&gt;Ficou de pé, se espreguiçando de novo, deixando os lençois para trás, enquanto o sol invadia o quarto. Dormira realmente muito...mas não parecia renovado. Ao contrário, parecia que tudo o que acontecera na noite anterior ainda pairava sobre sua cabeça, como uma grande e pesada nuvem. Depois de uma noite tranqüila, relaxada, tudo voltava.&lt;br /&gt;Nove horas. Nove horas. Nove e cinco. Lembrou que precisava estar no escritório às dez em ponto. Ligando o botão de velocidade máxima, tomou café, tomou banho, escovou os dentes, escolheu a primeira roupa que encontrou, pegou a chave do carro e saiu correndo.&lt;br /&gt;No trânsito, parecia disperso, desligado. Quase bateu no carro da frente. Avançou um sinal e por pouco não provocou um acidente grave. Merda, merda, dizia para si mesmo. Assim não dá. Não posso.&lt;br /&gt;Parou o carro em frente à Igreja Batista da Lagoa. Que se danasse a hora e o trabalho: se um pequeno atraso o demitisse, achava outro emprego. Desceu, pegou a pasta, atravessou a rua e seguiu para a Lagoa. De frente para a água, arremessou a pasta o mais longe que pôde; depois, tirou o celular do bolso e pisou nele com força, atirando seus restos na água logo em seguida. Por último, tirou o paletó e o atirou o mais longe que podia. Livre. Livre, enfim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Acorda! Acorda! Por acaso te pago pra sonhar? Preciso dessa porcaria de relatório ainda hoje! &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou. Não estava na Lagoa. Sua pasta estava aberta na mesa à sua frente. Seu celular tocava insistentemente, com 12 ligações não-atendidas. Seu paletó estava na cadeira às suas costas. Seu chefe gritava, esbravejava. E ele estava sentado na mesma mesa de sempre, junto à janela. Sonhara antes ou depois de chegar ao trabalho? Não sabia. Mas metade do relatório estava digitado. Sem entender nada, continuou aquele trabalho, de forma mecânica.&lt;br /&gt;Quatro e meia, hora do pão de queijo. Estranhamente, se lembrou de descer para comer o pão de queijo, mas não se lembrava de tê-lo comido. Que tempo estranho era aquele, que teimava em apagar algumas coisas?&lt;br /&gt;Não estava bem. Às seis, uma tremenda dor-de-cabeça o impediu de trabalhar. Pediu para sair mais cedo, e ficou surpreso quando o chefe o liberou. Um pouco de paz, enfim.&lt;br /&gt;Na volta, também mal conseguia dirigir, embora estivesse melhor. Decidiu ir pela Praia. Quem sabe olhar o mar o ajudasse a ficar mais calmo...&lt;br /&gt;Decidiu ir para casa, voltar a dormir. Não era hora de acordar ainda. Mas como, dormir de novo? Tinha que trabalhar na manhã seguinte.&lt;br /&gt;E, num giro daqueles de filme, tudo à sua volta desapareceu. Estava de pé, na frente de seu carro, com a chave na mão, às nove e quarenta da manhã.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-115300203238471822?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/115300203238471822/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=115300203238471822&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/115300203238471822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/115300203238471822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2006/07/o-confuso-do-sonhador.html' title='O confuso do sonhador'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-115272572949863211</id><published>2006-07-12T10:25:00.000-07:00</published><updated>2006-07-12T10:35:29.606-07:00</updated><title type='text'>Take me out when september ends</title><content type='html'>&lt;p&gt;Tudo começa na UERJ. Andam dizendo por aí que estou misterioso demais, que estou ocultando informações e coisas assim. E estou, mesmo. Aliás, estava, agora já não tem mais segredo. Saí de fininho hoje de manhã, com uma furtividade adquirida em recente treinamento. Ninguém nem me notou. Quer dizer, quase ninguém. Algumas pessoas me encontraram no ponto de ônibus, e tive que parcialmente revelar minha missão. Mas consegui escapar...e lá fui eu, de 464, rumo a um Dia de visita.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Duas e meia da tarde&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Finalmente estou chegando à redação. O silêncio ouvido a princípio contrasta com a idéia original do ambiente: muito barulho, principalmente de telefones tocando, e de gente gesticulando, falando, trocando informações o tempo todo. Mesmo assim, continuo. A princípio, a dúvida: não tem orientação, nem sei onde é que fica a repórter. Vou perguntando aqui e ali, até que um repórter baixinho e simpático (que vim a saber depois que é da editoria de polícia), diz, apontando: "é pra lá".Olho na direção indicada e vejo-a, finalmente. E lá vou eu, crachá preso ao pescoço, ansioso pelo que vai acontecer...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Duas e quarenta e cinco&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Após alguns breves minutos de conversa, acabo de perceber que nada está garantido. E fico me perguntando o que estou fazendo ali.Ela então começa a digitar a matéria no computador, já no espaço devido. E eu começo a me meter, dizendo "ih, como leitor, eu não entenderia aquilo ali". "Olha, você esqueceu o f na palavra tal". A relação de cumplicidade parece tão grande que ela me mostra uma matéria recente e diz "inventa uma legenda pra foto, pra não termos que repetir essa".&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Três horas da tarde&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Depois dela me dizer que acertei na legenda (embora não vá ser a que vai pro jornal), continuo me perguntando o que estou fazendo ali. Estaria sendo submetido a algum teste para entrar em algum tipo de sociedade secreta? Ou seria simplesmente um dia pra conhecer a redação?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Quatro horas da tarde&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A repórter me diz que precisa apurar uma matéria, e pede que eu me sente ao lado do editor. A ele, faço várias perguntas, sobre o funcionamento do jornal e coisas assim. A frase que choca:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;"Não é mito que eu modifico a matéria do repórter. Meu papel é definir o que o leitor vai ler. Modifico, sim, e pronto. O máximo que o repórter pode pedir é para que a matéria não seja assinada, mas aí, é o próprio repórter que sai perdendo."&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enquanto responde às perguntas, o editor começa a montar as pautas do dia. Ele pega enormes blocos de texto (as pré-pautas) e começa a enxugar as informações, deixando-as as mais resumidas possíveis. No caso de existirem mais de um bloco de texto, enxuga cada um separadamente, para depois reescrever todas as informações num bloco só.Ao mesmo tempo em que monta as pautas, ele consulta repórteres, buscando novas informações e tirando dúvidas sobre os textos que está escrevendo. Tudo terminado, envia as pautas para os editores-chefe, e me manda voltar para a mesa da repórter.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Cinco e meia da tarde&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mais conversas com a repórter. Faço cara de cansado, e ela pergunta se quero um café.Bebendo o café, conheço rapidamente o repórter baixinho (o mesmo de quando cheguei aqui), e descubro que ele é da editoria de polícia. Ele, a repórter e mais um outro (que não sei quem é) começam a falar sobre a Jeany Mary Corner (é, a cafetina do mensalão) e a conversa evolui rapidamente para a Rita Cadillac e as chacretes, passando pelos filmes pornôs (o baixinho diz que já viu filmes pornô com a Rita, que ela faz filmes desse naipe há muito tempo). Terminado o café, volto para a mesa junto com a repórter.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Seis horas da tarde&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mais conversas. Pergunto à repórter se existem free lancers no jornal, mas ela diz que não. Então pergunto sobre voluntários, e afirmo que quero ser um. Ela diz que vai negociar com o editor, e depois me dá a resposta.Em seguida, me convida pra ir lanchar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Seis e quinze&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Antes do lanche, passamos na sala da apuração, aquela onde tem rádios ligados na polícia, e onde os telefones tocam o tempo todo. É também onde a repórter resolve dar uma mãozinha pro apurador. Depois ela me apresenta o mesmo: é um repórter famosíssimo, da editoria de polícia, um dos melhores que existe. Ela me diz que aprendeu com ele. Ele então começa a me interrogar:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Qual seu nome?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Rafael.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Sobrenome?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Cavalcanti.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Filho de quem?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(Fiquei sem graça e não entendi bem a pergunta. A repórter respondeu por mim: de ninguém, não é filho de jornalista).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Ah...e o que é seu pai?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Era empresário. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Não é mais?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não. Não deu certo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Ele agora é aposentado?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não. Está estudando para fazer concurso público.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(A repórter fala com ele, diz que eu também quero ser voluntário. A resposta quase me emociona...) &lt;em&gt;Vem. Se quiser, eu te ensino. Mas por favor, depois não passe na rua e não finja que não me conhece. Tem uns aí que eu ensinei tudo, e eles passam na rua e nem olham pra minha cara. Não essa aqui (aponta pra repórter), essa daqui continua a mesma, sem nariz em pé.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A repórter e eu saímos, afirmando que vamos lanchar. Ela diz que depois vou ficar lá um pouco, conversando com o famoso jornalista. Fato que acabaria não acontecendo...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Seis e vinte&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Agora estamos eu, a repórter e uma colega dela de redação, sentados na mesinha, lanchando. A conversa flui, falando de faculdades e tal, e a colega afirma ser contra faculdade de jornalismo. Diz que é técnica, que um curso resolveria tudo. A repórter permanece calada. Em dado momento, a repórter fala que quero ser voluntário, e a colega corta logo o barato:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;"Não pode abrir esse precedente. Senão a gente aqui era mandado embora..."&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A repórter então explica à colega que o processo seletivo acabou de acabar, e coisa e tal. Fim de lanche, e voltamos à redação.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Seis e meia&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Agora a redação começa a ferver. Os telefones tocam o tempo todo; jornalistas colocam o fone no ombro e correm para terminar seus textos, apurações e o que mais for necessário. Todos pesquisam na Internet, procurando saber se não há nenhum fato novo, nada que ainda possa ser transformado em matéria.Sento-me novamente ao lado do editor, que agora cuida da página e do espaço em que as notícias serão publicadas. Ele não pára quieto, indo e voltando, olhando a página, as matérias, consultando um e outro. Num desses intervalos...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quero me tornar voluntário...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(&lt;em&gt;Risada) Ah não, isso não existe.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Existe sim.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Não, não existe.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nesse instante, chega um repórter, que pelo que ouvi anteriormente, deve ser sub-editor, ou algo assim.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Olha só, quer ser voluntário.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Ih, não existe não. Você desvaloriza o trabalho do seu colega. Eu sempre digo aos meus alunos: não façam nada sem remuneração ou sem supervisão. &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Além do que, se bater o fiscal do trabalho aqui, vai querer saber quem é você, e o que está fazendo aqui. &lt;/em&gt;&lt;em&gt;Não, voluntário não existe em grandes empresas (ou, ele disse "em grandes espaços" ou "é algo irreal", ou "não temos pessoas trabalhando de graça em grandes empresas", algo assim).  Ainda é cedo pra você se preocupar com redação...&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É claro que as informações são um choque: vão contra tudo em que eu sempre acreditei. Ainda bem que o choque é rápido, nada sério...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Sete horas da noite&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Agora chega, preciso ir. O editor volta, num de seus intervalos, já me despachando (ou será que não?).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Agora vou ficar assim, Rafael, levantando toda hora...&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Já vou.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Ah. Muito prazer. E não se preocupe. Ainda é cedo pra você se preocupar com redação...&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando volto para me despedir da repórter, ela está conversando com uma colega, passando meu curriculum. Quem sabe.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Sete e quinze&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Termina o Dia de visita. Baixas? O comportamento "curto e grosso" do editor, e algumas idéias muito "dentro do sistema". Ganhos? A experiência de viver um Dia de redação.Um dia estarei de volta – mesmo que não seja aqui.  Já não tenho mais dúvidas: não há vida fora da redação. E dentro, será que existe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto acima foi escrito e publicado neste blog, em primeiro de setembro do ano passado, uma quinta-feira. O nome do repórter baixinho de Polícia é Bartolomeu Brito, mas ele é mais conhecido como Bartô, mesmo. O repórter foda de polícia se chama Lúcio Natalício, mas é mais conhecido como Natal, e é uma figuraça, meio tantã, mas gente boa. A colega da repórter é a Teresa Fayal, que já deixou a redação. Prefiro continuar sem revelar os nomes do editor e do subeditor de Economia.&lt;br /&gt;Cumpri minha promessa - voltei à redação, e mais rápido do que imaginava. Em 6 de dezembro já estava aqui, e dia 7 já trabalhava dedicadamente. Mas, como maldição de jornalista, estou pagando pelas minhas palavras: fui perguntar se não existia vida fora da redação, e agora, minha função não me permite ir para a rua. Vamos ver se a lógica invertida (ou a inversão da lógica?) me ajuda: sei que existe vida dentro da redação. E fora dela, será que existe?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-115272572949863211?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/115272572949863211/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=115272572949863211&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/115272572949863211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/115272572949863211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2006/07/take-me-out-when-september-ends.html' title='Take me out when september ends'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-115264237927679841</id><published>2006-07-11T11:25:00.000-07:00</published><updated>2006-07-11T11:26:19.290-07:00</updated><title type='text'>Diário de um quase jornalista: O sonho muda, mas não morre</title><content type='html'>Diário de um quase-jornalista: Sonho jornalístico é assim, muda mas não morre&lt;br /&gt;Em minha mente - terrível quando se trata de formular teorias que não terão muita utilidade no dia seguinte - penso agora sobre o nobre ofício de jornalista, sobre as armadilhas e "coisas da profissão". E digo que cheguei a essa conclusão num dia ensolarado, no meio da redação, no meio do expediente, e parei para escrever. Nenhuma matéria ou trabalho ficará adiada por conta de quinze minutos escrevendo.&lt;br /&gt;Escrevendo. Foi assim que tudo começou para mim, há quase...doze anos e lá vai fumaça. Escrevia tudo, até o que não se podia escrever. Escrevi para não falar sozinho. Foram várias fases de escrita: histórias bizarras sobre Cavaleiros do Zodíaco (uma verdadeira febre em 1994), contos de heróis, resumo de jogos de videogame que nunca existiram (e nunca vão existir), histórias de detetives que não tinham fim, nem começo, nem personagens, e por fim, com meu tempo já escasso, escrevi alguns contos medievais, algo meio "O Senhor dos Anéis". De tanto escrever e de tanto que me fazia bem, decidi que não queria fazer outra coisa na vida...&lt;br /&gt;E fui estudar jornalismo. Achei que tinha mais a ver do que Letras, é sempre aquela coisa...Letras parece faculdade de quem vai dar aula, e eu não queria isso. Não demorei a descobrir que jornalismo não é só escrita, e que não escreveria para sempre, não viveria escrevendo. Jornalismo, antes de tudo, é apuração, porque é ela quem monta e organiza seu texto: os fatos mais curiosos, engraçados, importantes, vão para a parte de cima, para atrair um leitor disperso - o atento sempre, ou quase sempre, lê tudo. A escrita é toda organizada pelas informações, é meio presa, amarrada. Para completar, limita-se a um espaço pequeno, onde tudo precisa estar muito claro mas pouca coisa pode ficar subentendida. Isso, no jornalismo escrito - nos meios radiofônicos e televisivos, nem se fala, escrever apenas organiza a informação para ser veiculada através da voz e da imagem.&lt;br /&gt;Isso me decepcionou? Não. Descobri que apurar, por mais difícil que seja, é interessante. E que encontrar soluções criativas para organizar bem as informações também é interessante. Descobri que encontrar boas histórias e bons personagens e escrever muito bem sobre um fato teoricamente banal, também é interessante. Troquei meu sonho por outro: quero viver descobrindo boas histórias, e contando-as da melhor forma que puder, da maneira sempre mais completa possível. E continuarei escrevendo, "por fora", por puro e simples prazer. Como faço aqui no blog.&lt;br /&gt;Ossos deste nem-sempre-tão-nobre ofício.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-115264237927679841?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/115264237927679841/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=115264237927679841&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/115264237927679841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/115264237927679841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2006/07/dirio-de-um-quase-jornalista-o-sonho.html' title='Diário de um quase jornalista: O sonho muda, mas não morre'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-115182183708774568</id><published>2006-07-01T23:28:00.000-07:00</published><updated>2006-07-01T23:30:37.100-07:00</updated><title type='text'>França 1 x 0 Brasil</title><content type='html'>&lt;em&gt;A taça do mundo é nossa&lt;br /&gt;Com o brasileiro&lt;br /&gt;Não há quem possa&lt;br /&gt;Eeta esquadrão de ouro&lt;br /&gt;É bom no samba&lt;br /&gt;É bom no couro&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(Copas de 58 e 62, Suécia e Chile)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Escrevo às duas e quinze da manhã de 2 de julho de 2006. Para os que gostam de futebol e curtem a Copa do Mundo, o dia de ontem entrou para a história como aquele em que a teimosia, a insistência e o “futebol feio”, onde “o gol é detalhe” e “o show é ganhar”, levou um baile do futebol-arte, jogado com raça e com vontade. Perdemos. Estamos fora da Copa do Mundo da Alemanha. E diga-se de passagem, com muita justiça.&lt;br /&gt;            A França tem um time excelente? Não. Mas jogou melhor o tempo inteiro, com raça e com vontade, soube atacar, defender e jogar no contra-ataque. Já o Brasil repetiu os erros dos últimos quatro jogos: prendeu demais a bola, fez muita firula, não jogou com velocidade, não criou (me desculpem a expressão) porra nenhuma e ainda deu espaços para o adversário. Está aí o resultado: perdemos de novo para os franceses, nossos eternos carrascos em Copa do Mundo – além de 2006, eles ganharam também em 86 e 98.&lt;br /&gt;            Do lado brasileiro, há os piores e os melhores, claro. Cafu, Roberto Carlos, Juninho, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Adriano e Kaká não jogaram absolutamente nada. Com exceção de Juninho, não fizeram nada a Copa toda. Todos pareciam o Romário em seus últimos anos de seleção: quero a bola no pé para fazer o gol. Palmas para Dida, Lúcio e Juan, que salvaram o Brasil de perder para Croácia, Austrália e Gana, e hoje evitaram um desastre contra a França.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;70 milhões em ação&lt;br /&gt;Pra frente Brasil&lt;br /&gt;No meu coração&lt;br /&gt;Todos juntos vamos&lt;br /&gt;Pra frente Brasil&lt;br /&gt;Salve a seleção...&lt;br /&gt;De repente é aquela corrente pra frente&lt;br /&gt;Parece que todo o Brasil deu a mão&lt;br /&gt;Todos juntos vamos&lt;br /&gt;Pra frente Brasil, Brasil&lt;br /&gt;Salve a seleção!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(Copa de 70, México)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Parreira perde. Ficou insistindo a Copa toda que o time que ele escalava era o melhor. Fingia não enxergar os erros da equipe. Ia deixando rolar, dizendo que se estava ganhando, estava bom. Deve ter esquecido que até agora só havíamos enfrentado cabeças-de-bagre, como aquela seleção de Gana que chutou 20 vezes a gol e não acertou nenhum.&lt;br /&gt;            Perde a torcida, que tanto vibrou e torceu pela seleção, que deixou de trabalhar, que decorou as ruas e que acreditou no time. Os jogadores não estão nem aí: a Copa acaba, eles pegarão seus carros, irão embora e nada acontecerá. Já estão com o bolso cheio de dinheiro e cheios de mulheres à sua volta. Ganhar Copa para que?&lt;br /&gt;            Nas entrevistas após o jogo, Kaká era o único que parecia triste e abatido. Ronaldo não estava nem aí. Cafu chegou a dizer, ao ser perguntado sobre a expectativa da torcida, que “nós em primeiro lugar, somos prioridade”. Juninho também estava triste, mas mandou um recado indireto à comissão técnica e ao grupo: é hora de um grupo deixar a seleção, é preciso que haja uma renovação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Voa canarinho voa...&lt;br /&gt;Mostra pra esse povo que és um rei&lt;br /&gt;Voa canarinho voa...&lt;br /&gt;Mostra pra esse mundo o que eu já sei...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Copas de 82 e 86, na Espanha e no México)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do jogo, fui dar uma volta – um amigo, algumas amigas dele e eu. Num tradicional bar do Leblon onde se comemoram as vitórias da seleção, havia movimento. Muito menos do que se o Brasil houvesse ganho, claro. E o clima era ruim, estranho. Claro que Parreira e sua mãe foram os mais insultados.&lt;br /&gt;            Saímos e voltamos depois. Surpreendentemente, o lugar estava mais cheio, mas o clima era pior. Havia um ar de confusão na atmosfera, como se alguém fosse se empurrar e uma briga generalizada piorasse o que já era ruim.&lt;br /&gt;            Fomos a um bar e voltamos depois ao tradicional ponto de comemoração, já por volta de 23h30. O lugar estava escuro, vazio. Os bares estavam fechados e os vendedores ambulantes recolhiam seus isopores. Havia gente ainda, mas muito poucos, e a maioria falando em ir embora. No chão, os restos da festa da derrota: garrafas de cerveja quebradas, latas amassadas, espetos de churrasquinho, papel, chapéus de bobo-da-corte amassados. Aqui e ali, brasas acesas, assando churrasquinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Na torcida são milhões de treinadores&lt;br /&gt;E cada um já escalou a seleção&lt;br /&gt;O verde e o amarelo são as cores&lt;br /&gt;Que a gente pinta no coração!&lt;br /&gt;A torcida a galera se agita...&lt;br /&gt;Dá um grito&lt;br /&gt;Brasil é campeão!&lt;br /&gt;O toque de bola&lt;br /&gt;A nossa escola&lt;br /&gt;Nossa maior tradição&lt;br /&gt;Eu sei que vou&lt;br /&gt;Vou do jeito que eu sei&lt;br /&gt;De gol em gol&lt;br /&gt;Com direito a replay&lt;br /&gt;Eu sei que vou&lt;br /&gt;Com o coração batendo a mil&lt;br /&gt;É taça na raça Brasil!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Copas de 1994 e 1998, Estados Unidos e França)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Em meio ao cenário estranho daquele ponto de comemoração, havia um cheiro horrível no ar, cheiro de cerveja jogada no chão. Circulando mesmo, só os garis, limpando a festa da derrota. Ficamos imaginando como o lugar estaria cheio se o Brasil tivesse ganho...mas lembramos que a realidade era outra e fomos embora.&lt;br /&gt;            Seja como for, não merecíamos ganhar. Já não vínhamos bem nos jogos anteriores e fomos castigados. O sonho de ser campeão fica para 2010, na África do Sul. Mas, não sei porque, estou achando que o hexa ainda não virá na próxima Copa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu já passei por quase tudo nessa vida&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Em matéria de guarida espero ainda minha vez&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Confesso que sou de origem pobre&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas meu coração é nobre, foi assim que Deus me fez&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E deixa a vida me levar (vida leva eu)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Deixa a vida me levar (vida leva eu) &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Só posso levantar as mãos pro céuAgradecer e ser fiel ao destino que Deus me deu&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se não tenho tudo que preciso&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Com o que tenho, vivo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De mansinho , lá vou eu&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se a coisa não sai do jeito que eu quero&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Também não me desespero&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O negócio é deixar rolar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E aos trancos e barrancos, lá vou eu&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E deixa a vida me levar (vida leva eu)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Deixa a vida me levar (vida leva eu)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Copa de 2002, na Coréia e no Japão – escolhida pelo técnico Luís Felipe Scolari e pelos jogadores).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-115182183708774568?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/115182183708774568/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=115182183708774568&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/115182183708774568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/115182183708774568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2006/07/frana-1-x-0-brasil.html' title='França 1 x 0 Brasil'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-115143822690827745</id><published>2006-06-27T12:53:00.000-07:00</published><updated>2006-06-28T11:48:29.686-07:00</updated><title type='text'>Eu odeio o Galvão Bueno!</title><content type='html'>Não aguento mais o Galvão Bueno. Na boa. E o pior é que, como o cara é um dos diretores do esporte na Rede Globo, duvido que deixe as transmissões da Copa. Como nem todos possuem canal a cabo, proponho um protesto: coloque a televisão no mudo e ligue o rádio, em algum canal que transmita o jogo. Coloque bem alto, para que o seu vizinho escute e faça o mesmo. Quem sabe um parente do Galvão não ouve e fala para ele, quem sabe o Galvão não se manca. Se isso não acontecer, ao menos você ouvirá uma narração mais agradável. Porque sério, Galvão não dá mais.&lt;br /&gt;Quem diria. Eu, Rafael Cavalcanti, que no colégio era chamado por alguns de "Galvão" devido à minha mania de narrar jogos de futebol de quinta categoria, reclamo agora do locutor esportivo da Rede Globo. Mas não dá: de fã inverterado (criança de 5 anos tem cada idéia!), virei um dos maiores críticos de Galvão Bueno.&lt;br /&gt;Para começar, o cara é uma mala sem alça quando solta aquelas frases feitas que nada acrescentam. Por exemplo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vamos ouvir o Olodum, o som do Brasil! Vamos ao pelô!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ronaldinho, o maior artilheiro da história das copas!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Depois do jogo teremos as notícias do dia no Jornal Hoje. Logo depois A Viagem, e depois o filme 'A volta dos que não foram', na Sessão da Tarde. Em seguida as GRANDES emoções de Malhação, Sinha Moça, RJ-TV, Cobras e Lagartos e logo depois o JORNAL Nacional com William Bonner e Fátima Bernardes..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quem é que sobe, quem é que sobe, quem é que sobe..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tem que colocar o coração na ponta da chuteira...HAAAAAAAAAAAAAAAJA coração, amigo! PREPARE o seu coração!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E a seleção do Uzbequistão começa a gostar do jogo..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O Brasil ficou 325 dias, quatro horas, doze minutos, meio segundo e um quarto de milésimo sem tomar gol!!!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para piorar, o Galvão desautoriza os companheiros Falcão, Casagrande e Arnaldo Cezar Coelho o tempo inteiro, rasga elogios a jogadores que fazem lambança no minuto seguinte, critica lances e jogadas sem saber do que está falando, puxa descaradamente o saco do Ronaldo ("Fenômeno") e torce sempre a favor do Brasil. Não que os outros locutores não façam isso, mas o Galvão torce descaradamente. Irrita, cara, dá raiva. Para piorar, só fala gritando. Não faz diferença ele narrar o jogo com comentaristas ou não, porque quando narra, só quem comenta é ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Galvão não dá. Simplesmente não consigo mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-115143822690827745?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/115143822690827745/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=115143822690827745&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/115143822690827745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/115143822690827745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2006/06/eu-odeio-o-galvo-bueno.html' title='Eu odeio o Galvão Bueno!'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-115074961263833014</id><published>2006-06-19T13:36:00.000-07:00</published><updated>2006-06-19T13:40:12.660-07:00</updated><title type='text'>Fossa Musical</title><content type='html'>OBS (Observem Bem Senhores) 1: Não necessariamente ouço todas as músicas aí, elas apenas...bem...tentem descobrir o que fazem aí.&lt;br /&gt;OBS (Observem Bem Senhores) 2: O texto embaixo desse também é novo. Leiam também.  E ah, a partir de agora, "Diário de um quase-jornalista" será uma seção fixa do blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma dose, é claro que eu tô a fim. A noite nunca tem fim, e o acaso vai me proteger enquanto eu andar. I say don´t you know, I say don´t you know. But I know, I know who I want to take it home. Enquanto isso, vou viver e não ter a vergonha de ser feliz, vou cantar a beleza de ser um eterno aprendiz, como um mutante, seguindo o meu caminho. Prefiro ser essa metamorfose ambulante, não sou brasileiro, não sou estrangeiro, não sou fariseu, minha tribo sou eu. Mas não tem revolta não, com aquele secret smile that you use only for me. Deixo tudo assim, não me importo em ver a idade em mim, mas quero saber bem mais que os meus 20 e poucos anos. Afinal, caminhando e cantando e seguindo a canção: xô urucubaca, ziquisira xô, Deus é brasileiro e eu também sou. E tente outra vez, não diga que a canção está perdida, eu canto mesmo e tô vivendo, tem gente que não canta e tá tão só, me sinto só, me sinto seu. Garçom, aqui nesta mesa de bar, você já cansou de escutar, mas ouça a canção que eu fiz para você, eu te quero tanto bem. E nem vem de garfo que hoje é dia de sopa, esquenta o ferro que vou vender a minha van, a minha van filosofia. Desembainho a minha espada cintilante, mandacaru voa lá na seca, e até mesmo a asa-branca bateu asas do sertão, e fuscão preto, você é feito de aço....mas vou de táxi, você sabe, vou tomar todas, vou me embriagar. Opa. Comandante, capitão, tio, brother, camarada, chefia, amigão, desce mais uma rodada. E desce mais...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-115074961263833014?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/115074961263833014/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=115074961263833014&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/115074961263833014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/115074961263833014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2006/06/fossa-musical.html' title='Fossa Musical'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-115074684454841703</id><published>2006-06-19T12:50:00.000-07:00</published><updated>2006-06-19T12:54:04.623-07:00</updated><title type='text'>Diário de um quase-jornalista: A Maldição do Gravador Prateado</title><content type='html'>Em minha mente - terrível quando se trata de formular teorias que não terão muita utilidade no dia seguinte - penso agora sobre o nobre ofício de jornalista, sobre as armadilhas e "coisas da profissão". Assim como há muitas que me agradam, há outras que...não gosto. Uma delas é arrumar personagens aleatoriamente. Trata-se daquele trabalho de ir para a rua sem nada, sem um nome, um contato, e saltar em cima de quem passa, se apresentando e fazendo uma pergunta sobre um assunto qualquer, geralmente em locais de grande movimento.&lt;br /&gt;Talvez o fato de ser totalmente imprevisível me cause estranheza. Talvez o fato de nunca saber como o outro vai reagir. Talvez a possibilidade iminente de levar um não, muito mais fácil do que um sim. Será mesmo? Infelizmente, confesso que sinto um prazer enorme quanto "salto" em cima de alguém que depois se revela um ótimo personagem. Penso que é uma arte muito interessante: transformar aquele cidadão comum, para o qual mal olho no dia-a-dia, em um cara cheio de histórias para contar. Será que um fato compensa o outro? E se fosse eu do outro lado, o que diria e como reagiria?&lt;br /&gt;Não sei, ainda sou jovem demais e inexperiente demais. A princípio, diria que compensa, se você tiver força suficiente para "saltar" de maneira "educada" em "cima" de "alguém". Mas hoje quase pularam em cima de mim. Um daqueles sujeitos estranhos, que chega fazendo uma pergunta imbecil e daqui a pouco está pedindo dinheiro. No meio da "catação" de personagens. Inesperado. Me senti um pouco do outro lado, confesso. Seu olhar não me enganou: tive certeza de que ele não queria um trocado, ou uma informação, mas o gravador prateado que eu segurava na mão direita.  Tive de sair, parar tudo. Não pude descobrir se a "catação" compensa, e ainda, em sua forma mais difícil: num local aberto, sem identificação, tendo como armas apenas minhas palavras e o gravador prateado. Tampouco poderei voltar ao mesmo lugar para descobrir. Mas tenho que continuar, consegui pouco hoje, fui atrapalhado quando me empolgava. O que não me faz desistir, ou desanimar, afinal, amanhã tem mais. Mas talvez...talvez eu mude de gravador. Pode ser que leve um gravador transparente, ou o guarde no saco plástico antes de cada entrevista. É, fazer o que...ossos deste nem-sempre-tão-nobre ofício.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-115074684454841703?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/115074684454841703/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=115074684454841703&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/115074684454841703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/115074684454841703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2006/06/dirio-de-um-quase-jornalista-maldio-do.html' title='Diário de um quase-jornalista: A Maldição do Gravador Prateado'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-114110038494269389</id><published>2006-02-27T20:18:00.000-08:00</published><updated>2006-02-27T20:20:37.606-08:00</updated><title type='text'>Isto é...carnaval</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Segunda-Feira de carnaval.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Explode coração&lt;br /&gt;Na maior felicidade...&lt;br /&gt;É lindo o meu Salgueiro&lt;br /&gt;Contagiando e sacudindo essa cidade...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O samba é muito bom, daqueles que entraram para a história. É o último que foi cantado durante um desfile na Sapucaí e que todo mundo conhece.&lt;br /&gt;Enquanto ele toca, uma massa de gente passou por baixo da janela, dançando, cantando, bebendo. Todos felizes, celebrando a alegria da vida: carnaval.&lt;br /&gt;E ele ali em cima, sentado numa cadeira, olhando a janela e observando tudo isso, sem coragem de sambar junto, sem ter como descer e se juntar sozinho à essa massa de gente, e meio sem saber o que fazer, também. O batuque é de empolgar e deixar arrepiado, mas ele continua sentado no mesmo lugar.&lt;br /&gt;Já não é a primeira vez que a banda passa, nem será a última. Ele se levanta, irritado, e procura um cômodo da casa em que o som não chegue. Talvez no banheiro, ou na área de serviço. Mas é impossível: aquela batucada é muito forte, e a casa parece respirar carnaval. Não há como escapar, não há outro jeito. Não há como não ouvir, e nem como descer.&lt;br /&gt;Sem remédio, ele volta à cadeira e se senta, observando a banda passar lá embaixo. O som agora mudou um pouco...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O teu cabelo não nega mulata&lt;br /&gt;Que tu és mulata da cor&lt;br /&gt;O teu cabelo não nega mulata&lt;br /&gt;Mulata eu quero o teu amor!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que saudade do tempo das marchinhas – que nunca viveu. Mas deviam ser bons aqueles tempos, ah deviam sim. Que fazer? Eles não voltam mais.&lt;br /&gt;Ficar parado ouvindo aquilo dá uma agonia tremenda. Hum. Ele então se lembra de um biscoito e de um copo de coca-cola. Comer e beber ajuda a aliviar a tensão.&lt;br /&gt;Vai então à cozinha, pega um pacote de biscoito Maria, abre a geladeira, pega a garrafa de coca, e fecha o refrigerador.&lt;br /&gt;Hum.&lt;br /&gt;Levou a garrafa toda. Haja coca-cola para segurar a tensão.&lt;br /&gt;Voltou para a cadeira, abriu o biscoito e começou a mastigá-lo nervosamente, enquanto virava a garrafa de coca em direção à boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quem não chora não mama&lt;br /&gt;Segura meu bem&lt;br /&gt;Dá a chupeta...&lt;br /&gt;Lugar quente é na cama&lt;br /&gt;Ou então&lt;br /&gt;No Bola Preta&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Uma visão lá embaixo tirou sua concentração: uma menina bonita, cabelo até o queixo, saia e blusa muito justas. Enquanto seu olhar se desviava, a garrafa de coca continuou no mesmo caminho. O líquido escorreu por sua boca, queixo e peito, molhando-o todo, e fazendo com que acordasse.&lt;br /&gt;Não havia mais ninguém lá embaixo. Nenhum som, nenhuma batida, nenhum barulho, nada. Tudo muito tranqüilo e silencioso. Ele ficou de pé e olhou lá para fora, sem entender nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Segunda-feira pós-carnaval.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-114110038494269389?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/114110038494269389/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=114110038494269389&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/114110038494269389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/114110038494269389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2006/02/isto-carnaval.html' title='Isto é...carnaval'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-113975652300436243</id><published>2006-02-12T07:00:00.000-08:00</published><updated>2006-02-12T07:12:17.226-08:00</updated><title type='text'>Mesmo não é igual, mas é muito diferentte</title><content type='html'>"&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O senhor me avisa quando iegarmos na Rua Joã...João Lira?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz soou rouca e hispânica, e fez o trocador voltar os olhos da janela para a roleta. O trocador era um negro alto, sorriso não muito brilhante, corpulento, vestindo uniforme da Viação Vila Isabel. Quem perguntava era uma mulher bastante bonita, pra não dizer...hum...é...deixa pra lá. Era loira, alta, vestia uma blusa rosa com um decote "generoso", e uma calça branca colada ao corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Rua João Lira...me avissa?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trocador olhou para ela por alguns instantes, e então respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Aviso...aviso...pode deixar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Si...obrigada."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher já ia saindo, quando o cobrador disparou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ei, moça..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Han?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se tiver...mais alguma dúvida é só perguntar que a gente esclarece aí."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela pareceu ficar sem jeito com o comentário, e respondeu timidamente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Obrigada..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trocador voltou os olhos para o decote, e quando a moça se afastou, os mesmos olhos percorriam toda a extensão da bunda dela. Ele parecia um tanto deslumbrado.&lt;br /&gt;Depois da curva, o 433 entrou na Avenida General San Martin. O trocador desceu de sua cadeira e foi se sentar ao lado da moça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você é da Argentina?" perguntou ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não", respondeu a mulher. "Venessuela..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ah..." fez ele. "E está há quanto tempo no Brasil?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Uns dois messes, mais ou menos..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Morava com seus pais na Venezuela?", arriscou ele, continuando o diálogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Si..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E aqui no Brasil?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Aqui estou morando com algumas amigas..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trocador pareceu ligeiramente mais animado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ah...e o que está achando do Brasil?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É muito diferentte, muito diferentte...o povo é muito diferentte...as pessoas são mais calorossas...os homens...também...tudo muito diferentte..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E você estuda, trabalha, faz o que?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Yo trabalho...com publicidadde...e vendas..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Hum...e gosta de carnaval?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora foi ela que pareceu animada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Si, carnaval é uma festa muito alegre e bonita..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ah...e você já pensou em desfilar?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela pareceu rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Desfilar? Em escola de samba? Não, nunca penssei..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ah...porque se você quiser...se estiver a fim..." a voz do trocador mudava de tom agora, como se ele estivesse construindo as frases antes de dizer, e ele continuava "Vila Isabel?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última frase parecia uma tentativa de ganhar tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O que?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Já pensou em desfilar pela Vila Isabel?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz dele mudou de tom bruscamente, ficando mais pausada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se quiser...eu tenho um amigo...que tem uma ala na Vila Isabel...é, ele tem uma ala...sabe, uma ala?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ala?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele partiu logo para o ataque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ala...parte da escola de samba...mas...você tem telefone? Aí eu podia te ligar pra combinar direitinho..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela riu alto. A pessoa pode ser do Uzbequistão, mas o som da palavra "telefone" tem sempre uma segunda intenção muito clara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não...não...eu não tenho..." agora era a voz dela que soava meio pausada e muito clara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Que pena...mas então, fica com o meu..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O motorista deu um grito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"JOÃO LIRA É A PRÓXIMA RUA!!!!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se levantou, ajeitou a calça, puxou a cordinha do ônibus e foi em direção à porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Prazer em conhecer" disse o trocador, rindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tcchau", respondeu a moça, descendo do ônibus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que ela desceu, o trocador voltou para sua cadeira, e fez o comentário final para o motorista:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Que gostosa! Nossa...já pensou se pego uma mulher dessa? Tô feito pro resto da vida!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se virou para o último passageiro ainda no ônibus, e mostrando todos os dentes num sorriso largo, disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É ou não é?"&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-113975652300436243?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/113975652300436243/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=113975652300436243&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/113975652300436243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/113975652300436243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2006/02/mesmo-no-igual-mas-muito-diferentte.html' title='Mesmo não é igual, mas é muito diferentte'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-113695221523120441</id><published>2006-01-10T20:00:00.000-08:00</published><updated>2006-01-10T20:03:35.243-08:00</updated><title type='text'>De Roger Paillac à Didier Deschamps, passando por Decio Pinto e Gil Brother, de formas que não derrubem a estátua do pajé</title><content type='html'>&lt;em&gt;Tempo&lt;br /&gt;Tempo mano velho&lt;br /&gt;Falta um tempo ainda eu sei&lt;br /&gt;Pra você correr macio...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia era muito claro, de céu azul. Daqueles bem típicos do verão carioca: sol escaldante, gente com pouca roupa e um climinha gostoso no ar.&lt;br /&gt;E lá estava eu. Ao invés de estar pegando sol, ou na praia, ou tomando minha tão sagrada água-de-coco, estava...estava...onde é que eu estava mesmo?&lt;br /&gt;Ah, sim, ali na Dias Ferreira, perto do boteco. Não sabe onde é? Bem...é uma rua que tem uma papelaria mambembe que tem tudo (um dia ainda vou descobrir que o dono tem uma sacola mágica igual à do Gato Félix), dois botecos, uma loja de ferragens e uma farmácia. E ah, o ponto de ônibus do não menos famoso frescão, aquele ônibus de viagem que anda pela cidade e cuja passagem custa R$ 2,50.&lt;br /&gt;Minha descrição foi mais que perfeita, né? Imagino eu que agora todo mundo já saiba direitinho como é a rua.&lt;br /&gt;Estava eu ali, na banca de um camelô, próximo à casinhola do Novaes – um chaveiro muito simpático, barbudo, olhos profundos e claros, que eu nunca vi. É, esqueci de descrever a casinhola dele. Traço fundamental da paisagem. Casinhola azul, perdida no meio da paisagem da rua, fechada de manhã e aberta apenas naquelas janelinhas que abrem pra fora, à tarde. Só uma casinhola de chaveiro.&lt;br /&gt;Onde eu estava mesmo? Ah, sim, ali na rua dos dois botecos, perto da casinhola do Novaes, grande Novaes, o chaveiro. Tão bom que destranca até privada entupida.&lt;br /&gt;Voltando. Eu estava por ali, naquele belo dia de sol, de bermuda amarela, camiseta branca e cabelo caindo na cara, indo ao camelô. Ele é quase lojista: tem o ponto há 20 anos, sempre no mesmo lugar, e sempre traz os mesmos relógios para vender. Me pergunto se as pessoas que compram os relógios os devolvem por algum problema, por simplesmente cansarem de usar, ou se ninguém compra mesmo.&lt;br /&gt;Estava indo ao camelô trocar a bateria do relógio. Um bom relógio, aquele. Quase de estimação. Embora eu nunca tenha usado relógio.&lt;br /&gt;Preciso manter a bateria dele funcionando. Chego e pergunto quanto é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dez real.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Hã? Dez real pra trocar a bateria de um relógio? Mas com isso eu compro um novo aqui no seu camelô!&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;E porque você acha que custa esse preço?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saio frustrado, com o relógio de estimação ainda sem bateria, e a rua com os mesmos botecos, casinholas e camelôs. E o sol escaldante na cabeça, e o mundo aproveitando a praia, e eu aqui, trocando a bateria de um relógio.&lt;br /&gt;O que é pior, num camelô que nunca vi mais gordo, embora passe todos os dias pela mesma rua, a caminho do mesmo lugar. Dez reais por uma bateria. Alguém merece isso, cara? Para um relógio que nem se vai mais usar? É brincadeira, realmente, sacanagem, cara.&lt;br /&gt;Saio caminhando e atravesso a rua. Quem sabe naquele restaurante ali eles não cobram mais barato pra trocar a bateria? E ainda dá pra tomar um chope enquanto espero.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-113695221523120441?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/113695221523120441/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=113695221523120441&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/113695221523120441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/113695221523120441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2006/01/de-roger-paillac-didier-deschamps.html' title='De Roger Paillac à Didier Deschamps, passando por Decio Pinto e Gil Brother, de formas que não derrubem a estátua do pajé'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-113546506795312298</id><published>2005-12-24T14:56:00.000-08:00</published><updated>2005-12-24T14:57:47.963-08:00</updated><title type='text'>Na Noite de Natal</title><content type='html'>&lt;em&gt;Bate o sino / pequenino / sino de Belém / Já nasceu / Deus menino / para o nosso bem / Paz na terra / pede o sino / alegre a cantar / Abençoe / Deus menino / este nosso lar...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é dia 24 de Dezembro. Há quem afirme que é véspera, mas para mim, essa é a noite de Natal.&lt;br /&gt;É a noite de saborear bacalhau espiritual, conversar sobre o ano que passou, ouvir músicas natalinas, e aguardar ansiosamente a hora do amigo oculto. Presentes, presentes e mais presentes. Sou católico. Mais do que nunca, Jesus nasceu nessa noite. Deus veio à Terra e fez as pazes com os homens. Que ninguém esqueça que se comemora por esse motivo...&lt;br /&gt;Hoje vou falar um pouco do saudosismo. Saudade. Cantar “bate o sino” me dá uma saudade danada, me faz sentir falta de quando era criança.&lt;br /&gt;Natal tinha um significado muito grande para mim. Era sempre hora de esperar o Papai Noel, que vinha trazendo AQUELE presente, geralmente caro, desejado o ano todo e que só ele poderia me dar. Coisas do bom velhinho.&lt;br /&gt;Me lembro que, na noite do dia 23, dormia cantando “bate o sino”, e acordava na manhã seguinte ainda com a melodia na cabeça. E o tempo no dia 24 passa muito rápido. Algumas horas, e lá estávamos nós no carro, rumo à mais uma noite de Natal.&lt;br /&gt;Era sempre uma expectativa grande, esperar pelo papai Noel e pela hora do amigo oculto. Os presentes eram a certeza de um ano muito, muito bom.&lt;br /&gt;Engraçado. Nunca consegui encontrar Papai Noel pra agradecer por todos aqueles presentes...&lt;br /&gt;Agora preciso ir, rumo a mais uma das inesquecíveis noites de Natal. Que a paz de São Nicolau esteja sempre com você, e te ilumine rumo a um ano novo e cheio de realizações.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-113546506795312298?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/113546506795312298/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=113546506795312298&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/113546506795312298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/113546506795312298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2005/12/na-noite-de-natal.html' title='Na Noite de Natal'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8394188.post-113540293734404290</id><published>2005-12-23T21:41:00.001-08:00</published><updated>2005-12-23T21:42:17.360-08:00</updated><title type='text'>O último exemplar</title><content type='html'>O tempo no Rio de Janeiro é uma coisa de louco, mesmo. Já teve época que se podia dizer: cidade de sol e mar o ano inteiro.&lt;br /&gt;Que nada. Em 2005, as águas rolaram, choveu muito e houve dias muito frios. O tempo está completamente maluco, você não sabe se vai chover, ventar, ou fazer um calor de rachar. Um dia é de sol, outro nublado, outro de chuva. A cidade não era assim, não tinha essa inconstância toda.&lt;br /&gt;Naquele dia o companheiro sol resolveu aparecer. Infelizmente, não posso trabalhar de bermuda, então optei pela velha calça jeans. Um calor de cinqüenta graus e eu de calça. É a vida, não é mesmo? É a vida no Rio, não é mesmo?&lt;br /&gt;Passei pela banca de jornais e vi que ainda existia um último exemplar daquele jornal que não tem em qualquer banca: Folha de S. Paulo (é assim que escreve, não é?). Gosto dele, e fazia tempo que não lia. Então aproveitei, e comprei o último exemplar.&lt;br /&gt;Seguindo meu caminho, cheguei ao ponto do ônibus. Tenho sorte, pego no ponto final. É sempre menos desagradável.&lt;br /&gt;Subi, sentei e abri o jornal. Hum. Bom editorial, esse aqui. Os outros dois, pra variar, tem cara de que foram escritos por falta de assunto. Legal o painel de hoje, mais informações quentes sobre Brasília. Para variar, mais descobertas sobre o escândalo do mensalão.&lt;br /&gt;Quando me animava para ler o resto, subiu um grupo de alunos e se sentou nos últimos bancos do ônibus. E o que turma de aluno faz em ônibus?&lt;br /&gt;Música, my boy. Música. Começaram a cantar. Primeiro Latino, com o grande sucesso Festa no Apê. Da Bartolomeu Mitre, ali no Leblon, até a Lagoa, só deu Latino.&lt;br /&gt;Depois emendaram funk, com direito até a Tati Quebra-Barraco. E em seguida, Mamonas Assassinas.&lt;br /&gt;Enquanto isso, sigo lendo o último exemplar. Hum...o Lula disse ao Jacques Wagner que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;COMER TATU É BOOOOOM...QUE PENA QUE DÁ DOOOR NAS COSTA...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...não pretende disputar a reeleição, mas que quando for a hora, vai avisar que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É POR ISSO QUE EU PREFIRO AS CABRITAAAAAA...AS CABRITAAAA...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A essa altura, já estou trincando os dentes. Mas vamos continuar. José Serra falando sobre Geraldo Alckmin. Serra disse que Alckimin...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TEM SEIOS...QUE ALIMENTAM OS SEUS DESCENDENTES...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estou profundamente irritado. O ônibus está atravessando o Jardim Botânico e não consigo ler o jornal, é impossível me concentrar. Mas juro que vou continuar tentando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NO MUNDO ANIMAL...EXESTE MUITA PUTHARIA...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, na política também, e no ônibus também. Será que grupos de alunos não acham nada mais legal pra fazer em ônibus, ao invés de ficar cantando?! Sigo tentando, firme e forte, ler a Folha, enquanto o ônibus manobra para o Humaitá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora, o que vamos cantar?&lt;br /&gt;Que tal aquela de pagode?&lt;br /&gt;Boa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NAQUELE DOMINGO LÁ NA PRAIA...E VOCÊ DE MINISSAIA...DANDO BOLA PARA UM ALEMÃO...ELE CARRO CONVERSÍVEL, E EU MEXENDO NOS FUSÍVEL...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou quase desistindo. Não. Essa música não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SUBIU A SERRA, ME DEIXOU NO BOQUEIRÃO, ARROMBOU MEU CORAÇÃO, DEPOIS DESAPARECEU...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tinham algo menos...incômodo...para cantar, não?&lt;br /&gt;Botafogo chega, e eles param de cantar. Não só param, como descem do ônibus. Ah, agora sim, meu jornalzinho. Finalmente. Vamos ver...Serra e Alckm...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BOA TARDE SENHORES. DESCULPE INTERROMPER O SILÊNCIO E A PAZ DA SUA VIAGE...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só faltava essa, mesmo. Agora estamos na Praia de Botafogo, e me vem esse sujeito. Será que não vou conseguir ler o jornal?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O CAMELÔ TRAZ AQUI TRÊS CANETA A UM REAL. AÍ FORA NO SHOPPING BOTAFOGO É DOIS REAL CADA CANETA. O CAMELÔ TÁ FAZENDO TRÊS CANETA, TRÊS CANETA, POR APENAS UMMMMMMMMMMM REAL.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hum. Será que eu mando ele enfiar as canetas? Não, deixa pra lá. Daqui a pouco ele desce e eu consigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MUITO OBRIGADO E TENHAM UMA BOA VIAGE.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele desce, depois de agradecer ao motorista (valeu piloto!) Ah. De novo a paz, o silêncio. Então Dom Geraldo Majella criticou o Lu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;POF!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguma coisa bateu forte no meu braço. Um moleque, deve ter uns cinco anos. “Desculpa, tio!”&lt;br /&gt;Sabem, não é pelo esbarrão. Mas é que interrompeu de novo a leitura do jornal. Mas agora ficou tudo bem, vou ler...&lt;br /&gt;Olho para um lado, para outro, vejo se não tem alguém fazendo barulho. Tudo certo. Então abro a página e me sento confortavelmente. Hum...&lt;br /&gt;O ônibus faz um movimento brusco, arrancando. E lá se vai o jornal para a frente, e minha cabeça também, e as letras se embaralham todas.&lt;br /&gt;Guardo o jornal na mochila: o destino se aproxima. É, não deu pra ler jornal no ônibus, hoje.&lt;br /&gt;Vai ver é porque era o último exemplar...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8394188-113540293734404290?l=patthos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://patthos.blogspot.com/feeds/113540293734404290/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8394188&amp;postID=113540293734404290&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/113540293734404290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8394188/posts/default/113540293734404290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://patthos.blogspot.com/2005/12/o-ltimo-exemplar_23.html' title='O último exemplar'/><author><name>Rafael Cavalcanti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13327796163365408952</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_a25ThXbe_C8/R1RdYFf6erI/AAAAAAAAAAM/3pUVaEqtUAo/S220/foto1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
